Recordar… o Vitória #8

Por Vasco André Rodrigues,
Advogado e fundador do projeto ‘Economia do Golo’

Um entusiasmo inigualável!

Uma temporada em que todos os sonhos foram desencadeados, mas que no final teria um sabor amargo!

Contudo, foi um ano cheio de recordações… de momentos marcantes.

Desde logo, pelos homens que levaram a cabo grande parte daquela temporada de 1980/1 na orientação técnica da equipa A época houvera começado de modo titubeante com Fernando Peres e Cassiano Gouveia ao leme.

Pimenta Machado, então nos seus primeiros passos como presidente dos Conquistadores, demonstrou o que haveria de demonstrar ao longo dos 24 anos que foi o líder máximo do clube; ou seja, impaciência com os maus resultados e poucas dúvidas em mudar de equipa técnica. Ainda para mais, tendo bem perto uma tripla de respeito, composta por José Maria Pedroto e como adjuntos Artur Jorge e António Morais sem trabalho. Refira-se que o treinador principal, Pedroto, saíra dos azuis e brancos, em ruptura com o então presidente Américo de Sá e em solidariedade com Pinto da Costa, após ter quebrado um jejum de 19 anos sem títulos do clube. Até, há quem diga, que terá sido o actual líder máximo dos azuis e brancos que terá sugerido ao seu homólogo vitoriano estes nomes, de modo a mantê-los em actividade.

Relativamente à equipa, esta permitia todos os sonhos. Na baliza estava um dos melhores guarda-redes do futebol português, Vítor Damas, o “Eusébio das Balizas”, regressado a Portugal depois de quatro temporadas no Racing Santander, onde na última não houvera calçado.

Além deste monstro sagrado do futebol português, destaque para outra contratação de peso: o avançado holandês, resgatado ao Ajax, Toni Blanker, que muitos comparavam com um tal de… Johann Cruyff e que, no final da época, daria bom dinheiro ao clube com a sua venda para o futebol espanhol, ao Zaragoza. Atentemos nas palavras do próprio, e transcritas pelo blog “Glórias do Passado”: – Na realidade, a minha intenção era parar totalmente de jogar futebol. Já não me divertia em fazê-lo. E toda a publicidade à minha volta também teve o seu papel nisto tudo, cheguei mesmo a ser comparado com o Cruyff. Não conseguia aguentar essa pressão. Mais tarde através de um português obtive o contacto do agente de futebol Walter Ferreira. Eu estive no clube uns dias, e atraiu-me aquela atmosfera diferente.”

Para além desta dupla portadora de muitas esperanças, destaque para nomes como Nivaldo, Mundinho ou Gregório Freixo capazes de fazer regressar o Vitória às provas europeias…afinal, o grande objectivo da temporada!

Como referimos, o início periclitante da temporada levaria à chegada de uma “ Santíssima Trindade” ao banco de suplentes!

Com estes, a equipa melhoraria… desencadearia aquele amor frenético e incandescente de todos os vitorianos, que viam naqueles homens de branco vestidos a capacidade de chegarlonge… Por essa razão enchiam o, então, Municipal! Por essa razão fizeram a mais lendária das deslocações do clube! A mais memorável! Aludimos ao Comboio Branco, que num Domingo de manhã partiu rumo a Lisboa para enfrentar o Benfica… o Vitória perderia, mas seriam perto de 10 mil vitorianos que viajaram à capital, numa assinalável manifestação de bairrismo e de amor ao símbolo do Rei.

No final da época, sabor amargo… o quinto posto alcançado atrás dos três mais titulados e do Boavista não permitiria o desejado apuramento europeu, num altura que só se qualificavam quatro emblemas para as competições uefeiras.

Pior haveria de suceder na temporada seguinte, ainda com Pedroto ao leme, mas sem Artur Jorge que resolvera abraçar a carreira de treinador principal no Belenenses. Os Branquinhos fariam uma temporada ainda melhor, terminando no quarto posto… mas, o apuramento do eterno rival Braga para a final da Taça permitiria que os vizinhos se apurassem para a Taça das Taças, em detrimento do nosso clube!

Pedroto abandonaria o Vitória para regressar à casa de partida, o FC Porto. Para o lugar dele chegaria um jovem… Manuel José que conseguiria, com um novo quarto lugar, o primeiro apuramento europeu da era de Pimenta Machado! Mas, isso será outra história…

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