Recordar… o Vitória #85

Por Vasco André Rodrigues, Advogado e fundador do projeto ‘Economia do Golo’

Foram cinco temporadas de Rei ao Peito entrecortadas por duas de tirocínio, no Maia e outra no Gil Vicente.

Nesses cinco anos, Carlos Fangueiro, encarnou o espírito do Rei: apaixonado, frenético, abnegado, seria mais um dos bons valores que os observadores vitorianos descobriram nos escalões inferiores, neste caso no Leixões.

Chegado ao Vitória na temporada de 1997/98, seria pela mão de Jaime Pacheco que teria o seu exórdio. Estávamos à quarta jornada desse campeonato e na deslocação à cidade vizinha de Braga, fruto das circunstâncias, o treinador não hesitaria e lançou o jogador às feras. O Vitória perderia por três bolas a duas, mas Fangueiro houvera cumprido o primeiro dos seus cento e trinta e quatro jogos de branco vestido.

A época continuaria sem o jogador afirmar-se completamente. Para tal, muito contribuiu a expulsão por vermelho directo no Olímpico de Roma, no desafio frente à Lazio, que significou, igualmente, a sua estreia nas competições europeias.
Na maioria das vezes, a saltar do banco, a ser uma alternativa para animar o jogo, causar desequilíbrios, ainda que entrecortando essas aparições com alguns jogos em que era aposta no onze inicial, era visto como um jovem com muito potencial.

Neste ritmo surgiria o seu primeiro golo com a camisola do Rei. O primeiro de 27 e logo com uma carga simbólica assinalável. Assim, o único tento do matosinhense nessa temporada de 1997/98 seria apontado ao eterno rival, SC Braga, precisamente o clube contra o qual se estreara.

O Vitória haveria de acabar a temporada no terceiro lugar e o, então, jovem jogador seria dispensado, pelo facto dos responsáveis do clube considerarem que tinha de ganhar calo e estofo para ser uma aposta mais regular na equipa.
Por essa razão, e como já supra mencionamos, viveria um período de empréstimo de duas temporadas, uma no Maia e outra no Gil Vicente.

Regressaria ao Vitória, na temporada de 2000/01, depois de grande ano nos barcelenses. Contudo, esse ano, que se augurava de excelência para os Conquistadores, seria agónico. O Vitória teria três treinadores durante uma época (Paulo Autuori, Álvaro Magalhães, que dele houvera extraído o máximo em Barcelos, e Augusto Inácio), e a manutenção seria conquistada em cima da linha da meta.

O jogador, esse, teria papel determinante nesse objectivo. Seria ele a marcar um dos golos, na vitória diluviana obtida frente ao Desportivo das Aves, seria ele a marcar os dois golos que derrotaram o Estrela da Amadora na Reboleira e cotar-se-ia como homem a ter em linha de conta no projecto que Inácio iria gizar na Cidade Berço.

As duas temporadas seguintes confirmariam essa asserção. Fangueiro seria pedra basilar do onze vitoriano. A sua importância seria cada vez mais determinante, ao ponto de realizar nessas duas épocas mais de trinta jogos e apontar em ambas uma dezena de golos.

Na última delas, faria parte da equipa que encantaria o país com um sistema táctico arrojado de três defesas, em que a polivalência do jogador foi determinante. Assim, tanto actuaria na ala direita, como avançado direito, como segundo ponta de lança, num claro sinal da cultura táctica que o jogador foi adquirindo com o passar dos anos. Destaque, nesta temporada, para o golo apontado em Alvalade que, por momentos, incendiou o sonho dos Branquinhos conquistarem o terceiro posto e, assim, apurarem-se para as competições europeias. Não obstante isso, os Leões haveriam de empatar, segurar o último lugar do pódio e, pela única vez nos últimos anos, o quarto lugar não daria acesso às provas uefeiras.

A temporada de 2003/04 seria a última do jogador de Rei ao peito. Tratou-se de um ano sofrido, em que se esperava um Vitória a lutar pelos lugares cimeiros, mas que acabaria com os Conquistadores a salvarem-se da despromoção no último desafio, graças, também, a uma combinação de resultados favorável.

Porém, a nível pessoal, seria um ano que marcaria a vida do jogador. No início da temporada, era notícia em todos os jornais por ter sido pai de quadrigémeos, num momento único e marcante.

Quanto a futebol jogado, faria, apenas, dezanove jogos de branco vestido, o seu pior registo enquanto jogou no Vitória, sendo que com Jorge Jesus praticamente deixaria de ser opção.

Marcaria dois golos, merecendo a honra de ser o autor do primeiro golo oficial no estádio remodelado, numa vitória por uma bola a zero frente à União de Leiria. Acabaria a despedir-se dos golos numa vitória por três bolas a zero frente ao vizinho Moreirense, para realizar o último jogo pelo Vitória a 28 de Março de 2004, numa contenda contra o Beira Mar.

No final dessa temporada, fruto da enorme remodelação efectuada pelo novo treinador, Manuel Machado, e pelo novo presidente, Vítor Magalhães, partiria rumo à União de Leiria.

Acabaria a carreira no Luxemburgo, onde se radicaria. Apesar disso, não abandonaria o futebol, encetando uma carreira de treinador. Fruto dos seus bons resultados no Titus Pétange, seria convidado a orientar uma das únicas equipas do país com alguma projecção europeia, o Dudelange.

Não obstante isso, várias vezes ruma a Guimarães para matar saudades e reviver o espírito conquistador que absorveu…

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