Os Enfermeiros e a pandemia COVID-19

por Ana Luísa Bastos
Enfermeira Diretora do Hospital da Senhora da Oliveira, Guimarães

Todos conhecem um enfermeiro, todos têm o enfermeiro da sua vida, que de alguma forma os marcou, os acompanhou. Mas, alguns desconhecem exatamente o que faz este profissional de saúde…

Ser enfermeiro é estar sempre presente, do nascimento até ao fim de vida, avaliando as necessidades individuais e coletivas, em família, intervindo na promoção da saúde, no tratamento e na reabilitação da doença. Na verdade, ser enfermeiro é ter a oportunidade de estar presente em todos os momentos do ciclo vital, é ter a oportunidade de fazer a diferença na vida do outro como um elemento amigo e de proximidade. Mas ser enfermeiro é, também, sinónimo de adaptação e resiliência nestes novos tempos que se vivem.

Esta pandemia pela COVID-19 é um momento totalmente novo para todos os profissionais de saúde, é um momento único que nos levou a reinventarmo-nos, obrigando a que as Instituições Hospitalares e os seus profissionais se reorganizassem e se adaptassem a uma nova realidade, que forçou a alteração da rotina de qualquer Hospital.

No Hospital Senhora da Oliveira, Guimarães (HSOG), a Comissão de Acompanhamento da COVID-19 nomeada pelo Conselho de Administração, reorganizou de forma rápida e eficiente toda a organização de acordo com a estratégia nacional, no sentido de preparar a instituição e os seus profissionais para o que se aproximava…

Na verdade, as alterações no espaço físico são o mais visível, mas a maior transformação e o maior significado está nas pessoas, na capacidade que os profissionais tiveram de se adaptar a uma nova realidade, a uma nova doença e às consequentes alterações exigidas no momento atual.

Os enfermeiros souberam responder de imediato às necessidades atuais, ouviram e seguiram a voz de comando, organizaram serviços, reinventaram formas de trabalhar, estimaram as necessidades nos meios e demonstraram a sua competência e profissionalismo. A sua capacidade de adaptação a este novo desafio foi absolutamente determinante para que todo este processo fosse levado a bom porto.

Os enfermeiros reforçaram conhecimentos de prevenção e controlo de infeção, apoiados pelo Grupo Local de Prevenção Controlo de Infeção e antimicrobianos(GL-PCIRA), também constituída por enfermeiros de entre outros profissionais.

De igual forma, os enfermeiros do Grupo da Gestão do Risco Clínico e não Clínico, do Gabinete de Saúde Ocupacional tiveram uma intervenção determinante. Com a ajuda de tosos os enfermeiros prepararam-se para melhor responder a esta pandemia, de forma a protegerem-se e a protegerem os doentes que cuidam.

Mais uma vez, demonstraram a sua capacidade de organização colocando em prática briefings diários no grupo dos enfermeiros gestores, dando ênfase à comunicação, condição fundamental para manterem o foco no meio de tanta informação, propiciando condições para a tomada de decisão, planeamento, organização e controlo de toda a atividade hospitalar.

Falamos de profissionais que exercem as suas funções com grande capacidade de entrega, muitas vezes, em detrimento de estarem mais tempo com a própria família, fazendo do doente a sua prioridade.

Vivemos momentos de prova de união, de coesão e de partilha, onde todos juntos somos mais fortes. Os tempos atuais também vieram reforçar que o trabalho em equipa é fundamental para que continuemos a fazer frente a este novo vírus.

Esta Pandemia constitui uma oportunidade de provar que os enfermeiros têm um papel absolutamente fundamental nos sistemas de saúde e na prestação de cuidados, pela sua capacidade de trabalho, pela força e resiliência extraordinárias e, acima de tudo, pela dedicação que diariamente colocam no cuidar do Outro.


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