Pontevedra: o exemplo que o BE quer reproduzir em Guimarães

Recentemente o BE Guimarães apontou o exemplo de Pontevedra para falar da questão dos transportes e do trânsito em Guimarães. Mas, de que fala o Bloco quando fala de Pontevedra?

Foto: Rafa Vásquez

Há 20 anos, havia ruas, na cidade galega de Pontevedra, onde passavam perto de 30 mil carros por dia. Os residentes usavam o automóvel até para percorrer curtas distâncias. Em 1999, com a eleição de Miguel Anxo Lores, do a situação começou a mudar.

Miguel Anxo Lores, foi eleito pelo Bloque Nacionalista Galego (BNG), um partido de esquerda nacionalista e independentista galego. Antes de ser eleito alcaide de Pontevedra Miguel Anxo Lopes era médico de cuidados de saúde primários.

O alcaide arrancou com um plano de recuperação do espaço público, no inicio do século que agora tem resultados visíveis. Hoje, 72% das deslocações são asseguradas a pé ou de bicicleta e o carro está reduzido ao absolutamente necessário para garantir o funcionamento da cidade.

A cidade de Pontevedra tem 80 mil habitantes e na altura não parecia fácil, mesmo assim, no primeiro ano de mandato, Os carros foram retirados do centro histórico e foram sendo criados passeios, áreas pedonais, trajetos escolares. Ao mesmo tempo foi criado estacionamento subterrâneo para retirar os carros das ruas.

Aos poucos a proibição de circulação automóvel foi sendo estendida a todo o centro urbano. “Cerca de 60% a 70% da área da cidade ficou destinada ao espaço público e cerca de 20%, 30% aos carro”, disse, numa entrevista ao DN, quando esteve em Lisboa, no ano passado, para participar numa tertúlia da Brasileira do Chiado, sobre a mobilidade na capital portuguesa.

Ao mesmo tempo foram tomadas medidas de acalmia do trânsito, como substituição de semáforos por rotundas e redução da velocidade para 30 quilómetros hora. Isso foi em 2010, agora há zonas de 20 e de 10 quilómetros hora.

O que resultou destas medidas tornou a cidade de Pontevedra falada em todo o mundo. Uma redução de 67% nas emissões de CO2, valores abaixo dos índices recomendados pela OMS em gases tóxicos como o dióxido de nitrogénio, dióxido de enxofre e ozono troposférico e um aumento de 30% das receitas comerciais. Ao mesmo tempo a população da cidade cresceu e tem agora mais 12 mil habitantes e mais 14% de população na faixa entre os zero e os 14 anos.

Em Pontevedra, não morre uma pessoa no trânsito desde 2011.

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