Pela Cidade

por WLADIMIR BRITO
Professor de Direito na Universidade do Minho

1. Uma referência à inauguração do Teatro Jordão para dizer que passamos a ter mais um equipamento académico-cultural, agora de natureza diferente dos demais já existentes. Temos um equipamento que serve duas Academia, a da Universidade do Minho e a do Conservatório da Música, e subsidiariamente, assim espero, o Município que já tem equipamentos de sobra para gerir directamente ou através da Oficina. O facto de o Teatro Jordão passar à categoria de equipamento de natureza académica confere-lhe uma elevada dignidade existencial e funcional, o que merece pelo papel cultural com que marcou a Cidade; por outro lado, essa sua dimensão académica assegura-nos que vai perdurar no tempo e marcar de novo a Cidade.

2. O desperdício de 80% dos votos dos emigrantes do círculo Europa é directamente proporcional à pouca atenção que os poderes públicos dão à emigração, apesar da retórica política sobre o papel dos nossos emigrantes nos países de acolhimento. 80% de votos atirados ao lixo corresponde a 100% de desconsideração do direito de voto desse desses cidadãos. Não vamos discutir as culpas, pois todos, instituições políticas e partidos políticos, são responsáveis por tal desprezo e pelo esforço que os emigrantes fazem para exercer esse direito. Urge corrigir os erros e os constrangimentos legais para que isto não se repita.

3. No que se refere aos resultados eleitorais obtidos pela esquerda – PS, BE e PCP –, começarei por dizer que sempre fui contra maiorias absolutas. O absoluto não se relativiza, pelo que, por mais que o António Costa propagandeie a sua vontade de dialogar, tal diálogo será sempre orientado no sentido de fazer prevalecer a vontade do Governo e do Partido maioritário e para culpabilizar os outros parceiros de intolerância e de boicote das propostas objeto do diálogo.

4. As sondagens politicamente orientadas permitiram esse resultado, o que significa que, sob o ponto de vista sociológico, PS/Costa não têm verdadeiramente uma maioria absoluta de votantes que acreditam na sua acção. O que tem é uma maioria dos militantes e simpatizantes do PS, acrescida de votantes no PS motivados pelo medo da tomada do poder pela direita. Ou seja, esses votantes utilizaram o PS como instrumento útil para barrar o caminho a uma maioria parlamentar de direita que, por força das sondagens politicamente orientadas, representavam um cenário possível, que não desejavam.

5. Nesta perspectiva, a deslocação desses votos do BE e da CDU para o PS não representa uma punição por terem votado contra o Orçamento, ao contrário do que prognosticaram esses oráculos de Delfos, que são os nossos comentadores – vejam o sketch feito Ricardo Araújo Pereira e o ridículo das análises por eles feitas. Embora se referissem a essa deslocação de voto, sempre puseram a tónica, acentuando, a ideia de punição. Essa deslocação de votos deve ser vista mais como uma reacção de medo ou de insegurança acima referido do que uma punição.

6. É claro que quer o BE quer a CDU tiveram má prestação comunicacional, que levou os eleitores a representarem a acção desses partidos como defensiva e não proactiva e a embarcarem na polarização da disputa leitoral. Por isso, devem parar de culpabilizar essa polarização e os seus beneficiários e devem fazer uma séria reflexão sobre a sua acção política e comunicacional.

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