Parque da Imaginação Musical inaugurado em Guimarães : “A música é de todos”

Projeto nascido de uma proposta da comunidade é um dos legados de Guimarães 26 - Capital Verde Europeia

@ Mais Guimarães

O Parque da Imaginação Musical (PIM) foi inaugurado na quinta-feira, 8 de outubro, no Parque da Cidade de Guimarães. O novo espaço público junta música, natureza e criatividade e assume-se como um dos legados de Guimarães 26 – Capital Verde Europeia. O projeto surgiu de uma proposta da comunidade, com criação e curadoria do músico, compositor e professor Tiago Simães e arquitetura de João Mendes. O parque tem mais de 65 postos musicais, desenvolvidos e produzidos pela equipa da Microcubo, e foi pensado para pessoas de todas as idades, independentemente dos conhecimentos musicais.

Na cerimónia, o presidente da Câmara Municipal, Ricardo Araújo, sublinhou que o PIM “é um projeto da comunidade para a comunidade”. Para o autarca, a Capital Verde só faz sentido se houver “envolvimento ativo dos cidadãos”. Recordou que a Câmara recebeu muitas propostas de organizações, associações, pessoas e grupos informais, e que esta nasceu “do sonho” de Tiago Simães.

Ricardo Araújo disse que o parque será “seguramente um dos legados” que ficarão da Capital Verde Europeia depois de 2026. Destacou ainda que é um projeto que “junta o ambiente, a ecologia, com a cultura, com a música”, e que simboliza uma cidade que já foi Capital Europeia da Cultura e é agora Capital Europeia Verde. Pediu ainda “responsabilidade coletiva” para que o espaço seja cuidado, porque só faz sentido se for “utilizado, usufruído e também cuidado”.

Uma ideia com 14 anos

Tiago Simães recordou que a ideia nasceu há 14 anos, quando imaginou um espaço público onde a música não ficasse fechada “numa sala, num auditório, numa escola”, e onde qualquer pessoa pudesse tocar, experimentar, ouvir e descobrir. Apresentou-a em vários momentos e “nem sempre foi o tempo certo”, mas nunca deixou de acreditar. O músico considerou que a integração do PIM em Guimarães 26 “faz todo o sentido”, porque “a arte também é uma forma de habitar uma cidade”. Num tempo em que grande parte da vida decorre através de ecrãs, defendeu a importância de criar lugares que devolvam as pessoas “ao mundo físico, à curiosidade, à brincadeira”. Sobre o caráter inclusivo do espaço, disse que o PIM “não pergunta a idade a quem chega”, nem se sabe música ou de onde vem: “Aqui todos cabem. A música é de todos.”

Agradeceu ao município, à Vitrus, à Microcubo, ao Laboratório da Paisagem e a todos os técnicos e trabalhadores que, disse, estiveram na obra “até ao último momento” e foram “incansáveis”. Teve palavras de apreço para o arquiteto João Mendes, sem o qual “este parque não seria este parque”. Afirmou que, a partir de agora, o parque “não é meu e do João, é da cidade, é de todos nós”. Quer que o dia seja “o início” e não o fim do projeto, e espera que o PIM receba novas experiências, concertos, no “anfiteatro natural”, e projetos educativos. Admitiu ainda que possa tornar-se “uma ideia que viaja por esse mundo fora”.

Biodiversidade e sustentabilidade

João Mendes contou que Tiago Simães o convidou para concretizar um dos seus sonhos mais antigos, um parque público com instrumentos musicais rodeado pela natureza. Disse-lhe que a ideia cabia em qualquer cidade do mundo, ao que o músico respondeu que queria que fosse em Guimarães. O arquiteto recordou a “enorme responsabilidade” de projetar um parque dentro do Parque da Cidade, no ano em que Guimarães é Capital Verde Europeia. Segundo explicou, o projeto procurou reduzir o desperdício de materiais e privilegiar soluções sustentáveis, recicladas e de origem local. “Promovemos não só a preservação, mas também o aumento da biodiversidade”, afirmou. Com base num estudo do Laboratório da Paisagem, foram introduzidas 14 novas espécies, num total de 2.750 exemplares.

O arquiteto considera que o projeto só estará completo “quando a natureza tomar conta do parque”, pois “a natureza tem o seu próprio ritmo”.

 

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