Recordar… o Vitória #3

Por Vasco André Rodrigues,
advogado e fundador do projeto ‘Economia do Golo’

SOL E SOMBRA NA RADIOGRAFIA DE UM TALENTO – O TÍTULO DE JUNIORES!

Ele era luz… quando pegava na bola, colada ao pé esquerdo e progredia imparável campo fora para uma assistência maravilhosa!

Ele era ocaso… quando parecia desaparecer do jogo, ou quando esperavam dele, o que aos 18 anos, ainda não podia dar!

Era a esperança… de bater os mais fortes clubes nacionais e levar o Vitória rumo ao apogeu no campeonato nacional de juniores, naquela temporada de 1990/91!

Era o receio… o receio de todo aquele vertiginoso talento ser ceifado à margem das leis, por um adversário incapaz de compreender a arte de um número 10 à moda antiga!

Era a justiça… a justiça de ser considerado a estrela maior de uma equipa, formada para vencer, mas que todos sabiam que aquele era os mais aproximava do sonho… do grande sonho!

Era a injustiça… de em ano de campeonato do mundo de sub-20, disputado no nosso país, não merecer a honra de estar nos magníficos que haveriam de fazer um país andar com eles ao colo!

Era a certeza… quando, após o maior feito até então dos Conquistadores, entrou de caras na equipa sénior, como a estrela!

Era desilusão… nesse jogo, o último da temporada, os Branquinhos foram goleados por cinco golos sem resposta nas antigas Antas e o jovem não conseguiu, nem sequer, um lance da sua lavra… da sua magia!

É Geani… talvez uma das maiores estrelas de sempre saídas da formação vitoriana!

O capitão de uma equipa que colocou Guimarães a sonhar e ousou esbater os emblemas mais titulados do país.

Numa prova, cuja fase final foi disputada por eliminatórias, o golo do número 10 da equipa, de livre, frente ao Benfica colocou os jovens Conquistadores numa final, frente ao Sporting, em Mira d’Aire.

Aí, os meninos de branco foram imensos… no querer, na perseverança, no esforço!

O que dizer dos milagres do guardião Zé Lourenço, que segurou o jogo durante 120 minutos e no desempate por grandes penalidades foi herói?
Ou, dos centrais Cerqueira, Aníbal e Miguel que seguraram o jogo à italiana?

Ou de David, que secou um tal de Luís Figo, que estava prestes a descolar para uma carreira que o levou a melhor do mundo?

Ou de Sérgio Lomba, um dos únicos a conseguir jogar na liga principal e que ajudou no fortim vitoriano?

Ou, os médios Joni e Rui, sempre prontos a lançar os avançados Toni e Armando Evangelista (esse mesmo!) que, em manhã infeliz, não conseguiram fazer estourar os foguetes da glória mais depressa?

Contudo, estava escrito.

No Vitória é sempre com sacrifício e medos…Haveria de o ser nos penalties, mesmo quando o Sporting falhou um que lhe daria o título!

A festa, essa, continuaria noite dentro por Guimarães! Com o estádio, aberto de propósito, para receber os milhares que queriam aclamar os jovens heróis que, treinados pelo professor Manuel Machado tinham tocado o Olimpo!

Ironia das ironias… passado um mês começaria o mundial do escalão e nem um mereceria a distinção de integrar as Quinas… sortilégios de fenómenos estranhos do futebol português.

Porém, o título ficou na sala de troféus dos Branquinhos… e o perfume de uma das maiores estrelas da formação do Vitória tornou-se inesquecível para quem dele desfrutou!

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