Paço dos Duques recebe Sessão Solene da Academia de la Diplomacia

Guimarães recebeu, esta quinta-feira, 10 de setembro, a Sessão Solene de Investidura de Novos Académicos da Academia de la Diplomacia, no Paço dos Duques de Bragança. O evento marcou a primeira presença da instituição na cidade e reuniu representantes de 13 embaixadas, com a presença de 12 embaixadores e representantes diplomáticos.

 

A cerimónia teve início às 18h00 com a execução do Hino Nacional da República Portuguesa e do Hino da Academia de la Diplomacia, seguindo-se as intervenções protocolares.

Jorge Antas de Barros, Chefe da Delegação da Academia da Diplomacia em Portugal, proferiu a sua intervenção, destacando a importância do evento e da instituição.”A Academia de la Diplomacia afirma-se como uma instituição de referência no domínio da promoção do estudo, da valorização, da diplomacia e das relações internacionais,” afirmou. “Idealizada por embaixadores que reconheceram a necessidade de criar uma Academia de diplomatas, a instituição assume, desde a sua origem, uma vocação eminentemente internacional e multidisciplinar.”

O Chefe da Delegação em Portugal sublinhou ainda que “o mundo não está a mudar, o mundo já mudou. E mudou de uma forma que nos obriga a repensar conceitos estratégicos e modelos de relacionamento internacional, que durante décadas pareceram suficientemente sólidos para garantir estabilidade, previsibilidade e política”. “Neste novo contexto, a verdadeira autonomia dos Estados não poderá resultar do isolamento, nem da dependência exclusiva de um determinado espaço geográfico. No século XXI, a autonomia estratégica traduzir-se-á, sobretudo, na capacidade de manter uma profunda abertura ao mundo diversificado,” enfatizou.

Jorge Antas de Barros destacou ainda a importância do diálogo, da diplomacia e da liderança. “O diálogo constitui o primeiro instrumento de aproximação entre as pessoas, instituições e estados. É através do diálogo que se tornam claros objetivos, que se confrontam perspectivas e que se procuram vias de compreensão.”Relativamente à diplomacia, afirmou que “é a arte de transformar o diálogo em estratégia. É através da diplomacia que os estados constroem canais de comunicação, estabelecem mecanismos de entendimento, protegem os seus interesses e procuram preservar relações pacíficas e construtivas entre as nações.”

A intervenção foi seguida pela apresentação de Santiago Urbina, em representação da Cigna Healthcare, sobre o tema “A saúde dos Diplomatas”. Santiago Urbina destacou a experiência de Cigna Healthcare junto à comunidade diplomática e às organizações internacionais. “Durante os últimos 60 anos, temos tido o privilégio de servir a comunidade diplomática e as organizações internacionais, o que nos permitiu acumular uma vasta experiência e informação sobre as características e situações específicas que os diplomatas e suas famílias enfrentam,” afirmou. Santiago Urbina enfatizou a particularidade do serviço diplomático. “A natureza do serviço da diplomacia é centrada na missão. Salientou a importância desta compreensão para as entidades que trabalham com diplomatas. “Todas as empresas que participam e as organizações internacionais precisam entender como a missão é centrada. Esta compreensão é fundamental para realmente acreditar e compreender o que os diplomatas necessitam.”

O representante da Cigna Healthcare  apresentou o estudo desenvolvido pela Cigna Healthcare: o “Global Diplomatic Health Study”, uma pesquisa conduzida durante vários anos em mais de 13 países, tanto desenvolvidos como em desenvolvimento, para compreender as condições e situações que os diplomatas enfrentam regularmente.”Este estudo segmenta a informação de acordo com cultura, razão e religião, mas, mais importante ainda, analisa como as situações são diferentes para diplomatas mulheres e para diplomatas homens,” explicou.

Embaixadores investidos

Os seguintes 12 embaixadores receberam o Diploma e a Insígnia da Academia da Diplomacia: Embaixadora de Angola, Maria de Jesus Ferreira,Embaixadora de Moçambique,Stella Pinto Novo Zeca,Embaixadora da Austrália, Helen Cheney, Embaixadora da Hungria, Emília Fábián, Embaixadora da Ucrânia, Maryna Mykhailenko, Embaixador das Filipinas, Paul Raymund Cortes,Embaixadora do Uruguai, Caroline Ache,Embaixador do México, Bruno Figueroa,Embaixador de El Salvador, Rhina Bardi,Embaixador de Israel, Oren Rozenblat, Embaixador da Argentina, Federico Barttfeld e o Embaixador da Bélgica, Bart Lammens

A 13.ª embaixada representada no evento foi a Nigéria, que não teve embaixador presente na cerimónia.

Algimantas Rimkunas, Embaixador da Lituânia em Portugal entre 2007 e 2012, atualmente conselheiro do Ministro dos Negócios Estrangeiros da Lituânia, recebeu em seu nome o Diploma e a Insígnia. Na mensagem enviada, o embaixador referiu: “É com grande prazer que recordo o período de 2007 a 2012, durante o qual exerci as funções de embaixador da Lituânia em Portugal. Juntamente com os meus colegas portugueses, trabalhámos no reforço das relações bilaterais entre os nossos países.”

Personalidades civis investidas

A cerimónia incluiu também a investidura de distintas personalidades da sociedade civil, oriundas dos meios empresarial, académico, jornalístico, institucional e profissional:Diogo Madeira, Administrador da Huawei Portugal,Henrique Monteiro, Jornalista, Ex-Diretor do Jornal Expresso e Vice-Presidente do Grupo Impresa, Fernando Tavares Pereira, Chairman do Grupo TAVFER, Pedro Sampaio Nunes, Consultor, Administrador da ENUPOR – Energia Nuclear Portugal e Grande Oficial da Ordem de Mérito de Portugal, Ângelo Ramalho, Executivo de Alta Direção, Ex-CEO e Chairman da Efacec, Galp e Alstom Portugal S.A., Manuel Queirós, Jornalista e Presidente do CNID – Associação dos Jornalistas de Desporto, Bernardo Theotónio-Pereira,  CEO da empresa FIRMA e empresário,João Pedro Antas de Barros, Empresário
António Tavares, Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto, Paulo Coelho Lima, CEO do Grupo Lameirinho, Tito Zazuarte de Mendonça, Banqueiro e membro do Board do Choiseul Business Forum, com sede em Paris e a Associação do Corpo Consular do Porto, representada pelo seu Presidente, Pedro Pessanha.

Taavi Rõivas, antigo Ministro dos Assuntos Sociais e antigo Primeiro-Ministro da Estónia, atualmente CEO da Auve Tech, foi investido como Membro Honorário. Impedido de estar presente, enviou uma mensagem em que destacou: “É uma grande honra ter sido eleito Membro Honorário da Academia Diplomática. Recordo com grande apreço os anos em que exerci o cargo de Primeiro-Ministro da Estónia e o trabalho desenvolvido durante esse período com vista a reforçar ainda mais as relações estreitas e amistosas entre a Estónia e Portugal”.

Intervenção de Santiago Velo de Antelo

Santiago Velo de Antelo, Presidente Executivo da Academia da Diplomacia, destacou a importância e o simbolismo do evento. “É uma honra que este ato de investidura de novos académicos tenha lugar neste histórico Palácio dos Duques de Bragança, que tanto representa para a história de Portugal,” afirmou.

O Presidente Executivo  recordou o trabalho desenvolvido pela Academia. “Há mais de três décadas trabalho em prol da valorização do corpo diplomático acreditado na Espanha, junto à sociedade civil, militar e do mundo empresarial. Estamos a alcançar os nossos objetivos fundacionais: valorizar e dignificar a missão do diplomata, afirmar os princípios e valores que a orientam e promover uma ação conjunta que reforce a sua plena integração na sociedade”.

Relativamente à presença em Portugal, sublinhou que “a presença permanente da Academia da Diplomacia em Portugal remonta a 2023, com a abertura da sua sede em Cascais, graças a um protocolo celebrado com o então Presidente da Câmara Municipal de Cascais. A Academia passou a dispor do Palácio Casa de Santa Maria, como sede para a realização de atos institucionais, conferências e outras atividades diplomáticas”.

Santiago Velo de Antelo realçou o alcance internacional da instituição. “A Academia da Diplomacia é uma instituição fundada na Espanha, mas com uma visão internacional onde as suas delegações são autónomas. Diplomatas de quase uma centena de países fazem parte da Academia”.Referiu ainda o prestígio da instituição, nomeadamente o “Prémio Embaixador Pedro Dantelo”, que foi concedido a personalidades como o Rei Simão II da Bulgária, o Duque de Alba, o Presidente da Espanha e a Sua Santidade o Papa Bento XVI.

“Desde a fundação da Academia, era uma instituição exclusivamente destinada a diplomatas,” afirmou o Presidente Executivo. “Devo dizer que tem sido muito positiva a contribuição resultante da entrada de académicos provenientes de áreas diferentes, ainda que não diplomáticas. Porque a diplomacia também é exercida por militares, catedráticos, personalidades da cultura, do mundo empresarial e da sociedade civil em geral. Que este ato sirva como reconhecimento do vosso trabalho.”

Encerramento da Sessão Solene

Ricardo Araújo, Presidente da Câmara Municipal de Guimarães, proferiu o discurso de encerramento, dirigindo-se particularmente aos novos académicos investidos.”Começo naturalmente por dirigir uma saudação muito especial às 13 personalidades que acabaram de ser investidas como novos membros da Academia da Diplomacia. Receberam, em instantes, um diploma e uma insígnia, mas aquilo que verdadeiramente receberam foi uma responsabilidade acrescida,” afirmou.

Ricardo Araújo dirigiu uma palavra particular a Paulo Coelho Lima, “distinto empresário de Guimarães e cônsul honorário do México , que representa a nossa comunidade empresarial vimaranense e que foi hoje distinguido entre os novos académicos investidos.”

Relativamente à escolha de Guimarães para o evento, sublinhou: “Quero agradecer ao Senhor Presidente Santiago Velo de Antelo e ao Doutor Jorge Antas de Barros pela escolha de Guimarães para esta cerimónia. A Academia da Diplomacia realiza aqui pela primeira vez uma cerimónia de investidura fora do seu formato habitual em Madrid. Fazê-lo em Guimarães tem esse significado de reconhecimento do nosso papel, da nossa história, mas também reconhecimento do futuro que nós queremos construir.”

Ricardo Araújo apresentou a visão estratégica de Guimarães; “Para uma cidade como Guimarães, a dimensão internacional é uma questão estratégica. Temos uma economia profundamente industrial, somos um território de empresas que aprenderam a produzir, a competir e a exportar. Não queremos abandonar nada disso, não queremos deixar de ser um território industrial de referência nos setores tradicionais como o Têxtil, o Calçado, as Cutelarias ou a Metalomecânica. Antes, queremos ser uma cidade industrial de nova geração”.Explicitou a ambição futura: “De berço da nação, nós queremos ser também o berço de inovação. A nossa missão é aumentar o valor produzido em Guimarães, incorporar conhecimento, tecnologia e inovação e ao mesmo tempo diversificar a nossa base económica e empresarial. Queremos continuar fortes nos setores com tradição, mas queremos acrescentar novas áreas como tecnologias médicas, aeroespacial, inteligência artificial, supercomputação, novos materiais. E já estamos a fazê-lo”.

O Presidente dirigiu-se aos diplomatas presentes com um convite, “Quero apresentar-vos não apenas a cidade histórica, monumental e patrimonial, mas também a cidade que quer disputar o futuro, a cidade de universidade, dos centros de investigação, das empresas exportadoras, da formação de engenheiros, do investimento na tecnologia e na inovação. Perante tantos representantes diplomáticos e consulares, quero deixar-vos este desafio e este convite, Guimarães é um território com forte história, com grande tradição, mas que quer construir o futuro com uma missão compatível com a nossa história.”

Sublinhou a importância da cooperação internacional afirmando que, “Isto implica que sejamos capazes de promover a cooperação internacional entre cidades, a cooperação que abre portas institucionais e empresariais para o intercâmbio e para a cooperação entre as nossas empresas, universidades, culturas, artistas, jovens e estudantes”.

Ricardo Araújo finalizou com uma mensagem sobre a visão compartilhada, “Esta é a visão que nós queremos para Guimarães.Uma terra que sabe  receber, que tem história, mas que, sobretudo, quer partilhar conhecimento, ambição, oportunidades, partilhar o caminho que seguramente todos queremos construir. Os diplomatas têm essa grande responsabilidade de promover o diálogo e o entendimento entre os povos”.

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