Solidariedade que une, responsabilidade que se exige

Os fenómenos extremos que atingem sobretudo o centro do país deixam um rasto de destruição difícil de ignorar: casas danificadas, famílias desalojadas, infraestruturas fragilizadas e uma sensação coletiva de vulnerabilidade.

© Eliseu Sampaio

Perante este cenário, Portugal responde da melhor forma que sabe, com solidariedade. Uma ondatransversal percorre o país, mobilizando cidadãos, associações e instituições num esforço comum de apoio às populações afetadas.

Guimarães destaca-se também neste movimento solidário. A comunidade vimaranense, através de empresas, associações e cidadãos anónimos, mobilizou-se rapidamente. Mais do que bens materiais, envia-se uma mensagem clara de proximidade e compromisso humano, provando que a solidariedade não conhece fronteiras geográficas.

No entanto, esta onda de solidariedade não pode desviar a atenção de uma questão essencial: a responsabilidade das autoridades.

Eventos desta magnitude deixarão de ser excecionais e passarão a integrar um novo padrão de risco associado às alterações climáticas. Cabe às entidades públicas, a nível nacional e local, assumir uma postura preventiva, reforçando planos de emergência, investindo na proteção civil e na adaptação das infraestruturas. Também em Guimarães, é fundamental aprender com o que aconteceu no centro do país e preparar o território e a população para cenários semelhantes.

A solidariedade é um valor essencial e deve ser celebrada. Mas não pode ser o único pilar de resposta. A verdadeira resiliência constrói-se quando a união dos cidadãos é acompanhada por políticas públicas eficazes, planeamento estratégico e responsabilidade institucional.

Só assim será possível transformar a empatia em segurança e o apoio pontual e eficaz em prontidão duradoura.

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