Recordar… o Vitória #24

Por Vasco André Rodrigues,
Advogado e fundador do projeto ‘Economia do Golo’

O inolvidável homem dos croissants… aquele que, como disse um dia Quinito, seu treinador na altura, se tivesse dinheiro comprá-lo-ia para o colocar a jogar no seu jardim!

Para se deleitar com aqueles pormenores mágicos… a técnica apurada… os remates poderosos… a finta curta e sublime!

Nem sempre quem chegou a Guimarães com rótulo de estrela foi quem teve mais êxito, deixou mais saudades! Pelo contrário, como tantas vezes na vida ocorre, o melhor veio de onde menos se esperava… a melhor casta não surgiu da vinha premiada!

Falamos de Pedro Barbosa, que chegou a Guimarães como sendo, simplesmente, o Pedro que vinha do Freamunde, onde dera nas vistas, depois de nas camadas jovens ter sido atleta do FC Porto.

Um talento como tantos outros para limar, para, se tivesse capacidade para isso, se ir afirmando, dar-se a conhecer ao futebol português. Em resumo, um jovem como tantos outros!

Porém, desde aquela pré-época da temporada de 1991/92, os vitorianos sentiram que estavam perante um jogador diferente, que se distinguia dos demais. Fosse pela sua qualidade técnica superlativa, fosse pelo modo pesado como se movia em campo ainda que dotado de um arranque avassalador, fosse pelos momentos de mau feitio que lhe causariam algumas expulsões numa época que culminaria em apuramento europeu. Havia talento, alguma inexperiência e muita curiosidade para continuar a assistir à progressão de um jovem que demonstrara poder ser alguém no futebol com a camisola de El-Rei Fundador vestida!




A segunda temporada seria a mais difícil e a mais proveitosa para Pedro. A cumprir o serviço militar não poderia dar um contributo a 100% a uma equipa que, nessa temporada, haveria de jogar nas competições europeias. Acresce, ainda, o facto da instabilidade competitiva vivida, que atirou os vitorianos para lugares pouco condizentes ao seu estatuto. Porém, no meio dessas dificuldades, numa equipa que, muito cedo, ficou sem Dane, outro mágico, o jovem militar andou com a equipa às costas! Seriam os seus golos, muitos deles espetaculares como o apontado frente à Real Sociedad em gloriosa noite europeia, as suas assistências, a ajudar os Conquistadores a manterem-se à tona num ano adverso. Aliás, a qualidade do jogador evidenciou-se tanto que nessa época haveria de estrear-se na selecção portuguesa, num desafio particular contra a Bulgária. Dois escassos minutos que fizeram que entrasse na história como mais um internacional vitoriano.

A temporada seguinte seria muito similar à anterior. Com Bernardino Pedroto ao leme, os Conquistadores soçobrariam nos objectivos europeus nas últimas rondas. Porém, na equipa continuaria a destacar-se o jogador, verdadeiro motor ofensivo da equipa e determinante em tantos momentos.

Como olvidar aquele estupendo golo ao Boavista do meio da rua, que deixou Alfredo sem qualquer reacção? Ou os dribles que colocava meia equipa adversária atrás de si?

Era cada vez mais cobiçado, desejado por outros emblemas com maiores possibilidade económicas. Por essa razão, a temporada de 1994/95 seria a última de Rei ao peito. Com Quinito a comandar as tropas seria amor à primeira vista. Poesia no banco dos suplentes, pincelada de talento em campo, numa equipa que compunha verdadeiras odes de bom futebol em campo. Entre esses solistas qualificados, Pedro, que já era Barbosa, para distinguir do Martins que jogava a médio defensivo, dava cartas! Era a nota mais afinada de uma equipa que espalhava classe! O talento mais inebriante de uma máquina ofensiva que estrançalhava a maioria dos adversários!

Teria, talvez, um dos seus momentos mais icónicos, por estas alturas, ainda que não fosse com a Branquinha vestida, mas sim com as quinas. Quem poderá esquecer aquele remate em arco no Phillips Stadion, de Eindhoven, a bater o guardião da laranja mecânica, De Goey, para um dos mais belos golos da história da equipa de Todos Nós? Aliás, esse estilo de remate acompanhá-lo-ia ao longo da sua carreira, numa deliciosa imagem de marca que aterrorizava os guarda-redes!

Partiria rumo ao Sporting, no final da temporada, juntamente com o outro Pedro, a troco de bom dinheiro e jogadores como Capucho, Edinho ou Ramires. A sua missão? Substituir um homem que viria a ser o melhor jogador do mundo, Luís Figo. Ou seja, uma tarefa impossível! Conseguiria algo que o lendário 7 jamais conseguiu: ser capitão de equipa e ser campeão nacional!

Mas, porém, essa história começaria em Guimarães… quando, apesar do amor à pastelaria francesa, entrava em campo para nos apaixonar pelas pinceladas que criava no campo… um artista não precisa sempre de ser eficaz, basta extasiar-nos!

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