Sinistros nos acessos ao Centro Histórico

José Alves tem acesso autorizado à zona de acesso condicionado do largo de São Francisco, através de um comando que lhe permite baixar o marco hidráulico que impede a passagem de viaturas para aquelas áreas. Contudo, isso não evitou que já tivesse a sua viatura abalroada pelo marco em duas ocasiões.

Este é apenas mais um dos muitos casos de pessoas que ficam com os carros destruídos por este sistema de controlo de acessos. Uma funcionária do café Milenário é perentória: “está sempre a acontecer, é pelo menos um por semana”. Pelas portas vidradas do café vê-se o marco que impede o acesso à rua Dr. Avelino Germano, que sobe para o largo Condessa do Juncal.

No caso de José Alves, na primeira vez, apesar de ter baixado o marco com comando e de o sinal estar amarelo intermitente, “como ainda não havia câmaras de vigilância ficou assim mesmo…” Quer isto dizer que foi José Alves quem pagou a reparação da viatura. “Na segunda vez chamei a Polícia Municipal. Nessa altura já havia câmaras e eles reconheceram que foi um erro do sistema e fui ressarcido dos danos”, esclarece. O segundo caso foi pacífico, porque o munícipe não reclamou e porque a Câmara assumiu o erro.

Essa, todavia, não é a norma. Várias pessoas têm ficado com os carros danificados em milhares de euros e recebem uma resposta negativa quando pedem indemnizações à Câmara.




Dia 14 de dezembro de 2019, sábado, pelas 15h30, Isabel Carvalho ia levar as compras de uma amiga ao Centro Histórico. “O marco estava em baixo e a sinalização luminosa intermitente estava amarela, uma grade com uma placa de trânsito proibido estava afastada para o passeio, à minha frente não via nenhum carro”, descreve Isabel Carvalho. Decidiu passar, como já tinha feito noutras ocasiões. O marco subiu no momento em que passava, partiu um farol, empenou a barra da direção, entortou uma jante e rebentou um pneu. A seguradora da Câmara Municipal não assume os danos na viatura, “afirmam que foi mau uso, que terei entrado atrás de um táxi, mas eu não vi táxi nenhum”. Isabel Carvalho sublinha que se foi um táxi que fez baixar o marco, isso aconteceu manualmente e, nesse caso, a elevação também terá sido manual. “Alguém carregou no botão para aquilo subir quando eu estava a passar”, afirma.

A história do incidente com Paulo César Gonçalves é semelhante. A companhia de seguros Tranquilidade faz saber que não assume os danos porque estes não aconteceram “devido a qualquer anomalia do sistema… mas resultante de uma imprudência na passagem pelo mesmo”. Paulo, tal como Isabel Carvalho, queixa-se de sinalização contraditória. “Ainda que tenha cometido uma infração, nada dá o direito à Câmara de destruir o meu carro”, diz Paulo César Gonçalves, que tem um orçamento de reparação da sua viatura de quatro mil euros.

No caso de Ângela Soares, além dos danos na sua viatura a Câmara enviou-lhe a conta da reparação do sistema. “Valeu que tinha seguro contra todos os riscos”, desabafa.

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