Presidente da Câmara admite que há obras com financiamento do PRR que não cumprirão o prazo
O presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo, admitiu esta segunda-feira, 22 de junho, que as obras financiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) em execução no concelho enfrentam "atrasos consideráveis", reconhecendo que algumas não conseguirão cumprir o prazo de conclusão previsto para agosto deste ano.

© Rodrigo Marques / Mais Guimarães
Em declarações aos jornalistas após a reunião do executivo municipal, o autarca afirmou que a situação é motivo de preocupação desde o início do mandato, altura em que se apercebeu dos atrasos existentes na preparação e lançamento de vários projetos. “As obras estavam todas atrasadas. E estão todas atrasadas, ao dia de hoje”, afirmou Ricardo Araújo, acrescentando que encontrou empreitadas ainda por lançar e outras já em curso sem condições para cumprir os calendários exigidos pelo programa europeu.
Apesar das dificuldades, o presidente garante que o município está a concentrar esforços na procura de soluções. “O meu foco é ver como resolvo essas preocupações”, sublinhou, destacando o trabalho desenvolvido em conjunto com os serviços municipais e os empreiteiros para acelerar a execução das obras.
Questionado sobre notícias que apontam para pressões das autarquias sobre as empresas de construção para evitarem férias durante o verão, Ricardo Araújo afastou essa possibilidade, esclarecendo que o que tem sido solicitado é um esforço adicional das empresas para acelerar os trabalhos e cumprir os prazos estabelecidos.
O autarca revelou ainda que, desde o início, nunca acreditou numa nova extensão dos prazos do PRR. “Sempre disse que tínhamos de trabalhar para tentar cumprir com este prazo que conhecemos, o de agosto”, afirmou.
Entre os projetos que enfrentam maiores dificuldades está a requalificação da Escola de Pevidém. Segundo Ricardo Araújo, “já sabemos ao dia de hoje que não tem possibilidade nenhuma de cumprir com o prazo que estava previsto no PRR”, motivo pelo qual a Câmara está a solicitar ao Governo a criação de mecanismos alternativos de financiamento.
O município está a negociar com o Governo a reprogramação de verbas entre diferentes projetos e a transferir financiamento de obras mais atrasadas para outras com maior grau de execução. O objetivo é minimizar o risco de perda de fundos europeus. “Estamos a definir prioridades e a realocar algum financiamento de algumas obras para outras que estão em fase mais avançada”, explicou.
A situação é particularmente grave no caso dos centros de saúde, onde a autarquia está a monitorizar a evolução de cada intervenção para avaliar a possibilidade de reprogramação das verbas atribuídas.
Ricardo Araújo salientou ainda o forte esforço financeiro assumido pelo município na concretização destes investimentos. Segundo revelou, estão atualmente em curso obras financiadas pelo PRR num valor global próximo dos 60 milhões de euros, sendo que cerca de metade desse montante é suportado diretamente pelo orçamento municipal.
“Temos obras com financiamento do PRR, mas com um esforço do Orçamento Municipal muito relevante. Estamos a falar de cerca de 60 milhões de euros de obras em curso, em que aproximadamente 50% correspondem a investimento da Câmara Municipal”, referiu.
O presidente concluiu garantindo que a execução dos projetos financiados pelo PRR constitui uma das principais prioridades do executivo. “É um trabalho muito exigente, mas o que eu quero dizer é que, de facto, estamos muito focados na sua execução”, garantiu.





