PCP acusa patronato de “cortar sempre nos trabalhadores” e pede medidas ao Governo
O Grupo Parlamentar do PCP dirigiu ao Governo duas perguntas escritas sobre os despedimentos coletivos e os atrasos salariais que estão a atingir centenas de trabalhadores no setor têxtil, em empresas como os grupos Polopique, StampDyeing, Tearfil, Somelos, Coindu e JF Almeida.

© CDU Guimarães
Em comunicado, os comunistas denunciam que “é inaceitável que continuem sempre a ser os trabalhadores os primeiros e principais atingidos quando o patronato decide cortar custos”, lembrando que “falamos de um setor onde predomina o pagamento do salário mínimo e o pagamento de um subsídio de refeição que nem para pagar uma sopa dá, no valor de 2,4 euros”.
O PCP cita casos concretos: na Polopique, o Processo Especial de Revitalização (PER) prevê o despedimento de 400 trabalhadores, metade da força laboral; na StampDyeing, cerca de 100 funcionários enfrentam salários e subsídios de férias em atraso, depois da empresa ter visto cortado o fornecimento de gás por falta de pagamento. Já a JF Almeida também se encontra em PER, embora sem pormenores conhecidos. A estes casos somam-se ainda os 130 despedimentos recentes na Coindu, os atrasos no subsídio de férias na Tearfil e salários em atraso na Somelos.
Segundo os comunistas, estes processos não podem ser justificados apenas pelos custos com matérias-primas, energia ou juros: “tratam-se de empresas que apresentaram resultados significativos durante os últimos anos” e, de acordo com o INE, as exportações do setor têxtil em Guimarães cresceram 2% em maio de 2024, ultrapassando os 73 milhões de euros.
O partido critica ainda a postura do ministro da Economia, Castro Almeida, que, “em declarações citadas pelo jornal Público, não foi capaz de manifestar qualquer palavra de preocupação sobre a situação dos trabalhadores afetados, nem tão pouco de declarar qualquer ação concreta”.
No Parlamento, o PCP formalizou duas perguntas distintas:
Ao Ministro da Economia e da Coesão Territorial, questiona sobre quais os apoios públicos, nacionais ou comunitários, que estas empresas beneficiaram ou beneficiam, e se está o Governo a preparar ou a considerar medidas que defendam a produção nacional no setor têxtil e vestuário.
Já à Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, se o Governo conhecimento da concretização de processos de despedimento e da aprovação de um conjunto de Processos Especiais de Revitalização em empresas dos grupos Polopique, J.F. Almeida e StampDyeing, se confirma um potencial impacto direto em mais de 2000 trabalhadores e se tem o Governo previstas medidas que garantam a salvaguarda dos postos de trabalho e os direitos dos trabalhadores afetados.
Com estas iniciativas, a CDU exige que o Executivo “assuma as suas responsabilidades” e atue de forma urgente para travar os despedimentos e “assegurar que os trabalhadores do setor têxtil não pagam, mais uma vez, o preço da crise”.