Recordar… o Vitória #41

Por Vasco André Rodrigues, Advogado e fundador do projeto ‘Economia do Golo’

Nos últimos dias fomos sacudidos com uma brutal notícia, daquelas que ninguém quer receber.

Apesar de sabermos que a morte é uma decorrência da vida, nunca estamos preparados para o choque da informação de alguém que nos é querido, que aprendemos a admirar, ter partido.

Foi o caso de Basílio, que aos 54 anos nos deixou…demasiado cedo e com tanto para partilhar!

O sonho vitoriano, de todos nós, que se tornou em realidade… era assim que o antigo lateral poderia ser definido!

Vimaranense de boa cepa e por decorrência vitoriano dos bons, entraria nas escolinhas dos Conquistadores influenciado pelo seu irmão mais velho Miguel, também, ele central de sublimes capacidades, que o faria ser transferido para o Sporting e chegar a internacional A.

O jovem Basílio não chegaria a tanto…decerto nem com isso sonharia! O seu desejo mais profundo era, no fundo, igual a todos nós que ocupamos as bancadas do D.Afonso Henriques. Poder vestir a camisola branca, dar tudo por ela, até morrer se for preciso, para aquele sentimento de presença flamejar no coração…o amor tornado real, consumado, livre de influências petrarquistas!

Porém, esse amor não teria consumação imediata… como todas as histórias bonitas teria dois episódios intermédios, de tirocínio, no Famalicão e no Lixa.

Porém, voltaria rumo ao seu berço…o Berço da sua paixão, para, de imediato, fazer parte de uma equipa inesquecível! A de Seu Marinho! Com 20 anos, Basílio fez, apenas, 6 jogos, estreando-se logo na primeira jornada dessa temporada. Uma estreia de fogo, em Braga, frente ao eterno rival onde o menino não tremeu e que ajudou a uma saborosa vitória, graças a um golo do outro mundo de Adão.

Esse seria o primeiro de 201 desafios com a camisola que era, quase, a sua pele…aquele que todos sonhamos vestir, mas que, apenas, alguns, conseguem passar do sonho à realidade…que por “obras valorosas tornam-se representantes de uma fé, de um credo, de uma paixão!

Nessas 201 batalhas, travadas em 11 temporadas, como soldado de El Rei Afonso I, apenas, 1 golo. Estávamos na temporada 1992/93 e o lateral haveria de empatar a contenda, momentaneamente, a um, em Alvalade, frente ao Sporting. O Vitória haveria de ser desfeiteado por quatro bolas a uma, mas naquele momento Basílio terá cumprido a plenitude do seu amor: jogar pelo Vitória, dar a pele por ele e com um tiro certeiro sentir o inelutável êxtase do golo.

Continuaria no clube de todos nós até ao final da temporada de 1996/97, ainda que nesse exercício só tenha sido utilizado por uma vez. O sinal de uma despedida anunciada, apesar da sua relativa juventude.

Haveria de rumar ao Alentejo, a Campomaior, onde voltaria a saborear a desilusão que experimentara em 1988, quando entrou de branco para enfrentar o Dragão azul, na final da Taça de Portugal. Por duas vezes, como jogador, pisou o Jamor, por duas vezes não o deixaram sorrir!

Por fim, última paragem em Famalicão, para terminar a carreira no ano 2000.

Esperaria 4 anos para regressar a casa…à sua casa, como treinador adjunto de Manuel Machado, seu dilecto mestre e com o qual encetaria uma relação mais do que profissional. Porém, ainda antes disso, o professor haveria de partir, para Basílio ficar em Guimarães. Sempre disposto a ensinar, a ajudar os mestres que chegavam e a ficar ligado ao terceiro posto conquistado por Manuel Cajuda.

Em 2010/11, dar-se-ia o regresso de Manuel Machado. Basílio haveria com ele de chegar à final do Jamor, para se cumprir o velho ditado. Assim, não houve duas sem três e voltou a não sentir o sabor da vitória na prova rainha do futebol português.

O ano seguinte dar-se-ia algo marcante na carreira do vitoriano. Depois de Manuel Machado ter sido despedido após a eliminação frente ao Atlético de Madrid no playoff de apuramento para os grupos da Liga Europa, assumiria a equipa na transição para Rui Vitória. Seria treinador, na sua cadeira de sonho, do Vitória, ainda que por, apenas, um jogo. Os Conquistadores, apesar disso, seriam goleados em casa pelo Beira-Mar e a experiência acabaria por aí.

Basílio, esse, juntar-se-ia, novamente, a Manuel Machado para trilhar a aventura grega no Aris de Salónica e, posteriormente, no Nacional da Madeira onde fizeram um trabalho de excepção.

Regressaria a casa na temporada de 2017/18 para trabalhar no Moreirense, seguindo-se na pretérita temporada o seu último trabalho e logo como treinador principal no Caçadores das Taipas.

Basílio faleceu… mas, nunca terá feito tanto sentido dizer-se que os vitorianos não morrem, apenas mudam de bancada. Basílio estará a pairar a sofrer pelas cores que sempre amou! Saibamos lembrar e honrar toda a sua dedicação ao Rei…

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