Por este Rio acima…

Por César Teixeira.

Com fausto, na Roma Antiga, quando um comandante militar vencia uma campanha com excecional relevância poderia ter direito a desfilar em Roma. Conjuntamente com as tropas que tinha comandado. Era o Triunfo. Nesse momento eram exibidos em publico os objetos valiosos capturados ao inimigo. Prisioneiros de guerra eram arrastados diante dos vencedores. Depois executados ou feitos escravos. Políticos e militares dos vencidos eram torturados, acorrentados, arrastados ao longo do cortejo do triunfo e executados de forma mais ou menos cruel.

A população, em êxtase, aplaudia o cortejo. O Triunfo Romano era um espetáculo concebido com vários propósitos. Exibia-se a força de Roma. Levantava-se o animo da população. Assegurava-se o apoio de figuras ao regime. Impunha-se a cultura do medo. Fundamental para prevenir rebeliões dos povos dominados ou tentações expansionistas dos vizinhos.

Imperava, então, a lei do mais forte. Felizmente os tempos mudaram. As guerras e batalhas foram substituídas por atos eleitorais. A cultura da submissão, foi substituída pela cultura do compromisso. Por isso mesmo, e ao contrário do que sucedia no passado, se teremos de glorificar os vencedores, não poderemos deixar de honrar os vencidos.

Tendo sempre presente que quem ganha eleições deve ter bem presente o dever de respeito da oposição e que aqueles que perderam as eleições devem honrar o papel digno e honroso da oposição. O que se exige, pois, é que os vencedores saibam ganhar. Não submetendo. Que os vencidos saibam perder, respeitando. A democracia assim o exige. O compromisso assim o impõe.

Vem esta reflexão a propósito do passado ato eleitoral interno do PSD. Glória a Rui Rio, honra a Paulo Rangel. Estou convicto que ambos saberão estar à altura das responsabilidades que assumiram e que os militantes lhes atribuíram. Num partido democrático como o PSD, seguramente que não assistiremos a réplicas ou caricaturas dos antigos cortejos romanos. Mas a verdadeiros atos de compromisso que terão como virtude o reforço do todo.

Rui Rio venceu e, com ele, venceu também André Coelho Lima. E aqui a minha primeira saudação pessoal. O histórico de André permite ter esperança na concretização efetiva do compromisso. Recorde-se a este nível o trajeto de compromisso que, em Guimarães, foi anteriormente protagonizado pelo Vice de Rui Rio. Erguendo pontes entre ilhas dispersas. Construindo istmos entre pedaços consolidados e historicamente desavindos. É esta cultura de compromisso entre tendências e sensibilidades que se impõe novamente e a todos os níveis. Assente no compromisso. Com estratégia participada e partilhada. Rumo a um objetivo comum: Guimarães e Portugal.

E a forma como a campanha correu, particularmente em Guimarães, é bem sinal do campo fértil para o compromisso.

Bruno Fernandes, neste ato eleitoral, retirou a Comissão Política da campanha eleitoral. Deixando campo aberto para que os militantes tivessem tomado as suas posições e opções individuais. Com membros da sua Comissão Política a tomarem partido, de forma natural, por um ou outro candidato. Recordo a este propósito um episódio. Há uns atrás eram candidatos a Presidente do Partido Rui Rio e Pedro Santana Lopes. Nessa altura, desempenhava eu, formalmente, o cargo de Presidente da Comissão Política do PSD de Guimarães. Entendi, então, que um órgão não deveria tomar partido. Independentemente da posição individual do titular. Hoje continuo a entender o mesmo. Bem esteve Bruno Fernandes.

Mas bem estiveram Emídio Guerreiro e Ricardo Araújo. Que, em Guimarães, protagonizaram o apoio a Paulo Rangel. Emídio Guerreiro porque teve a humildade de encabeçar a lista dos delegados de Guimarães ao Congresso Nacional do PSD. Ricardo Araújo porque aceitou o desafio de representar a candidatura de Paulo Rangel em Guimarães, assumindo as funções de mandatário Concelhio. Emídio Guerreiro, contra todas as expectativas, porque a lista que encabeçava venceu o ato eleitoral recolhendo mais de 40 votos face à lista de apoiantes de Rui Rio. Ricardo Araújo porque empreendeu uma campanha serena e tranquila, como uma eleição deve ser num partido democrático. Uma eleição é tão simplesmente uma opção, num determinado contexto histórico.

O campo é fértil, pois, para o compromisso. Estou certo que não haverá tentações triunfalistas. Do compromisso poderão resultar feitos enormes para Portugal e para Guimarães. Assim se queira e saiba semear…

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