Recordar… o Vitória #54

Por Vasco André Rodrigues, Advogado e fundador do projeto ‘Economia do Golo’

Foram, apenas, três temporadas de Rei ao peito.
Três épocas vividas numa intensidade trepidante, onde o inferno se conjugou com céu, onde a imaturidade passou a excelência, onde o menino se fez homem!

Pedro Geromel será, indiscutivelmente, um dos maiores centrais dos 98 anos de história vitoriana, daqueles que quando partiu deixou saudades imensas e cujo talento jamais será esquecido.

Chegado a Guimarães, na famigerada temporada de 2005/06, proveniente do Desportivo de Chaves, era encarado, apenas, como um jovem promissor. Um jovem que na equipa gizada por Jaime Pacheco iria ter de lutar para ganhar o seu espaço, numa zona central defensiva em que Cléber e Dragoner foram as apostas iniciais e Moreno o primeiro suplente.

Porém, os jogos iniciais, pautados pela infelicidade tremenda, lançaria o jovem ítalo-brasileiro para a titularidade. Sucederia na terceira jornada, em mais um dia infeliz para as cores vitorianas, derrotadas no derby caseiro frente ao SC Braga.

Porém, não obstante essa desilusão, ainda para mais com os rivais a não vencerem no Afonso Henriques há quase 30 anos, um facto ressaltou. Falamos da tranquilidade, rapidez e capacidade de sair a jogar do jovem jogador que a todos conquistou. Num dia triste, em que o Vitória averbou mais uma derrota, Geromel era o raio de esperança.

A época continuaria toldada por resultados negativos e pela intermitência na utilização do jovem central, que só ganharia a titularidade a título definitivo, novamente, no jogo contra os arsenalistas na segunda volta na Pedreira, já sob o comando técnico de Vítor Pontes, e para não mais a largar.

Com Geromel a actuar ao lado de Cléber, o último reduto defensivo ganhou outra tranquilidade, outra capacidade onde a contundência do capitão casava com a velocidade e limpeza de movimentos do parceiro.

Porém, a verdade é que tal não seria suficiente para impedir um destino indesejado: a descida de divisão, passados 51 anos da última vez que tal ocorrera.

O Vitória caía ao inferno, Vítor Pontes partia sem honra nem glória e com ele a espinha dorsal de uma equipa que tanto prometera, mas que havia acabado atolada na desilusão.

Para o seu lugar chegaria Norton de Matos, mentor de uma revolução gaulesa, que trouxe aos Conquistadores nomes como Nemouthé, Dembélé, Ghilas ou Desmarets. Na linha defensiva, o brasileiro tinha lugar cativo, numa temporada que se esperava que fosse de completa afirmação.

Porém, a periclitância e a incapacidade de conquistar dois ou três resultados positivos consecutivos foram minando a confiança da equipa, ainda, presidida por Vítor Magalhães.

Por essa razão, antes de se demitir do cargo de líder máximo vitoriano, o actual líder do Moreirense despediria o treinador e tomaria uma das decisões mais felizes da sua vida desportiva: contratar Manuel Cajuda.

Com o experiente técnico ao leme, o Vitória cresceria, encetaria uma recuperação absolutamente notável e desafiaria as improbabilidades até alcançar a subida de divisão naquele Domingo do nosso alívio, em Gondomar. Porém, o jogador brasileiro perderia alguma influência. Como consequência de algumas lesões, o brasileiro acabaria por perder o lugar para Franco, um defesa central de estrutura completamente diferente. Na verdade, o português, ao contrário de Geromel, era um jogador duro e agressivo, características muito mais consonantes com as especificidades da Liga de Honra.

Na temporada seguinte, a do regresso do Rei (como ficou denominada pelo próprio departamento de marketing), o herói destas linhas seria imenso. Assumindo a titularidade desde o primeiro jogo da época, no empate a um frente ao homónimo sadino, fruto da lesão de Danilo, logo no início da temporada, encontraria o seu parceiro de eleição: Sereno.

Com o jovem alentejano ao lado, o Vitória descobriria uma das melhores duplas de centrais mais profícuas da história. Uma dupla inexpugnável, que se complementava na perfeição, capaz de tratar bem a bola e que, apesar do aspecto imberbe de ambos, jamais se atemorizava perante o mais letal dos pontas de lança.

Nesta inesquecível temporada de afirmação, em que todos os sonhos milionários pareceram possíveis, destaque para um momento…outra vez com o eterno rival como adversário.

Num Afonso Henriques em frenesi, com o Vitória a actuar com um original equipamento preto com uma enorme faixa branca a entrecortar a armadura do Rei, Geromel seria o herói do derby ao bater Dani Mallo e a garantir três saborosos pontos. Seria o seu único golo ao serviço do Vitória e logo no jogo de todas as paixões.

A época essa continuaria sob o signo da ilusão e das boas prestações do central brasileiro, que começava a despertar as atenções de outros clubes.

No final da temporada, após a conquista do terceiro posto e a consequente qualificação para a pré-eliminatória da Liga dos Campeões, partiria, vendido para o FC Koln da Alemanha.

Depois disso partiria para Espanha, até chegar ao Brasil, ao Grémio, e à selecção brasileira, que representou no último Mundial.

A qualidade nunca enganou…

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