QUE TEMPOS SÃO ESSES EM QUE TEMOS DE DEFENDER O ÓBVIO?

por ANA AMÉLIA GUIMARÃES
Professora

1.Que tempos são esses em que temos que defender o óbvio?

A conhecida pergunta atribuída ao dramaturgo e poeta alemão Bertolt Brecht ganha, desgraçadamente, nestes “tempos interessantes” em que vivemos, uma renovada acutilância.
Valores e direitos fundamentais são escarnecidos e tomados como entraves à justiça e à vida em comunidade. No Observador, Nuno Gonçalo Poças (para que não digam que só leio a informação do partido…) a propósito de uma medida de caracter jurídico que certa direita queria fazer aprovar, escreveu que «Explicar a um povo zangado com as suas elites, indiferente à política, focado no sensacionalismo e no voyeurismo jornalístico, que é possível aperfeiçoar o ordenamento jurídico sem ofender princípios básicos de civilização, é difícil.».
É difícil mas é uma tarefa em que todos os democratas devem militar. Acredito no meu país, não somos bárbaros nem estúpidos.

2. Há sempre alguém que resiste.

Escrevo estas palavras na sequência da visita que fiz à exposição-performance que se realizou no Centro para os Assuntos da Arte e Arquitetura (CAAA), no passado sábado. AROMALHO, assim se chama a iniciativa, conclui o primeiro workshop de serigrafia na «oficina» recentemente instalada no CAAA, com exposição dos trabalhos daí resultantes. ‘Aromalho’ abriu com a operacionalidade da nova Oficina de Serigrafia que, como dizem os organizadores, nasceu com “a vontade de problematizar a imagem social partindo da noção de catástrofe, não como final dos tempos, mas como um presente conturbado e insuportável.”. Aromalho é de igual forma um acontecimento em forma de celebração, pelo trabalho e perseverança do fazer coletivo.
Não vou revelar o teor da exposição para que a sua «energia» não se perca nestas palavras. Convido-vos, sim, a visitar Aromalho e, o melhor de tudo, a aprender serigrafia e a imprimir o que fazem.
Falo desta exposição também com o sentimento da necessidade em dar visibilidade a um projeto criativo, de intervenção pública, de um artista que, pela singularidade e ousadia, tem dado à vida cultural da cidade um contributo inestimável. Falo de Max Fernandes, e da «célula» criativa que consegue dinamizar. Max é um artista vimaranense que escolheu ficar cá. Trabalha como artista intensamente e sem concessões.
Onde é hoje o parque Camões, Max Fernandes e Filipa Araújo dinamizaram um atelier/galeria que produziu exposições, filmes, performances, debates, assembleias populares… Sem apoios, respigando aqui e ali materiais, reciclando, aproveitando tudo, criando espaços de resistência à usura, à exploração, ao ódio.

3. E este domingo, 8 de Março, dia Internacional da Mulher, todos os caminhos vão dar à Manifestação Nacional de Mulheres, na Praça dos Restauradores, em Lisboa. Ainda há muito por que lutar.

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