Recordar… o Vitória #28

Por Vasco André Rodrigues,
Advogado e fundador do projeto ‘Economia do Golo’

Os guarda redes…

Verdadeiros baluartes das alegrias dos clubes com os seus voos, as suas estiradas felinas, os seus milagres sob a forma de defesa, as suas palmadas que valeram pontos.

No Vitória, desde sempre, que as histórias se escrevem com o nome de homens que deixaram a sua marca, aliada à sua agilidade e reflexos.

Falemos do tempo dos pioneiros… aqueles anos em que o Vitória dava os primeiros passos no escalão principal do futebol português e que na baliza dois homens asseguravam a inviolabilidade das redes. Falamos de Machado, pai do treinador Manuel Machado, e de Ricoca, dois atletas capazes de garantir um lugar ao Vitória na sua primeira final da Taça de Portugal da sua história.

Na década de 50 do século passado, destacou-se Silva, vindo do Gil Vicente, e dono das redes do nosso clube durante toda essa década.

Os anos 60 seriam, praticamente, um feudo de um homem. Mário Roldão, proveniente do Leixões, e que ocuparia as redes Conquistadoras durante oito temporadas, foi quem defendeu as redes nos primeiros jogos das competições europeias pelo Vitória.

No final da década de 60, apareceria um jovem que seria o dono das redes do clube nos anos seguintes. Francisco Rodrigues, que, praticamente, foi o nome indissociável das redes da equipa de El Rei D. Afonso durante a década de 70. O alentejano, natural de Évora, realizou quase duzentos desafios no comando da defesa vitoriana, sempre a alto nível e com uma capacidade a merecer destaque.

O início da década de 80 traria dois nomes lendários do futebol português. Melo, que foi um nome a merecer realce pela sua tranquilidade nas redes, e Vítor Damas, o denominado “Eusébio Branco das Balizas”, que depois de abandonar o Sporting, para tentar a aventura espanhola no Racing Santander, regressaria à Lusa Pátria, pela porta do Vitória. As suas qualidades, ainda, hoje são recordadas, não estivéssemos a falar de um dos melhores praticantes na sua posição de toda a história do futebol português.

A temporada de 1981/82 traria um dos guardiões mais amados da história do futebol vitoriano. António Jesus que, durante dois períodos, defenderia as redes vitorianas por 253 jogos. Era o guarda-redes de elástico, que apesar da diminuta estatura conseguia chegar a todos os lados da baliza e ser o verdadeiro “cardiologista” de milhares vitorianos.

Outro nome, relevante destes anos foi Neno. O guardião que, veio do Benfica, e que se apaixonou pela causa vitoriana, ainda, desempenhando funções no clube. O cabo-verdiano fazia milagres entre os postes, ainda que, por vezes, demonstrasse algumas dificuldades nas saídas aos cruzamentos.

Depois destes chegaria a vez de Madureira, mas, também, do brasileiro Zé Carlos e de um jovem chamado Nuno Espírito Santo, que, no pouco tempo, que actuou na equipa demonstrou qualidades que o catapultaram para a Liga espanhola, para o Deportivo da Coruña.

De enfiada, chegaria um homem do Salgueiros, que, tal como Jesus, vestiria a camisola das Quinas, enquanto jogador do Vitória. Pedro Espinha, proveniente do Salgueiros, era a segurança e tranquilidade em pessoal capaz de simplificar todos os momentos do jogo.

A seguir, viria um francês, que, ainda, hoje é visto a acompanhar os jogos do Vitória. Jerôme Palatsi, chegado do Beira-Mar, seria um keeper apaixonado, frenético, de reflexos apurados e capaz de marcar um golo de baliza a baliza em Moreira de Cónegos.

Nilson seria o homem que se seguiria. Apesar de ter sido o guardião do fatídico ano da descida ao inferno, o brasileiro haveria de entrar na história e no coração dos vitorianos pelos anos seguintes cheio de boas intervenções e momentos decisivos.

Enquanto Nilson brilhava, chegou o último nome marcantes desta saga das balizas vitorianas. Douglas de Jesus, actual dono das redes vitorianas, homem que terá sempre o seu nome ligado à conquista da Taça de Portugal de 2013.

O passado foi brilhante…. agora, que Douglas, fruto da idade, irá ceder o seu posto a outro nome, que se espera que prossiga a senda de memoráveis guardiões do templo. Será a vez de Miguel Silva?

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