Recordar… o Vitória #96

Por Vasco André Rodrigues, Advogado e fundador do projeto ‘Economia do Golo’

Um homem da terra… com uma ligação umbilical ao Vitória!

José Soeiro entrou menino nos escalões de formação do clube, com um sonho que haveria de cumprir: integrar, um dia, a equipa principal do clube do seu coração.

Assim, depois do périplo da formação nas equipas de base, a primeira grande oportunidade surgiria sob a espécie de baptismo de fogo. Estávamos na temporada de 1983/84, e depois da equipa de juvenis ter sido vice-campeã nacional, alguns desses elementos seriam lançados às feras. No sentido mais puro da palavra, num confronto contra o Benfica de Eriksson! Naquele dia 29 de Abril de 1984, o médio defensivo vestiria pela primeira vez a camisola da equipa sénior do clube, lançado por Alfredo Murça, e comandaria as operações no meio campo, ajudando a escrever um capítulo feliz da história do nosso clube, ao contribuir para a goleada aos lisboetas por quatro bolas a uma.

Era o primeiro dos cento e cinquenta e nove jogos pelo clube do Rei e que lhe permitiria terminar a época como titular e como uma das grandes esperanças do Vitória. Soeiro era um médio com boa capacidade de passe, com assinalável disciplina táctica e posicional que lhe permitia recuar para defesa central e recuperar bolas com uma assinalável limpeza.

Porém, na temporada seguinte, a esperada afirmação não ocorreria. Sob o comando do “Velho Feiticeiro” Goethals, o jogador, apenas, jogaria em nove desafios, o que atendendo à sua juventude, foi conducente a um período de tirocínio que, nos anos seguintes, passaria pelo Lixa, Fafe e o Elvas.

Depois desses três anos a ganhar corpo, a actuar em escalões competitivos, onde os homens “ganham pelo na venta” regressaria ao Vitória na temporada de 1988/89. Um ano marcado pela conquista do primeiro troféu nacional do clube, a Supertaça Cândido Oliveira frente ao FC Porto, onde o jogador actuou como titular no desafio da primeira mão em Guimarães e três minutos no Estádio das Antas, então recinto dos portistas. Soeiro escrevia o seu nome na história do Vitória.

Porém, além deste momento marcante, destaquem-se outros dois marcantes na carreira do jogador. Realçaremos, pois, a sua estreia nas competições europeias frente aos holandeses do Roda Kerkrade, numa derrota por duas bolas a zero sofrida na Holanda e que seria conducente à eliminação dos Branquinhos. Além deste momento, seria, nesta temporada, que Soeiro apontaria o seu primeiro golo pelos Conquistadores, ainda que numa tarde infeliz, pois o Vitória sairia desfeiteado por duas bolas a uma em Portimão.

Seguir-se-iam mais três temporadas de Rei ao peito, em que fruto da sua capacidade de equilibrar a equipa sem dar muito nas vistas, funcionando quase como um pêndulo de um relógio suíço, seria de utilidade extrema.

Assinale-se a sua utilização quase ininterrupta na temporada de 1990/91, em que entraria em campo por 41 vezes, marcando, inclusivamente, um golo nas competições europeias, na derrota caseira por três bolas a duas frente aos turcos do Fenerbahce.

A temporada de 1991/92 seria a última do seu segundo ciclo no Vitória. No esquema gizado por João Alves, o Luvas Pretas, jogaria menos, mas ainda a tempo do seu golo solitário, nesse ano, ser pleno de simbologia. Na verdade, logo na segunda etapa desse campeonato, ajudou ao triunfo frente ao eterno rival por duas bolas a uma, para depois Abel Campos igualar e João Baptista, perto do final da contenda, dar a estocada final ao clube da cidade dos Arcebispos. Apesar de ter começado temporada a titular, perderia lugar no onze inicial e sentindo-se sem espaço no clube, partiria rumo à Madeira, para integrar o projecto do Marítimo, que se queria assumir como emblema participante nas provas europeias.

Na Pérola do Atlântico viveria durante três épocas, sempre como titular, com lugar na história do clube por ter integrado as primeiras equipas que andaram na Europa do futebol.

Porém, o apelo do Berço de Portugal, da sua terra, falaria mais alto!

Regressaria ao Vitória para, sob orientação do malogrado Vítor Oliveira, integrar o plantel da temporada de 1995/96, a sua última de branco vestido.

Um plantel com nomes como Neno, Tanta, Quim Berto, Zahovic, Vítor Paneira, Capucho, Edinho ou Gilmar, mas onde, ainda assim, jogaria 37 desafios. Actuaria em todos as contendas europias desse ano, frente ao Standard de Liege e ao Barcelona e continuaria a ser pedra basilar na equipa, mesmo depois da chegada de Jaime Pacheco que substituiu o primeiro técnico desse ano.

Jogaria o seu último desafio pelo Vitória na última jornada desse ano, numa derrota por quatro bolas no terreno do eterno inimigo. Contudo, antes desse desafio, jogado em regime de veraneio, com o avançado Gilmar utilizado a defesa central, havia tido papel importante numa segunda volta digna de uma epopeia, em que os Conquistadores foram a equipa que mais pontos fizeram durante este período.

Soeiro partiria para jogar no Sporting de Espinho e acabar a carreira no Felgueiras.

Um vitoriano e vimaranense que, depois, abraçaria a carreira de treinador, ainda que sem o destaque e o protagonismo que teve e que mereceu como jogador!

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