Recordar… o Vitória #95

Por Vasco André Rodrigues, Advogado e fundador do projeto ‘Economia do Golo’

Terá sido um dos melhores médios defensivos da última década do século XX do Vitória.

Um homem que, apesar de ter actuado, apenas, uma temporada nos Conquistadores, conseguiu impor o seu futebol de modo inegável e irrepreensível, a ponto de ter feito os Branquinhos lucrarem muito dinheiro.

Falamos de Pedro Martins, um médio, proveniente do Feirense, que já tinha tarimba no escalão sénior e que ansiava por outros voos.

Chegaria ao Vitória para substituir uma referência incontornável por aqueles anos na zona medular do clube, Paulo Bento, por esses dias, de partida para o Benfica.

O jogador assumir-se-ia, de modo instantâneo, no onze gizado por Quinito. Tratava-se de um atleta com sapiente sentido posicional, com capacidade passe suficiente para lançar a primeira fase de transição ofensiva, ou como o técnico gostava de dizer “o rabo da vaca, que tinha de limpar a porcaria toda que pululava na sua área de acção.”

Estrear-se-ia, nessa temporada de 1994/95, logo na primeira jornada, frente ao eterno e figadal rival, Boavista. O Vitória venceria por duas bolas a zero e Pedro Martins haveria de estrear-se a marcar, apontando o primeiro golo dessa temporada, na cobrança de uma grande penalidade.

Seria o primeiro dos cinco tentos desse ano, tornando-se o jogador um líder de um meio campo pleno de artistas. Na verdade, nos dias que correm, que treinador não ficaria deliciado em contar, para além de Pedro Martins, com homens como Pedro Barbosa, N’Dinga, Zahovic, Dane ou Basaúla? Um conjunto de artistas de indiscutível qualidade!

Por essa razão e pelo futebol fresco, desempoeirado e alegre de Quinito, a época correria de forma satisfatória. O Vitória somava pontos, dava espectáculo, ganhava e o jogador era pedra basilar desses êxitos. Além das bolas recuperadas, marcava golos, como o bis que ajudou a bater o União da Madeira por duas bolas a uma, ou o tento solitário que bateu o Estrela da Amadora. Pedro era um exímio marcador de grandes penalidades, tendo obtido os seus golos dessa forma!

Com tantos bons desempenhos, haveria de chamar a atenção de outros emblemas. Acabaria por partir rumo ao Sporting, conjuntamente com o outro Pedro do plantel, o Barbosa, tendo-se, curiosamente, despedido do Vitória frente aos Leões, no último desafio dessa época.

Continuaria a sua carreira de jogador de futebol para a findar no final da época de 2003/04, em Alverca. Encetaria de imediato a de treinador, que, fruto dos bons desempenhos efectuados, o haveria de trazer de regresso ao Vitória.

Passados mais de vinte anos de ter actuado nos Conquistadores, Pedro Martins estaria de volta! Desta feita ao banco de suplentes, para substituir Sérgio Conceição, que houvera falhado os objectivos de apuramento europeu!

Com uma equipa onde pontificavam Josué, Bruno Gaspar, Hernâni, Paolo Hurtado ou Tiquinho Soares, o Vitória haveria, naquela temporada de 2016/17, de ter um ano de excelência.

Apesar de derrota caseira na primeira jornada da Liga, frente ao eterno rival e vizinho, com uma grande penalidade desperdiçada por Tiquinho nos últimos minutos, os vitorianos haveriam de encetar belos jogos e belos resultados.

Na verdade, quem poderá esquecer o primeiro e único triunfo que a equipa conseguiu conquistar na Pedreira, no início da segunda volta, com golos de Soares e Josué? Ou o ciclo de cinco êxitos consecutivos que catapultaram a equipa para o quarto posto da tabela?

Além disso, com Pedro Martins, no banco, o Vitória chegaria pela última vez ao Jamor. Depois do milagre de Douglas em Chaves, a defender a grande penalidade de Braga, que permitiria aos Branquinhos regressarem ao estádio Nacional, quatro anos depois daquela tarde de glória suprema em que venceram o troféu, o sonho esteve outro vez à mão de semear. Contudo, em Domingo diluviano que celebrizou o cântico “para nós a chuva é Sol”, e não obstante o golo do sul-africano Bongani Zungu, o Vitória, com o guarda-redes Miguel Silva em tarde infeliz, perderia por duas bolas a uma!

A temporada seguinte começaria com diversas notícias da partida do treinador para emblemas estrangeiros. Falava-se já no Olympiakos da Grécia, seu actual clube, entre outros.

Acabaria por permanecer, ainda que sem o êxito do transacto ano.

Na verdade, as saídas de Hernâni, Marega, Josué, ou Bruno Gaspar não foram devidamente colmatadas e nomes como Junior Tallo, Héldon, Rincón, um ainda imberbe Estupiñan (ainda longe do actual fulgor), Victor Garcia, Marcos Valente ou Jubal foram incapazes de permitir à equipa igualar os feitos da temporada anterior. Num ano infeliz no que a contratações diz respeito, salvar-se-ia a aposta em Wakaso, ainda hoje membro do plantel.

A época começaria mal com a derrota na Supertaça Cândido Oliveira, em Aveiro, frente ao Benfica. Apesar das evidentes debilidades da equipa, bastante inferior ao ano anterior, Júlio Mendes, no final do jogo, prometia uma temporada melhor do que a anterior. Estava enganado e como…

Apesar disso, a temporada teria um resultado marcante que seria o êxito caseiro frente ao Marselha, em desafio a contar para a fase de grupos da Liga Europa.

Com os resultados negativos a avolumarem-se e a Europa cada vez a fugir mais, o Vitória haveria de receber o eterno rival e vizinho para um daqueles desafios que, mesmo afastados na tabela classificativa, a honra vale mais do que tudo.

Em dia de completo descontrolo psicológico, com Wakaso a ser expulso à meia hora e com Tallo, aquando da sua substituição, a insultar os sócios, o Vitória seria derrotado por cinco bolas sem resposta.

Era o fim da linha para o técnico, que seria despedido no final do jogo, sendo substituído por José Peseiro.

Depois disso, assistiríamos a declarações de treinador e presidente a sacudirem a água do capote de uma temporada malograda. Assim, se para Júlio Mendes, que despediu Pedro Martins na antecâmara de um acto eleitoral como que dar a entender querer salvar a pele e vencer as eleições, o treinador pediu jogadores de valor incomportáveis para a realidade financeira do Vitória e que fez birra por não ter podido partir no defeso, o treinador achou que não lhe foram dados os instrumentos necessários para repetir o êxito do ano anterior, pelo que seria mais uma vítima de um ano negro!

O Olympiakos acabaria, por fim, por ser o seu destino! Com sucesso, pois Martins já foi campeão helénico e vencedor da Taça!

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