Ricardo Araújo lembra financiamento para o CIAJG: “Guimarães tem de dizer basta”

Na reunião de câmara desta quinta-feira, Ricardo Araújo, vereador eleito pela coligação Juntos por Guimarães, apontou a necessidade de Guimarães dizer “basta” perante a ausência de financiamento do Estado ao Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG).

© Joana Meneses / Mais Guimarães

Para Ricardo Araújo, na sequência da Capital Europeia da Cultural (CEC) 2012, “Guimarães merece um financiamento ao CIAJG”. Este é, frisa, “o financiamento do Estado Central que Guimarães merece e deve exigir”.

O vereador da coligação JpG fala de uma “discriminação em relação ao Porto e Lisboa, que foram também CEC e que têm investimentos e apoios do Estado Central substancialmente maiores ao de Guimarães”, que “não pode continuar”.

Em resposta, Paulo Lopes Silva, vereador para a Cultura, adiantou que, para além de “um conjunto de negociações em curso com a Direção Geral das Artes, há um pedido de reunião com o ministro da cultura”. Para o encontro com Pedro Adão e Silva existe já “alguma agenda, da qual faz parte o financiamento ao CIAJG e à entidade A Oficina”.

Sendo uma instituição que gere uma rede, há a expectativa de, no decorrer destas negociações, ser encontrado “um modelo de financiamento regular no qual o Ministério da Cultura se comprometa com Guimarães a financiar a atividade d’A OFicina, o CCVF, mas, especialmente, a dar a relevância que o CIAJG tem no quadro das ex Capitais Europeias da Cultura do país.”

Recordando o período entre 2012 e 2015, o social democrata diz que “o Partido Socialista (PS) e o presidente foram muito críticos e reivindicativos deste apoio, quando o Governo não era do PS”. De então para cá, acredita, “a voz tem sido frouxa e a reinvindicação não tem sido firme”.

Paulo Lopes Silva lembrou que o modelo de financiamento às artes mudou no último ano e, ao abrigo dessa alteração e com as medidas tomadas em função da pandemia, “foi prolongado o apoio sustentado que A Oficina tinha, de cerca de 300 mil euros anuais”.

“Hoje temos já uma situação, do ponto de vista de financiamento sustentado pelo Governo, mais confortável, mas continuamos a trabalhar para ter uma solução melhor”, vincou o vereador da cultura.

Os vereadores do PSD e do CDS estarão, garantiu Ricardo Araújo, “inteiramente ao lado de quem dê um murro na mesa e exiga o financiamento que Guimarães merece”.

“Os equipamentos existem para serem visitados”

“Houve um certo desnorte do PS em relação à gestão e ao posicionamento do CIAJG”, afirma Ricardo Araújo. Isso, na sua perspetiva, “levou a que o número de visitantes ao longo dos últimos anos não fosse o desejado”. Nesse sentido, destacou a importância de “criar métricas e objetivos para este tipo de equipamentos” que “existem para serem visitados”.

Além do problema do número de visitantes, o vereador da coligação JpG acredita que é preciso uma “aproximação do CIAJG à cidade e aos vimaranenses”, sendo necessário “um plano estratégico claro”.

Para o vereador da cultura, “um projeto cultural ou artística nunca pode estar alheio ao número de espectadores, porque a arte é feita para ser observada, consumida e interiorizada. Se nós não chegamos ao público final, não estamos a cumprir o objetivo primordial”. Contudo, Paulo Lopes Silva entende que “esse não deve ser o ponto central da análise, mas deve sim fazer parte de um contexto mais alargado”.

Município apresenta Plano Estratégico Municipal para a Cultura

A Câmara Municipal de Guimarães está a elaborar o Plano Estratégico Municipal para a Cultura, que será efetuado de forma colaborativa com os agentes do território, através da Universidade do Minho, pelo Observatório de Políticas de Ciência, Comunicação e Cultura, pelo Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade e pelo Instituto de Ciências Sociais. Este plano vai decorrer na próxima terça-feira.

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