Por mais jovens na política

Cresci a acreditar na política. Agora quero ajudar a mudar a forma como os jovens a veem.

Aprendi, desde pequena, que a política pode ser uma poderosa ferramenta de transformação. Tive a sorte de crescer ao lado de alguém que sempre a viveu com seriedade, dedicação e verdade: o meu pai, Sérgio Castro Rocha, presidente da Junta de Freguesia de Ponte.

Para mim, ele foi, e é, uma inspiração e uma referência. Não apenas por ser meu pai, mas porque soube liderar com trabalho, proximidade e resultados. É, para mim, o melhor presidente de junta da história de Guimarães. E não o digo apenas por orgulho filial, mas porque os números falam por si: obteve as maiores votações de sempre entre todas as freguesias/vilas do concelho.

Mais do que os votos, foi o reconhecimento das pessoas que o tornou uma referência. Sempre presente, sempre disponível, sempre a servir, e a fazer acontecer.

Cresci a assistir a tudo isso. A ver o valor da escuta, a importância da palavra cumprida, o impacto que pequenas decisões podem ter na vida das pessoas. Cresci no meio da política, mas, acima de tudo, cresci a perceber que a política não tem de ser feita de promessas… mas sim de presença e ação.

Hoje, com 21 anos e estudante de Direito, terei a oportunidade de participar ativamente nas próximas eleições autárquicas na minha terra. Encaro esta experiência como uma forma natural de dar continuidade aos valores com que cresci e como uma oportunidade valiosa para aprender, contribuir e crescer ao serviço da comunidade.

Mas há algo que me inquieta: a relação cada vez mais distante entre os jovens e a política. Nota-se, muitas vezes, um certo desinteresse, uma apatia silenciosa.

Contudo, mais do que desinteresse, existe uma frustração disfarçada, o reflexo de uma ligação que, aos poucos, se foi perdendo. Talvez por falta de oportunidades, talvez por sentirem que a sua voz pouco conta. E é nesse espaço vazio, onde a confiança hesita, que surgem discursos que se alimentam da desilusão e da ausência.

Ainda assim, acredito que há, em nós, jovens, uma vontade latente de participar. Só precisamos de ser ouvidos, incluídos, levados a sério. Não podemos desistir. Nem aceitar o papel de meros espectadores. O nosso lugar é na ação. No debate. Na decisão.

Acredito profundamente que os jovens são o futuro… mas sobretudo o presente! Somos estudantes, trabalhadores, criadores, empreendedores, voluntários, cuidadores…

Estamos em todos os espaços, mesmo quando não nos dão voz. E é tempo de mudar isso.

Precisamos de espaço real para participar. De voz nas decisões. De lugares onde possamos aprender, questionar, propor e fazer. Não queremos apenas assentar tijolos, queremos ser traço no desenho, conceito na maquete, essência no projeto.

Quero ajudar a mudar isso.

Quero ser uma ponte: entre gerações, entre ideias, entre a juventude e as instituições.

Quero contribuir para um espaço político mais aberto, mais transparente e mais acessível aos jovens. Um espaço onde se discuta o que realmente nos toca: o acesso à habitação, os transportes, o ensino, a saúde, o ambiente, a cultura, o emprego com dignidade, a igualdade de oportunidades.

Quero ver mais jovens nas assembleias, sejam elas de freguesia ou municipais, nas associações, nos espaços de decisão. Não apenas a votar, mas a serem votados, a liderar, a propor.

Aprendi com o meu pai que política é estar ao serviço das pessoas. E quero levar esse exemplo comigo. Que este seja também o meu propósito de vida: ajudar as pessoas.

Quero que outros jovens sintam que podem fazer parte. Que as suas ideias contam. Que há lugar para eles nas decisões.

E que esse lugar não precisa de ser pedido com timidez, mas ocupado com confiança, mérito e coragem.

Guimarães tem uma juventude inteligente, criativa e cheia de vontade. Há quem escreva, quem desenvolva tecnologia, quem se envolva em causas sociais, culturais e ambientais. Temos tudo o que é preciso: conhecimento, talento, energia, visão.

Só precisamos que mais portas se abram, que se confie mais em quem está a começar e reconhecer que o futuro se começa a construir agora, com todos à mesa.

E é por isso que aqui estou. Não apenas porque cresci a ver o exemplo, mas porque quero fazer a minha parte. Este será o primeiro de muitos artigos de opinião, porque quero que a minha voz seja uma ponte e uma inspiração. Quero que os jovens se envolvam. Que acreditem.

A política ensinou-me que, quando acreditamos e trabalhamos com verdade, as coisas acontecem. E é com essa verdade que quero continuar este caminho.

 

Letícia Castro Rocha

Estudante universitária de Direito

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