Recordar… o Vitória #51

Por Vasco André Rodrigues, Advogado e fundador do projeto ‘Economia do Golo’

Um ratinho atómico… Mágico número 10… imprevisível… tantos adjectivos foram utilizados para alcunhar Nuno Assis, um dos mais talentosos médios ofensivos que passaram pelo Vitória!

Além disso, uma daqueles homens que parecem ter bebido da “Água da Penha”, que segundo a lenda faz qualquer forasteiro perder-se de amores pela Cidade que é Berço da Nação e cá ficar a viver.

Na verdade, o genial jogador viveu sete temporadas no Vitória, divididas em três períodos distintos, mas sempre a merecer o aplauso, o carinho e o seu reconhecimento por tantos momentos de excelsa arte por parte da nossa exigente e conhecedora massa associativa.

O jogador chegou ao Vitória na temporada de 2001/02, como resultado da reestruturação levada a cabo no plantel por Augusto Inácio, e depois de ter representado o Gil Vicente, ainda que por empréstimo do Sporting.
Seria o primeiro passo de três épocas e meia em que se assumiu como um dos grandes talentos do futebol português, com golos, assistências e a chegada à selecção nacional em 2002, num desafio particular, frente à Escócia, disputado em Braga.

Essa primeira temporada ao serviço dos Conquistadores ficaria, também, marcada pelo seu primeiro golo de Rei ao Peito. Aconteceu frente ao Paços de Ferreira, num jogo que terminou empatado a uma bola.

Diga-se, contudo, que com Augusto Inácio ao leme, essa primeira caminhada, seria colectivamente medíocre. O Vitória não sairia dos lugares do meio da tabela e o génio do jogador sofrerias as sombras da desilusão do comportamento da equipa.

O melhor estava, pois, para vir!

Na temporada seguinte, aquela em que o Vitória actuou em Felgueiras, a crítica foi unânime: o melhor futebol do país jogava-se pela equipa dos Branquinhos. Um jogo inovador à data, com apenas 3 defesas, movimentações enleantes e sem a existência de um homem de área. Existiam, isso sim, diversos jogadores que, como resultado das suas movimentações, tanto poderiam aparecer a assistir como a finalizar, em momentos quase equiparáveis a arte. Entre eles, destacavam-se Pedro Mendes, Hugo Cunha, Romeu e Nuno Assis…o homem que, partindo detrás, causava desequilíbrios e turbulência nas defesas rivais!

Com tamanha qualidade, o seu nome passava a estar na lista de desejos de outros clubes.

Porém, não sairia de Guimarães… seria membro da equipa no ano seguinte, em que Augusto Inácio não resistiu à ditadura dos maus resultados e que Jorge Jesus conseguiu, in extremis, salvar o Vitória da despromoção. Dessa caminhada, destaque para dois momentos, dois golos, absolutamente decisivos: aqueles que garantiram as vitórias perante o Estrela da Amadora e em Alverca e que significaram seis saborosos pontos num caminho tortuoso e cheio de turbulência rumo à manutenção.

Na temporada seguinte, já com Manuel Machado ao leme, explodiria… golos, assistências, dribles, magia na ponta das botas e a contratação pelo Benfica de Trappatoni, onde seria pedra fundamental no título encarnado. Aliás, ironia das ironias, ao seu quinto jogo pelo clube de Lisboa apontaria um dos golos com que a sua equipa venceria o Vitória…uma pequena traição!

Porém, o seu génio ficaria sempre na memória dos vitorianos… os seus desequilíbrios estariam sempre presentes…

Deste modo, depois de perder influência nos lisboetas, o, então, presidente, Emílio Macedo da Silva não hesitaria. Seria com Nuno Assis que enfrentaria a Europa do futebol, que ousaria tentar reduzir as diferenças para os mais fortes. Tinham passado quatro anos e meio e Assis já não era o jovem inexperiente, que às vezes se perdia nas teias da sua propria criatividade! Era um jogador maduro, que aliava a técnica dos predestinados à experiência dos tarimbados, capaz de num golpe de asa mudar o rumo a um jogo.

Durante duas temporadas seria o Rei do Castelo…a figura maior dos Conquistadores…o mágico que todos os jovens desejavam apor o nome nas camisolas.

Foram dois anos ao som da sua música.. a nota melodiosa e dissonante de um Vitória que falhou, em ambos os exercícios, os seus objectivos! Primeiro com Cajuda no banco e depois com a dupla Nelo Vingada e Paulo Sérgio. Aliás, esta segunda temporada corresponderia à segunda vez que o genial jogador se despediria do D. Afonso Henriques. Num dia triste, de dois baldes de água gélida de Kléber, o Vitória perdeu o apuramento europeu para os maritimistas e Nuno partiria rumo à Arábia Saudita.

Estaria pouco tempo na terra dos petrodólares…uma única época!

Como não há duas sem três, voltaria a Guimarães, no início da temporada 2011/12. Aquela temporada em que Emílio Macedo da Silva resgatou-o a si, a Pedro Mendes e, ao que parece, tudo fez para contar, também, com Fernando Meira. O triunvirato não se uniria em campo, por Meira não se sentir em condições físicas para ajudar o Vitória, mas unir-se-ia fora dele numa sociedade de representação de jogadores de futebol que ainda hoje existe!

Era o primeiro sinal que o fim da carreira se avizinhava! Nesse ano, turbulento, que começou com Manuel Machado a ser despedido, que continuou com uma invasão ao campo de treinos por adeptos enfurecidos, que teve o seu apogeu na mudança directiva com a demissão de Emílio Macedo da Silva e que conheceu o triste desenlace no falhanço europeu e em inúmeros problemas financeiros que colocaram em perigo a solvência do clube, Nuno tentou ser o que sempre foi! Desequilibrador! Um escapista capaz de fugir pelo espaço mais improvável! Ainda marcaria 4 golos a juntar aos lances inesquecíveis, sendo o último na vitória por três bolas a uma frente ao Paços de Ferreira, no D. Afonso Henriques.

A 12 de Maio de 2012 faria o último jogo com a camisola do Vitória, para rumar ao Chipre, onde acabaria a carreira.

Voltaria a Guimarães para, com os seus sócios, apostar a sério na actividade de agenciamento de jogadores.

Porém, os momentos mágicos, esses, ficarão para sempre na memória de quem os presenciou!

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