Recordar… o Vitória #91

Por Vasco André Rodrigues, Advogado e fundador do projeto ‘Economia do Golo’

A contratação de Ricardo Quaresma, no início da temporada, desencadeou um entusiasmo como há muito não se via no Vitória.

Na verdade, o estatuto do jogador, aliado às suas inegáveis capacidades (apesar dos seus 37 anos), levou a que o entusiasmo dos vitorianos atingisse níveis acima do normal.

Porém, tal não foi a primeira vez que um grande nome do futebol português desencadeou essa esperança em grandes momentos. Poderemos lembrar os dias a seguir à contratação do lendário número 7, proveniente do Benfica, Vítor Paneira ou… Vítor Damas, que, apesar de guarda-redes, era conhecido como o “Eusébio das Balizas”, tal o seu estatuto no futebol nacional.

Formado no Sporting, durante nove anos, seria aí que se tornaria num dos melhores guardiões de todos os tempos do futebol português, a ponto de ser cobiçado por rivais e no estrangeiro.

Aliás, como consequência dessa cobiça, Damas esteve com um pé no FC Porto, algo que o então presidente leonino, João Rocha, evitou negociando-o para Espanha, para o Racing Santander. Apesar da modéstia do clube, o guarda-redes haveria de realizar inolvidáveis exibições, a ponto de ser desejado pelos maiores clubes do país vizinho. Todavia, nunca partiria e teria de se resignar durante durante duas temporadas em ser o portero da equipa da Cantábria.

Com o seu contrato a terminar, com a palavra saudade a falar alto, começaria a equacionar o regresso à mãe pátria, A porta abrir-se pelo Vitória, que, por esses dias, vivia um tempo de ebulição. Era a entrada de António Pimenta Machado a presidente. Era a Santíssima Trindade de treinadores, composta por José Maria Pedroto, Artur Jorge e António Morais a assumir o comando da equipa. Era um jovem avançado holandês, de nome Tony Blanker, segundo melhor marcador da anterior edição da Taça UEFA, contratado ao Ajax e comparado a Cruyff. E…era um guarda-redes, tido como um dos melhores da história do futebol português e que seria o último garante das, actualmente, denominadas “clean sheets”.

Estrear-se-ia logo à primeira jornada dessa época, numa vitória por duas bolas a zero, frente ao Académico de Viseu. Os golos de Ferreira da Costa e Fonseca fariam a festa, num dia em que todos os olhos estiveram nas redes vitorianas.

Nessa temporada seria praticamente indiscutível. Faria 22 jogos com o Rei ao peito, faria defesas de classe, dando poucas hipóteses ao seu suplente Melo, que se resignaria à sua condição de suplente. Não obstante a sua importância na equipa e aos bons nomes que dela constavam, o Vitória acabaria por não conseguir o objectivo desejado que era apurar-se para a Europa do futebol, mesmo conseguindo um razoável quinto posto final.

Na época seguinte, Damas jogaria menos. Muito menos. Culpa da contratação de um homem que se haveria tornar numa lenda em Guimarães e que já mereceu a nossa recordação nestas linhas: António Jesus.

Assim, Damas faria, apenas, mais 11 jogos com o Rei ao peito, ajudando os Branquinhos a realizar temporada de relevo ao apurar-se no quarto posto, ainda sem que isso tenha significado apuramento europeu.

O herói destas linhas, contudo, recuperaria a titularidade à décima quinta jornada dessa temporada, num empate a um contra o homónimo sadino. Faria essas 11 partidas de enfiada, envergando, pela última vez, a camisola vitoriana numa derrota frente ao Rio Ave, por duas bolas a uma, de nada valendo o golo de Joaquim Rocha.

No final da temporada, com a certeza que Jesus o havia ultrapassado na escala de guardiões, com a chegada de Silvino, o lendário guarda-redes partiria rumo a Portimão, para passadas duas temporadas voltar à casa de partida: o Sporting, onde desempenharia funções até à data da sua morte em 2003. Partiu jovem demais, um dos homens que, pela sua chegada, fez explodir de entusiasmo os vitorianos…

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