Quebra de vendas no Natal chega aos 50%. “Esperámos que muitos ainda façam compras de última hora”
"Aas pessoas estão a preferir levar artigos mais baratos, em vez de optarem por artigos com mais qualidade", sustenta uma comerciante.

compras natal
“As vendas estão fracas” e “o poder de compra diminuiu”. São estas as opiniões partilhadas por comerciantes da feira semanal de Guimarães e do comércio tradicional. Apesar de praticarem os seus negócios em contextos distintos, dizem estar dependentes de fatores comuns: o mau tempo que impede as pessoas de saírem à rua para comprar e, sobretudo, a falta de poder económico. Os centros comerciais são, para ambos os comerciantes, o principal concorrente.

Na banca de Maria reinam os cachecóis, gorros e guarda-chuvas. Artigos essenciais para a estação em que nos encontramos, que costumavam colher mais atenção do consumidor e que, agora, registam quebras de venda na ordem dos 50%. Ao Mais Guimarães, a feirante garante que nesta altura de Natal vende “mais um bocadinho”, mas “nada comparado com aquilo que vendia há uns anos atrás”.
A mesma tendência decrescente é acompanhada pelo negócio de Lázaro. Muitos são os que param para observar as dezenas de malas expostas, mas poucos efetivamente chegam a comprá-las. “Não se vê ninguém e há dias que até arrumamos mais cedo. O mau tempo não nos tem ajudado”, começou por contar, acrescentando que “se o negócio não melhorar, a solução é desistir”.
“Não podemos trabalhar para aquecer. Temos despesas para pagar. A solução é desistir e pedir o rendimento mínimo. A minha esperança é que as pessoas deixem de comprar o mais caro e venham comprar o mais barato”, disse ainda.
Também Amélia Alves tinha esperança de que as vendas de Natal dessem um novo fulgor ao seu negócio de venda de pijamas e roupa interior. Com quebra na ordem dos 60%, este Natal, garante que “o futuro é imprevisível”, mas diz não ter dúvidas que o negócio termina na sua geração.
“As vendas estão muito fracas. O pessoal corre mais para os centros comerciais do que para as feiras. O poder de compra diminuiu muito”, disse Luísa Silva ao Mais Guimarães. A seu ver, ainda que os consumidores saibam que na feira é bastante mais barato, preferem o conforto dos centros comerciais.
A mesma opinião é suportada por uma das compradoras com quem nos cruzamos no mesmo local. “Aqui os preços estão acessíveis”, começou por dizer, acrescentando que “não vale a pena sairmos para gastar mais do que aquilo que temos”. “Vim aqui para comprar mesmo aquilo que preciso e vai ficar para o lado aquilo que é menos importante”.

Artigos mais baratos vendem-se mais que o habitual
“Este ano, nota-se que as pessoas não têm tanto poder de compra. Vai-se vendendo, mas não se notam as vendas de Natal. Habitualmente, duplicávamos ou triplicávamos as vendas e este ano isso não acontece”, elucidou uma das comerciantes da rua Santo António, admitindo quebras de 50%.
A sua vasta experiência diz-lhe que “as pessoas estão a preferir levar artigos mais baratos, em vez de optarem por artigos com mais qualidade”. Pelo contrário, entram na loja à espera de saldos e procuram sempre o preço mais baixo. “Nota-se que ficam a olhar para os artigos e que gostam, mas pensam bem antes de comprar”, acrescentou.
“Estamos a 23 de dezembro, um dia sem chuva. Contávamos com muito mais adesão. Esperámos que muitos ainda façam compras de última hora”, disse ainda.

Relativamente às iniciativas do Guimarães Cidade Natal, a comerciante critica o facto de “serem muito centradas no largo do Toural, alameda São Dâmaso e largo Condessa do Juncal”.
Na loja vizinha, a realidade é bem diferente. Vendem-se artigos com preço mais baixo, que têm tido uma procura maior do que o habitual. “Tenho vendido o mesmo ou até mais”, confessou a proprietária. “Está a ser um bom ano para a loja. Alguns clientes que nos anos passados levavam cinco artigos, hoje levam seis ou sete. Pode ser por esta ser uma prenda económica”, justificou.
No que ao corte de trânsito diz respeito, a comerciante defende que “a experiência tem que ser feita”, apesar de preferir manter a passagem automóvel.
“Já presenciei obras nesta rua de quase um ano. Pensamos que ia ser mau e, afinal, revelou-se um bom ano. Trabalhamos muito bem. Temos de ver para crer e não podemos falar daquilo que não sabemos”, sustentou.

Por sua vez, José Faria, proprietário da Polo Moda, defende o corte ao trânsito desde o início, desde que este seja acompanhado de “ruas bonitas e apelativas”.
A seu ver, se Guimarães seguisse o exemplo de outras cidades como Barcelona, Madrid ou Milão, o comércio tradicional “só tinha a ganhar”. “Tenho 52 anos de rua e sou a favor de fechar”, admitiu.
No que às vendas diz respeito, confirma que “há menos vendas este Natal, mas como sempre é preciso estar atento e atender os clientes o melhor possível”. Na sua perspetiva, o atendimento é o verdadeiro fator diferenciador deste tipo de comércio. “Não há dúvidas de que o nosso atendimento é superior. Gostamos mais do cliente. Aqui, não é “pega e anda””, exemplificou.





