Padrão dos Encobrimentos

Por César Teixeira.

Portugal é uma Nação com quase nove séculos de História. Com as suas fronteiras perfeitamente definidas há largos séculos. Ontem fomos precursores na definição do Estado nação e no fenómeno da globalização. Hoje somos uma democracia consolidada e estamos na linha da frente do projeto europeu.

Ao longo da nossa História nem tudo foi perfeito. Para mais se analisado numa perspetiva atual. Mas é assim com a vida coletiva dos povos, como individualmente com as nossas próprias vidas.

É, pois, com espanto que assistimos a propostas oriundas de setores radicais. Que consubstanciam verdadeiras guerras santas de natureza ideológica. Fanáticos que pretendem um ajuste de contas com o 25 de Abril. Querem executar hoje a limpeza ideológica que não foi feita em plena revolução. Recentemente os novos censores, que pugnam intolerantemente pela tolerância, elegeram agora como um alvo potencial o Padrão dos Descobrimentos. Sugerindo a sua demolição.

Que diferença para com os talibãs afegãos? Que destruíram imagens de Buda no ano de 2001? Ou para a destruição patrimonial perpetrada pelo Estado Islâmico? Nenhuma! Aqueles, como estes, pretendem apenas reescrever a História à imagem dos vencedores (ainda que momentâneos) e limitar a expressão de pontos de vista diferentes. Relembre-se aqui a queima de livros efetuada pelo regime nazi pouco após a chegada ao poder de Hitler. Assegurar a purificação da cultura alemã de modo e evitar elementos espúrios. O método e a ideologia a preservar podem ser diferentes. O objetivo é o mesmo: purificar ideologicamente e suprimir a diferença.

A esquerda lida mal com a História. Que tudo quer negar. Que tudo quer questionar. Que à míngua de causas, vive inculcando nos europeus um sentimento de culpa por atos do passado. Foi a Europa o grande farol que iluminou o mundo. E que falta faz essa luz! Que hoje está mais ténue, muito por culpa destes sentimentos inibidores.

Vejam-se as sucessivas declarações de Mamadou Ba. Que a propósito de tudo e mais alguma coisa introduz na agenda mediática o menino dos seus olhos e o seu modo de vida: o racismo. Que seria de Mamadou sem o racismo? Provavelmente nada, pois não se lhe conhece nenhuma atividade que não seja o ativismo antirracismo. Mas uma coisa é certa. Mamadou Ba é o símbolo da capacidade de integração e assimilação de Portugal. Um senegalês que é acolhido em Portugal. Que ascende a cargos de topo. Que distrata a História de quem o acolheu. Duvido seriamente que o seu país de origem assegure igual condição aos seus nativos. E duvido ainda que o seu país natal assegure aos estrangeiros a assimilação que Portugal concede a quem aqui decidiu viver. Aliás, recomenda-se vivamente ao Sr. Mamadou que preste atenção à situação das mais de cem mil crianças “talibé” que continuam sujeitas no Senegal a mendicidade forçada, castigos físicos e abusos sexuais. Estas crianças precisam muito do ativismo de Mamadou. Não sei é se o Estado Senegalês terá a mesma capacidade que o Estado português vai tendo para financiar o seu ativismo.

Entretanto a situação de Portugal continua encoberta. A manifesta redução da qualidade de vida das pessoas. A fome que começa a ganhar terreno. A perspetiva de redução da esperança média de vida. A mortalidade elevada que não tem explicação apenas com o covid. A redução do investimento e da despesa no serviço nacional de saúde, mesmo além dos valores do período da troika, com o beneplácito do PCP e do BE. O facto de sermos dos Países que menos tem prestado apoio à economia e às empresas neste período de pandemia. A nomeação de José Guerra para a Procuradoria europeia em condições muito pouco transparentes à imagem e semelhança da própria Ministra da Justiça… O atual Governo está manifestamente esgotado. Sem capacidade de definir uma estratégia de longo prazo para Portugal.

Portugal carece urgentemente que lhe seja apontado um novo caminho. Que passa pelo exercício do sentido de responsabilidade de quem está na oposição. Que tem a responsabilidade de criticar o que tem de ser criticado.

Contribuindo, por essa via, para a correção do caminho. Ser responsável é também assumir a responsabilidade de criticar o que está mal. Mas não basta criticar. Não basta dizer que o caminho trilhado é o errado. Isso de pouco ou nada vale. Portugal e os portugueses precisam que lhes apontem caminhos alternativos e diferentes. Esta é a responsabilidade de quem está na oposição. Dizer e afirmar repetidamente que se é diferente não basta. Os portugueses precisam que lhes seja mostrada com factos, propostas e posturas a diferença. Os portugueses querem que seja assumida a responsabilidade de criticar o que está mal e de apontar trilhos diferentes. Isto é ser responsável. Isto é ir de encontro ao interesse nacional. É isto que os portugueses esperam de uma oposição responsável.

Portugal vive efetivamente encoberto. Num denso manto de nevoeiro. Que precisa de ser dissipado. O país precisa mesmo de um caminho alternativo. Quem está na oposição tem essa responsabilidade. E essa responsabilidade tem de ser assumida, de modo a colocar o País num rumo melhor do que aquele que nos trouxe até ao estado calamitoso a que chegamos.

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