Recordar… o Vitória #44

Por Vasco André Rodrigues, Advogado e fundador do projeto ‘Economia do Golo’

Uma família de Guimarães… vitoriana, como não poderia deixar de ser!

O pai fora guarda redes do clube nos anos 40, na altura do pioneirismo dos Branquinhos na alta roda do futebol português. António Machado de seu nome, do alto do seu 1,83m, seria o baluarte defensivo dos primeiros anos do Vitória na, então, Primeira Divisão. Aliás, seria peça tão fulcral nos Conquistadores que, durante 14 temporadas, seria o dono das redes do clube. Seria com ele que o Vitória, também, chegaria pela primeira vez à final da Taça de Portugal, num jogo em que os comandados de Alberto Augusto perderiam por duas bolas a zero frente ao Belenenses, em desafio disputado no Estádio do Lumiar, já que na altura ainda não houvera sido erigido o estádio do Jamor.

Até 1950 as redes do nosso clube seriam pertença de Machado que, desde menino, soube o que era o sentir vitoriano. Por isso, não foi de estranhar, que quando em 1955, nasceu o seu filho Manuel, o mesmo, desde cedo, fosse banhado na paixão ao Vitória. Dotado de capacidade para a prática do desporto e do exercício físico, contudo o seu primeiro desporto de eleição não seria o futebol, mas sim o andebol, e o seu primeiro emblema não seria o Vitória, mas sim o Desportivo Francisco de Holanda.

Porém, daí saltaria para os escalões de formação do Vitória SC, por essa altura, comandado por António Pimenta Machado que pretendia fazer uma verdadeira revolução na política de formação do clube. Desde logo, desejava criar o melhor centro de estágio e de formação do país, tendo como inspiração o de Milanello, casa do AC Milan. Mas, além disso, desejava criar uma base que permitisse fornecer a equipa sénior de bons valores. Tal nunca haveria de ser conseguido, mas a verdade é que o trabalho de homens como Emídio Magalhães e Manuel Machado haveriam de dar frutos. Tantos, que com este último ao leme o Vitória haveria de se sagrar campeão nacional de juniores, naquela inesquecível final frente ao Sporting, em 1991.

Posteriormente, haveria de subir à estrutura da equipa sénior como treinador adjunto. Chegaria mesmo a orientá-la quando Vítor Oliveira foi despedido e enquanto Jaime Pacheco não chegava.

Todavia, na altura, assistia-se ao advento das equipas satélites e os Branquinhos pareciam querer apostar nesse modelo para preparar os seus jovens talentos para o futuro. Por esta razão, depois de já ter estado um ano em Vila Real para regressar a Guimarães, abraçaria o projecto do Fafe, numa equipa que contava com nomes como Primo, Alex, Orlando, Flávio Meireles ou Ricardo Fernandes.

Estes seriam a base do seu primeiro grande sucesso, passados uns anos no Moreirense e já livres do vínculo ao Vitória. Conseguiriam fazer com que os Cónegos escalassem do terceiro ao primeiro escalão para, aí chegados, se manterem tranquilamente no convívio dos maiores emblemas do futebol português.

O treinador tornava-se um nome cobiçado… e bandeira de campanha de Vítor Magalhães, seu presidente em Moreira de Cónegos, para tentar ganhar as eleições no Vitória. Consegui-lo-ia e, por isso, regressava pela porta grande ao Vitória. Num ano de transição, difícil, enfrentou dúvidas e críticas, chegando mesmo a colocar o seu lugar à disposição, após a eliminação da Taça em Setúbal. Porém, haveria de partir, cumprindo o objectivo de deixar os Conquistadores na Europa, após tarde de glória e de estádio cheio frente ao Boavista.

Encetaria a partir daqui a sua caminhada pelo futebol português. Nacional da Madeira, Académica, Sporting de Braga e, novamente, Nacional.

Porém, o encanto da terra e do clube do coração haveria de permanecer. Sob a mão de Emílio Macedo da Silva regressaria ao Vitória, num ano onde os problemas financeiros começavam a surgir. Apesar disso, colocaria o Vitória, novamente, nas competições europeias e no Jamor, depois de 23 anos de ausência. Haveria de ser goleado, mas cumpriria novamente objectivos.

Porém, a época seguinte seria negra. Apesar de bater os dinamarqueses do Midtjylland na pré-eliminatória de apuramento da Liga Europa, calhar-lhe-ia em sorte, no play-off, o Atlético Madrid. Não obstante o bom jogo na capital espanhola, o Vitória seria derrotado por duas bolas a zero, ao que se seguiu a derrota caseira frente ao FC Porto na jornada inaugural do campeonato. Seria despedido, sendo substituído por Rui Vitória, ao qual acusou de falta de ética e de o ter traído.

Daqui rumou à Grécia, para voltar à Madeira, onde durante cinco anos, fez, talvez o seu melhor trabalho de fundo.

Actualmente, regressou ao Berço da nação… para treinar o Berço, do Campeonato de Portugal, num projecto ambicioso, mas que, segundo ele, poderá ser interrompido se o telefone tocar com uma proposta mais ambiciosa.

Mas… uma família vitoriana nunca largará o verdadeiro amor!

©2021 MAIS GUIMARÃES - Super8

Publicidade

Fazer login com suas credenciais

Esqueceu sua senha?