SOCIEDADE MUSICAL DE GUIMARÃES

José da Silva Mendes,

Ex. Bancário no Porto, na sucursal do Banco Pinto e Sotto Mayor

A actual Direção da Sociedade Musical de Guimarães (SMG), na pessoa do seu Presidente, Prof. Vítor Matos, reconheceu o alto serviço prestado à Instituição por parte da Direção que em 25 de Março de 1978 tomou posse e foi capaz de a ressuscitar, criando as condições para que, no presente, a cidade se orgulhe do seu Conservatório.

Integrado nas comemorações do seu 116° aniversário, que ocorreu no passado dia 25 de Março, foram distinguidos e homenageados os Senhores Américo Martins Simões, ex-Presidente da Direção, José da Silva Mendes, responsável pela formação do elenco diretivo, José Luís Braga, 1° Secretário, e António Benardino da Fonseca Pereira, 2° Secretário.

A Direção a que se faz referência, tinha já sido homenageada em 25 de Março de 2013, na Sociedade Martins Sarmento, sob a Presidência de Armindo Cachada. 41 anos depois, esta última homenagem teve um sabor especial, não obstante não terem sido dados a conhecer à comunicação social e à comunidade vimaranense, com o devido destaque, os muitos trabalhos e as muitas dificuldades que durante os seus 14 anos a primeira Direção teve de enfrentar, para criar as condições para aquilo que veio a ser a Academia de Música, hoje Conservatório de Guimarães.

Deverão ser referidos também os membros da Direção já falecidos: os Senhores Fernando José Teixeira, Vice-Presidente da Direção, José Afonseca Freitas, Tesoureiro, Prof. José Marques, Fernando Fernandes e Aníbal Rocha, pelo seu precioso contributo.

A extinção da Banda da Sociedade Musical ocorreu no ano de 1973, depois de celebrar o 70º aniversário, actuando pela última vez. A partir daquela data, as chaves da Instituição foram entregues à Unidade Vimaranense (U.V.), que também ficou responsável pelo pagamento da renda. Em 1977, o Prof. José Marques, último regente da Banda, preocupado com o seu património e o abandono das instalações, solicitou a colaboração do autor deste artigo junto da U.V. para, se possível, tentar formar uma nova Direção, que chegou a ser constituída, entre outros elementos, pelo Dr. Santos Simões.

No entanto, depois de visitarem a instituição, entenderam não ter qualquer viabilidade. Posteriormente, foi encarregado pela U.V. um outro prestigiado cidadão e membro da colectividade, que não soube ou não quis assumir essa responsabilidade. Foi a insistência do Prof. José Marques que nos “obrigou” a voltar ao assunto. E, mais uma vez, os Senhores António Xavier e o Dr. Fernando Alberto que me endossaram o problema no sentido de eu o solucionar.

Dada a confusão política que na ocasião se fazia sentir, foi necessária alguma mestria para encontrar as pessoas certas no sentido de dar vida a uma instituição moribunda, com problemas de toda a ordem, e que outros, apesar do seu prestígio político, não quiseram assumir. A formação da Direção da SMG foi solicitada pela Direção da U.V. e pelo então Presidente da Câmara Municipal, Edmundo Campos, que na altura prometeu os apoios necessários, que nunca foram cumpridos. A sede da Instituição contava com apenas duas salas disponíveis, já que o espaço restante se encontrava abusivamente ocupado. Criada a Escola de Música de Guimarães, seguiu-se o “mendigar” salas noutras instituições. Para além do trabalho difícil na recolha dos instrumentos, e nem todos foram entregues, recebemos alguns em muito mau estado, o que originou, nessa época, um gasto de mais de 300 contos na sua recuperação. Também se adquiriram diversos instrumentos, com custos bastante elevados.

Posteriormente tivemos de enfrentar os embaraços causados pela Prof. Norma Silva que, baseada nos nossos estatutos e na Escola de Música de Guimarães e ainda com o nosso dinheiro, fez a transição para o então Conservatório de Guimarães, enfraquecendo assim a estrutura da nossa Escola. A partir daqui encetámos uma nova dinâmica e foi, sem dúvida, com o prestígio do nosso Presidente que se conseguiu a recuperação da Escola e, sobretudo, a credibilidade junto dos Vimaranenses.

Nunca o Presidente, Senhor Américo Martins Simões, faltou com a sua presença e estímulo no final de cada ano lectivo, quando eram realizados os saraus, orientando as actuações e sempre com um carinho muito especial para todos os participantes. O último renascimento do Orfeão de Guimarães ocorre no ano de 1980, por iniciativa da Sociedade Musical. No ano de 1981 é criada a Tuna e em 1984 é criada a Orquestra Ligeira, que se manteve em actividade até 1992, data em que é criada a Academia de Música, com cursos oficializados.

No que a nós diz respeito, faço notar que a minha presença na Instituição foi praticamente diária durante 14 anos, dos 27 em que a ela estive ligado; e hoje estou consciente que a minha vida particular saiu prejudicada… Sempre trabalhei a troco de nada, paguei mensalmente as minhas quotas e nunca os meus dois filhos usufruíram de qualquer benefício pela frequência da Escola, tendo um deles, o Ricardo, sido solista da Orquestra Ligeira.

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