Recordar… o Vitória #36

Por Vasco André Rodrigues, Advogado e fundador do projeto ‘Economia do Golo’

Ao lado da Escola Secundária Francisco de Holanda existe uma pequena pastelaria. Local de passagem dos inúmeros estudantes que calcorrearam aqueles bancos de escola, local de amizades, de convívo de adolescentes a descobrirem a essência da vida.

Nas paredes da mesma, as fotografias da vida futebolística de um dos melhores laterais esquerdos da história do Vitória: Firmino Baleizão da Graça Sardinha!

Quem? Sim, sabemos, que por esse nome, muito dificilmente lá chegarão. Mas, se falarmos em Osvaldinho, o alentejano que se tornou vimaranense pelos muitos anos passados em Guimarães, onde constituiu família e se tornou num de nós? Aí, provavelmente, já todos saberão de quem falamos.

Osvaldinho será um daqueles casos de sucesso, como muitos outros que o Vitória revelou. Formado e descoberto num clube de menor dimensão do que o Vitória, o Desportivo de Beja (localidade de onde é natural), explodiria em Guimarães, até chegar a internacional A, numa clara demonstração da capacidade do nosso clube em exponenciar talentos, numa época em que nada era tão fácil como a de hoje.

Chegado a Guimarães no longínquo ano de 1964, com apenas 18 anos, por indicação de um comerciante alentejano com fortes ligações ao Norte do país, viveu 11 temporadas de Rei ao Peito, entre essa de 1964/65 e a de 1977/78, entrecortadas por um empréstimo ao Boavista (fruto da Lei Militar, já que estava a cumprir o serviço militar obrigatório) e pelo destacamento para a Guerra Colonial em São Tomé e Príncipe, onde, por essa razão, actuou no Benfica de São Tomé e Príncipe por duas estações, bem, como, ainda, pelos créditos já acumulados, foi treinador de uma equipa.

Por essas razões, só a partir da temporada de 1969/70 se afirmaria como pedra de toque do Vitória. Primeiro no meio campo, onde podia fazer uso do seu fortíssimo pontapé, e depois a lateral esquerdo, onde o seu pulmão inesgotável o fazia percorrer aquela ala sempre na mesma rotação, sempre na mesma vertigem!

Porém, seria, ainda, como médio centro que se estrearia em jogos uefeiros, na segunda presença europeia de sempre da equipa vitoriana, na época de 1970/71. Primeiro perante os franceses do Angoulême e depois perante os escoceses do Hibernian, o Velho Continente assistiu à qualidade de uma equipa que queria afirmar-se em todos os panoramas!

No ano seguinte chegaria o homem que lhe mudaria a vida… o treinador mais marcante do Vitória na década de 70, Mário Wilson e que resolveria apostar em Osvaldinho a defesa esquerdo. A aposta foi um tremendo êxito. O jogador afirmou-se de modo tão contundente, que durante seis anos aquela posição esteve reservada. Não era de mais ninguém, era do alentejano que tinha aquele lugar como seu.

Aliás, possuía tanta e irrefutável qualidade, que José Maria Pedroto, na altura portador de um ódio figadal a Wilson, viu-se na contingência de convocar, na altura, o melhor lateral esquerdo português e cobiçado pelos três emblemas mais cobiçados do país para a Selecção de Todos Nós. Cumpriria a sua estreia num jogo particular, em Novembro de 1974, frente à Suiça, para de imediato rumar à catedral do futebol, Wembley, para jogar contra a Inglaterra, num desafio em que a sobranceira imprensa inglesa mandou os adeptos levarem blocos de notas para não se perderem na contagem dos golos da selecção dos Três Leões. Contudo, acabariam imaculados! Em exibição de sublime rigor e eficácia, Portugal segurou, na altura, um extraordinário empate a zero, que soube a vitória…e o Vitória tinha mais um internacional na sua história!

Osvaldinho, esse, continuaria no Vitória até ao final da temporada de 1977/78, ano em que já seria muito pouco utilizado. Porém, até esse ano ainda sentira na pele as injustiças cometidas por um tal de António Garrido, que surripiou ao Vitória um apuramento europeu e uma Taça de Portugal, em dois dos mais dolorosos momentos da história quase centenária dos Branquinhos, que agora jogam vezes demais de preto e de cinzento para o epíteto continuar a ser ajustado.

No final dessa temporada rumaria ao Marítimo, para acabar a carreira no Gil Vicente, não sem antes ter sido merecedor de um jogo de homenagem organizado pelo Vitória. A receita desse desafio que deveria reverter para o jogador, seria, num gesto de pura generosidade, por este oferecida à CERCIGUI.

Depois disso, algumas experiências como treinador e o regresso a Guimarães, para assentar arraiais!

Agora, na sua pastelaria, partilha as suas histórias com quem sente prazer em ouvi-las… e como é bom sentirmos o fervor vitoriano de outros tempos, em outros momentos!

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