ORA VAMOS LÁ VER…

por ANA AMÉLIA GUIMARÃES
Professora

Na última Assembleia Municipal de Guimarães, de 17 de junho, a CDU apresentou uma moção de «Solidariedade com os artistas e trabalhadores da Cultura».

 

A moção derivava das preocupações em torno dos resultados do concurso de Apoios sustentados às Artes 2018-2021 (por parte do Ministério da Cultura), nas áreas das artes performativas, artes visuais e cruzamentos disciplinares.

 

Consideravam (e consideram) os proponentes da moção que o resultado do concurso veio agravar, ainda mais, a já difícil situação de largas dezenas de estruturas de criação artística no país, fragilizando o tecido cultural, condenando ao desemprego centenas de trabalhadores, agravando as assimetrias regionais e a destruição do que ainda resiste em várias regiões fora dos grandes centros urbanos.

 

A moção pretendia, assim, que a Assembleia Municipal de Guimarães deliberasse no sentido de saudar e expressar a sua solidariedade com todos os artistas, com todas as estruturas, com todos os trabalhadores da Cultura, bem como apelar para uma efetiva descentralização da Cultura, nas suas múltiplas vertentes e disciplinas, valorizando a produção cultural que se faz no nosso concelho e no distrito.

 

A Moção foi rejeitada com os votos contra do PS!

Rejeitada com o fabuloso argumento de “já vem tarde, deveria ter sido apresentada na legislatura de Passos Coelho” e que, por sua vez, “o OE atribuiu mais verbas para a cultura em Guimarães”.

«Já vem tarde», disse então o PS local… ora a moção referia-se a uma situação concreta (o concurso de Apoios Sustentados às Artes 2018-2021), que provocou tantos protestos e críticas  (“António Costa chamou o ministro da Cultura e o secretário de Estado para uma reunião esta terça-feira depois de ter aumentado de tom a contestação ao concurso de apoio às artes.” RTP, 03 Abril, 2018, 21:51), de tal forma que o governo sentiu a necessidade e a obrigação de criar um “Grupo de trabalho para rever modelo de apoio às artes” (Lusa 19 Junho, 2018). Conclusão: a autarquia está fora e a leste da discussão de políticas culturais (é mais sunset, noites brancas e tasquinhas medievais…).

No entanto, o PS autárquico esqueceu-se , convenientemente, de dizer que se “o OE atribuiu mais verbas para a cultura em Guimarães”, tal também se deve, sobretudo, ao empenho da CDU em Guimarães e na Assembleia da República, pela voz da deputada eleita pelo PCP, no distrito de Braga, Carla Cruz, nomeadamente quando, em 2017, questionou o ministro da cultura sobre “se estão previstas verbas, através do orçamento de Estado para o próximo ano, para o financiamento do CIAJG”, levando o governante a assegurar que está prevista “uma linha de financiamento de 300 mil euros”, para um período de três anos.”

Estranha-se a votação do PS e a sua ausência na discussão das políticas culturais.

 

Uma breve nota sobre o S. João de Covas

Há uns anos que passo o S. João a trabalhar, mais concretamente a corrigir exames nacionais, mas este ano lá consegui arranjar duas horas para comer umas sardinhas assadas no S. João de Covas. Gostei muito da festa e as sardinhas eram fresquíssimas e assadas como mandam os pergaminhos.

Esta festa merecia outra divulgação e não deveria ter a concorrência desleal da feira Afonsina. Com a turistificação já não se encontram festas populares tão genuínas como esta, feita com o esforço de todos os que nela trabalham (voluntariamente) e com um saudável espírito comunitário.

Nota final: Uma fraterna saudação a todos os professores que lecionam no concelho de Guimarães, onde a adesão à greve às avaliações é de 100%. Apesar do desgaste, do cansaço e, claro, dos descontos salariais causados por uma greve que já vai no seu 14º dia (4ª semana), a minha sincera solidariedade.

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