Recordar… o Vitória #70

Por Vasco André Rodrigues, Advogado e fundador do projeto ‘Economia do Golo’

Um dos defesas centrais mais memoráveis da história do futebol vitoriano.

Forte, resoluto, expedito a resolver os problemas que se lhe deparavam, terá sido daqueles baluartes que marcaram uma época.

Falamos de Evandro Sampaio Fróes, um nome que assim recitado pouco ou nada dirá a qualquer adepto vitoriano. Mas, se o trocarmos pela sua alcunha de guerra, a maioria terá um rebate de saudade e dirá: “esse sim, era um central como devia ser…por ele ninguém passava, fosse a bem ou a mal.”

Essa talvez fosse a melhor definição para Tanta, que é dele de quem falamos! Um central pétreo como uma rocha, capaz de jogar de faca nos dentes, atemorizando qualquer avançado contrário e incapaz de dar uma bola por perdida… um duro capaz de resolver a mais intrincada das equações.

Chegado a Portugal, na temporada de 1990/91, teria como destino Famalicão, clube que estava ainda longe de encetar a travessia no deserto que o faria estar por muitos anos afastado da Primeira Liga. Desde esse momento, vislumbrou-se os seus predicados, ainda para mais numa equipa que fazia alarde de uma capacidade defensiva superlativa para resolver os seus problemas. Aí, afirmar-se-ia durante duas temporadas, antes de dar o salto para os Conquistadores, como uma das contratações de cartaz da época de 1992/93.

Em Guimarães viveria quatro épocas.

Na equipa treinada por Marinho Peres afirmar-se-ia, imediatamente. Ao lado do seu parceiro Matias, outro durinho conhecido pelo seu inconfundível bigode, ou, posteriormente, a emparceirar com Paulo Pereira, seria pedra inamovível na armada do Castelo. Seriam 41 desafios num ano, com a estreia a acontecer logo na primeira jornada perante o Beira-Mar.…e que estreia ao apontar um dos golos dos branquinhos, na vitória por duas bolas a uma perante os aurinegros aveirenses.

Aliás, esse golo seria o prenúncio de uma temporada inesquecível a título individual, apesar de fraca a nível colectivo. Foram 41 desafios em que o central comandou o último reduto vitoriano, pontuados por cinco golos, num registo que para a posição que o jogador ocupava no campo era assinalável.

Tal aliás, seria o seu diapasão de Rei ao peito. Procurando sempre ser útil, ser capaz de resolver os problemas que se lhe deparavam na sua função, mas, igualmente, capaz de facturar na frente fosse num canto, ou até na marcação de uma grande penalidade, pois, até nisso, era fiável. Por isso, apesar de na segunda época de Rei ao peito, ter actuado menos vezes, conseguiria, ainda, fazer o gosto ao pé por uma vez… seria no empate em Paços de Ferreira a duas bolas, sendo o seu golo o momento em que o Vitória ficaria em vantagem em duas bolas. Os pacenses haveriam de recuperar no resultado, sendo essa a imagem de uma época em que o Vitória tudo prometeu e nada cumpriu, falhando, estrondosamente, nas últimas jornadas o desejado apuramento europeu!

Porém, o ano seguinte seria melhor…bem melhor. O central vitoriano continuaria imprescindível com o Rei ao peito, mas voltaria a descobrir aquela veia goleadora, um pouco atípica nos defesas centrais. Assim, a juntar à magia preconizada pelo treinador Quinito na frente de ataque, o Vitória contou com um homem, que vindo das profundezas do último reduto, apontaria 4 golos, com especial destaque para um dos que ajudou a bater o eterno rival por quatro bolas a duas. Porém, também, se confirmava a faceta agressiva do jogador, ao ser admoestado por 15 vezes com cartões amarelos, sendo consequência disso 3 expulsões por dupla amostragem….um duro que não dizia que não à velha máxima “ou fica o homem, ou fica a bola!”

A temporada de 1995/96, inicialmente sob o comando de Vítor Oliveira, seria a última do defesa de Rei ao peito. Contudo, quer para o primeiro técnico, quer para o seu sucessor Jaime Pacheco, seria de utilidade extrema. Faria 29 desafios, apontando 2 golos. Aliás, o último, dos 12 apontados, com a camisola branca seria em Janeiro desse ano, numa tranquila vitória por quatro bolas a zero sobre os alentejanos do Campomaiorense.

Entretanto, chegaria aquele dia 03 de Março de 1996. O desafio com o Tirsense, ainda que o jogador não o soubesse, seria o último que disputaria pelo Vitória. Uma lesão contraída aos 78 minutos levaria a que fosse substituído pelo vimarense Soeiro e, no final da temporada, partisse para o Marítimo.

Porém, foram 132 desafios sempre a dar tudo pelo Rei…sempre na raça em antítese com os centrais actuais que fazem dos punhos de renda a sua imagem de marca. Um duro capaz de atemorizar duros como Fernando Couto, que temiam as potencialidades explosivas de um dos grandes líderes em campo dos Conquistadores nos últimos 30 anos…

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