Recordar… o Vitória #38

Por Vasco André Rodrigues, Advogado e fundador do projeto ‘Economia do Golo’

Um daqueles cuja pele é indissociável à camisola.

António José Pereira Carvalho, nascido em 1960, será um desses casos. Vimaranense de boa cepa, vitoriano de coração!

Apaixonado por futebol, entraria cedo para os escalões de formação dos branquinhos. O sonho esse era de todas as crianças: chegar aos seniores do seu clube, entrar no, então, Municipal com a camisola que tem o Primeiro Rei junto ao peito.

Por essa razão encetaria esse percurso, perseguindo esse sonho… esse desejo, que o fazia percorrer a zona medular das equipas jovens vitorianas, encher o campo com um pulmão inesgotável e, ainda, procurar tempo e espaço para visar as redes contrárias. Um médio todo-terreno, em suma, que se estrearia quase menino no escalão máximo do Vitória, sob a mão do argentino Mário Imbelloni. Carvalho tinha 19 anos, e aqueles 7 minutos num empate a um frente ao Marítimo, seriam o que retiraria do primeiro dos 178 desafios que realizaria com a camisola dos Conquistadores. Esse seria o primeiro dos quatro desafios disputados nessa temporada, seguindo-se os seis da época seguinte.

Apesar das qualidades demonstradas e do largo futuro que lhe era augurado, acabaria dispensado no final da temporada de 1980/81. Teria de mostrar o seu valor fora do Berço Pátrio! Consegui-lo-ia, a ponto de voltar a merecer que o Vitória desejasse resgatá-lo. Todavia, primeiro teria de actuar na Sanjoanense durante um ano, e dois quer no Salgueiros, quer no Portimonense, para se afirmar no panorama futebolístico nacional. Era um médio versátil, dotado de um pulmão inesgostável e capaz de deixar a pele em campo; ou seja, um homem que qualquer treinador gosta de contar nas suas equipas.

Por essa razão, aguçaria, novamente, o desejo do seu clube do coração contar com os seus serviços. Regressaria ao Vitória na temporada de 1986/87, para ser pedra fulcral numa das mais belas temporadas da história do clube. Sob o comando de Marinho Peres, os Conquistadores acabariam a temporada no terceiro posto, depois de andar a lutar pelo título nacional a temporada toda, e seriam capazes de chegar aos quartos de final da, então, Taça UEFA. Carvalho, esse, assumia-se como uma pedra fulcral na equipa, daqueles soldados qualificados que Marinho Peres nunca foi capaz de prescindir numa caminhada memorável.

A temporada seguinte não teria o mesmo nível de excelência a nível colectivo. Apesar do Vitória ter chegado à final da Taça de Portugal, tendo-a perdido para o FC Porto, essa temporada seria pautada pelo “coração nas mãos. O clube salvar-se-ia à justa da despromoção, acrescida pela polémica da inscrição de N’Dinga. Porém, a mesma traria boas recordações a nível individual ao jogador. Desde logo, por se ter tornado internacional português, no célebre desafio, em San Siro, em que a selecção das Quinas entrou com seis vitorianos para olhar de frente a temível Squadra Azzurra. Seria a primeira de duas internacionalizações, tendo sido a seguinte no jogo em Malta, onde entraria perto do final da contenda. Além disso, o encontro com a história do estádio em que tantas vezes sonhara entrar. Relembramos, pois, o desafio de inauguração da iluminação artificial do, já, estádio do Vitória, em que Carvalho apontou o único golo desse jogo de festa frente ao Rio Ave.

No ano seguinte, mais um episódio para entrar na história. Carvalho terá para sempre lugar na eternidade vitoriana. Seria o primeiro capitão de uma equipa sénior do nosso clube a levantar um troféu nacional. Referimo-nos à Supertaça Cândido Oliveira, que os Branquinhos venceram frente ao FC Porto, depois de baterem os azuis e brancos por duas bolas a zero, com golos de Décio António e N’Dinga, para segurarem a vantagem nas Antas. A fotografia do, então, capitão vitoriano com a Taça tão desejada por todos, faz parte da história e da memória colectiva dos vitorianos.

Viveria mais duas temporadas com o Rei ao peito. Sob o comando de Paulo Autuori conseguiria ajudar a mais uma temporada memorável para os vitorianos. Culminaria num quarto posto e … num balde de água fria, naquela tarde de Maio, plena de calor, em que os sonhos do regresso ao Jamor, morreram aos pés de um tal de Basaúla…ainda, para mais jogador que pertencia ao Vitória.

A temporada de 1990/91 seria a derradeira do atleta no Vitória… uma época atribulada que começaria com um estágio atribulado no Rio Janeiro e contaria com três treinadores. No final da temporada, Carvalho partiria para a última época da sua carreira em Paços de Ferreira.

Haveria de voltar ao Vitória, para desempenhar funções nos juniores do clube, daí partindo para encetar a sua carreira de treinador. Porém, o seu coração, esse, estará sempre ligado ao Vitória, clube que, para além de ser adepto, tem um lugar na sua história: o primeiro capitão a erguer um título sénior no futebol!

©2020 MAIS GUIMARÃES - Super8

Fazer login com suas credenciais

Esqueceu sua senha?