Recordar… o Vitória #23

Por Vasco André Rodrigues,
Advogado e fundador do projeto ‘Economia do Golo’

Guimarães… década de 80!

Pimenta Machado preside ao clube e consegue formar um conjunto de excepção. Entre esses homens, que se tornaram parte da memória colectiva de todos os vitorianos, está um que, apesar de só ter actuado com a Branquinha duas temporadas, entrou na eternidade.

Falamos de Paulinho Cascavel, o goleador que tantas alegrias deu aos vitorianos, do mais pequeno ao mais graúdo! Quantas crianças por aqueles dias, entravam nos barbeiros, e pediam um “corte de cabelo à Cascavel”? Ou, nas escolas da cidade, queriam jogam a ponta de lança, para tentar imitar os feitos de um homem que fazia do golo o seu cartão de visita.

A história da sua chegada ao Vitória, entrecruza-se com a de Best, na altura, guardião promissor da equipa de juniores. Auguravam-lhe um futuro radioso. Dotados de bons dotes para as balizas, chegaria a internacional jovem. A sua fama chegou ao Porto, que, avançou para negociações tendentes à sua contratação. Como moeda de troca, os Conquistadores não hesitaram. Queriam o avançado brasileiro da equipa principal e que estava encostado pelo Bibota d’Ouro, Fernando Gomes. Era Paulinho Cascavel.

Estávamos na temporada de 1984/85. Com o saudoso António Morais ao leme da nau vitoriana, o avançado seria, imediatamente, arrebatador, mostrando que a troca realizada tinha sido vantajosa… para quem o recebera! Os seus golos ajudaram o Vitória a conquistar o quarto posto, o que significou um lugar europeu, a praticar um futebol de eleição e a ser reputado de uma das melhores equipas nacionais. Para isso muito contribuíram os 25 golos apontados pelo brasileiro, que surpreendia Portugal, que já o houvera catalogado como mais um sul-americano incapaz de se afirmar no futebol europeu. Além disso, haveria de vencer o prémio Adidas, destinado a galardoar o jogador que mais vezes fora o melhor em campo durante o campeonato.

O melhor viria, contudo, na temporada seguinte. Aliás, aquela temporada de 1986/87, em Guimarães, ainda hoje é recordada com saudade. O Vitória, a Cascavel, conseguiu juntar um mago da bola, também ele inesquecível, de nome Ademir Alcântara.

Era o parceiro ideal para as inúmeras tropelias ofensivas que aí vinham. Treinados por Marinho Peres, os vitorianos fariam campanha de excepção, sendo, apenas, derrotados por três vezes no campeonato (os dois jogos perante o Benfica e no ocaso da prova, em casa, frente ao Belenenses). Acabariam a prova no terceiro posto, depois de alguns empates na parte final da temporada, que impediram que atingissem o Olimpo… aquele título que todos nós sonhamos que um dia chegará!

Além disso, a cereja no topo do bolo com a chegada aos quartos de final da Taça UEFA, num percurso onde constou a eliminação de alguns colossos do futebol europeu como Sparta de Praga, o Atlético de Madrid e, por fim, o Groningen.

O sonho, contudo, morreria na Alemanha, na neve de Monchengladbach, nos quartos de final da prova. Paulinho, esse, seria pela primeira vez o melhor marcador do campeonato com 25 golos. Para além disso, marcou golos em todas as eliminatórias europeias, com lugar especial na memória para os dois golos de antologia apontados ao Sparta de Praga, que viraram a eliminatória e levaram à loucura os mais de 30 mil vitorianos que lotavam o, na altura, Estádio Municipal.

Ao contrário de há dois anos atrás onde fora negociado como peso morto, agora, era desejado… seduzido por meio mundo! A aposta de Pimenta Machado, além dos golos, iria render dinheiro! Haveria de partir rumo ao Sporting, sem contudo, abandonar Guimarães, terra onde nasceu a sua filha Vitória (como não poderia deixar de ser) e onde Guilherme, o seu filho varão, tentou imitar os feitos do pai. Quanto a Paulinho, ainda hoje aterroriza pobres guardiões adversários na equipa de Veteranos dos Conquistadores…

©2021 MAIS GUIMARÃES - Super8

Publicidade

Fazer login com suas credenciais

Esqueceu sua senha?