Recordar… o Vitória #94

Por Vasco André Rodrigues, Advogado e fundador do projeto ‘Economia do Golo’

Um dos bons laterais esquerdos da última década do século passado foi um vimaranense, formado no Vitória, ainda que aquando da sua chegada aos seniores do clube fosse dispensado. Por essa razão, teria de empreender uma escalada que lhe permitira regressar a Terras do Rei pela porta grande.

Falamos de António Tito Nunes Ribeiro, conhecido no mundo do futebol, simplesmente, por Tito e que, após ter sido formado nos escalões jovens do Vitória, seria dispensado encentando um caminho que começaria no Ponte da Barca e que passaria pelo Moreirense, Belenenses e com maior destaque no Famalicão e no Chaves.

Nestes dois últimos emblemas já o jogador despertava cobiça pelas suas capacidades. Com efeito, tratava-se de, como agora se costuma dizer, de um lateral moderno, que sabia fechar a preceito o seu espaço, não se coibindo, contudo, de subir a preceito até ao ataque, onde o seu talentoso pé esquerdo lhe permitia realizar cruzamentos perfeitos, ou até alvejar as redes contrárias.

Depois de Chaves, cumpriria o sonho que o norteou ao longo de toda a sua carreira. Fruto das suas boas exibições, o Vitória, na altura, orientado por Jaime Pacheco, lançar-lhe-ia o canto da sereia.

Estávamos na temporada de 1997/98, e o jogador regressava a uma casa que muito bem conhecia, para se impor, de imediato, como titular no onze.

Assim, estrear-se-ia logo à segunda jornada numa vitória por duas bolas a uma em Vila do Conde, o Rio Ave, para, logo de seguida, viver uma das primeiras noites gloriosas de Rei ao peito. Na verdade, quem poderá esquecer o primoroso livre que possibilitou o triunfo dos Conquistadores frente ao Sporting, que o guardião leonino, o belga De Wilde, nem com asas conseguiria lá chegar?

Seria o único golo que o lateral esquerdo apontaria nessa temporada, que, fruto de lesões, da mudança de treinador com a entrada de Quinito, alternaria a titularidade com o congolês Kasongo Kabwe, realizando, apenas, 15 jogos.

A temporada seguinte continuaria nos mesmos moldes da anterior. Tito faria mais 17 desafios de branco vestido, pontuados por dois golos nos triunfos frente ao Alverca e ao Beira-Mar.

O jogador seria utilizado no fatídico jogo de Alverca, em que a equipa do Rei, novamente orientada por Quinito, seria derrotada por duas bolas a uma, de nada valendo o golo de Evandro. O Vitória falhava a Europa e o presidente António Pimenta Machado, por isso, decidia reformular a equipa, apostando em talentosos jovens como Fernando Meira, Rego, Lixa ou Pedro Mendes.

Tito, esse, continuaria a ocupar a faixa esquerda de uma equipa que, por muitas vezes, pareceu capaz de conquistar um lugar europeu, mas, como resultado, da instabilidade vivida no último terço da época com a partida da revelação da temporada, Fernando Meira, e com a demissão de Quinito, todos os objectivos se gorariam.

O herói destas linhas realizaria 30 desafios, na sua época mais produtiva no D. Afonso Henriques. No dia 14 de Maio de 2000 disputaria o último dos sessenta e dois desafios de branco vestido, numa derrota por três bolas a duas, nos Açores, frente ao Santa Clara. Depois de oito jogos sem vencer, o Vitória falhava o apuramento europeu!

Tito, esse, partiria rumo a Alverca para dar continuidade à sua carreira, que ainda o levaria a Braga, Moreira de Cónegos, Ovar, Amares, Famalicão e Vieira do Minho… porém, o sonho de vestir a camisola do coração, esse havia sido cumprido e valeu por tudo o resto!

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