Residência do Avepark ultrapassa os 100 mil euros por cama após derrapagem para os 18 milhões
A residência universitária do Avepark, em Guimarães, vai custar cerca de 18 milhões de euros e passa a ter um custo superior a 100 mil euros por cama. A Câmara Municipal aprovou um novo acordo para desbloquear a empreitada e garantir a sua conclusão dentro dos prazos definidos pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

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Apesar do aumento do investimento e dos problemas que marcaram a execução da obra, o atual presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo, mostrou-se confiante de que a infraestrutura estará concluída até ao final de agosto, prazo limite para assegurar o financiamento europeu associado ao projeto.
“Foram ultrapassadas as irregularidades identificadas no acordo anterior e a salvaguarda o interesse público do ponto de vista financeiro e do ponto de vista do risco”, afirmou o autarca aos jornalistas após a reunião do executivo.
Com capacidade para 177 camas, o investimento global agora estimado em cerca de 18 milhões de euros traduz-se num custo médio superior a 101 mil euros por cama. Quando o projeto foi lançado, por 13,8 milhões, o custo unitário rondava os 77.900 euros por lugar, valor que já colocava a futura residência entre as mais caras da região.
Os custos do projeto continuam a destacar-se quando comparados com outras residências universitárias da região. Em Braga, a residência universitária da antiga Fábrica Confiança terá 750 camas e um investimento de 25,5 milhões de euros, correspondendo a cerca de 34 mil euros por cama. Em Vila Nova de Famalicão, uma residência com 91 lugares foi construída por 5,4 milhões de euros, o equivalente a cerca de 59 mil euros por cama.
Mesmo dentro do concelho, a residência que a Universidade do Minho está a construir na antiga Escola de Santa Luzia apresenta valores significativamente inferiores. Com um investimento estimado em seis milhões de euros, o custo por cama ronda os 40 mil euros.
A subida dos custos resulta da necessidade de encontrar uma solução para concluir a empreitada após a insolvência do ACE, consórcio formado pelas empresas Lúcios e Incons, que deixou a obra no primeiro semestre de 2025, quando esta se encontrava executada em cerca de 58%.
A urgência da conclusão estava diretamente ligada aos compromissos assumidos no âmbito do PRR. Caso a residência não estivesse concluída dentro dos prazos definidos, o município poderia ser obrigado a devolver cerca de sete milhões de euros de financiamento comunitário.
Na reunião desta semana, realizada na segunda-feira, dia 08, o executivo aprovou um novo acordo que prevê a utilização de créditos para pagar a subempreiteiros envolvidos na obra. Além de reter 242 mil euros, a autarquia mantém ainda uma garantia bancária de cerca de 829 mil euros, correspondente a aproximadamente 10% do valor da obra executada pelo ACE.
Recorde-se que, a 12 de janeiro, a Câmara Municipal adjudicou a conclusão da empreitada à empresa Costeira – Engenharia e Construção, por 10,08 milhões de euros, acrescidos de IVA, numa tentativa de desbloquear uma obra que, segundo Ricardo Araújo, apresentava riscos significativos para o município quando o atual executivo tomou posse.
Com o valor global da empreitada agora próximo dos 18 milhões de euros, a residência do Avepark ultrapassa a fasquia dos 100 mil euros por lugar, tornando-se das infraestruturas de alojamento estudantil mais dispendiosas da região, ao mesmo tempo que entra na reta final para cumprir o prazo de conclusão fixado pelo PRR para agosto deste ano.





