Supercomputador Deucalion em Azurém reforçado com financiamento de 3,7 milhões até 2029
O supercomputador Deucalion supercomputador Portugal, instalado e já em funcionamento no polo de Azurém da Universidade do Minho, vai continuar a operar até 2029 com financiamento assegurado pelo Governo.

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A decisão consta da Resolução do Conselho de Ministros n.º 67/2026, publicada esta segunda-feira, 6 de abril, em Diário da República, após aprovação em Conselho de Ministros a 27 de março. O diploma autoriza uma despesa até 3,7 milhões de euros para garantir o funcionamento deste recurso estratégico de computação avançada.
O Supercomputador integra o programa «Ciência Mais Digital», destinado a acelerar a transformação digital da ciência e dos serviços de apoio ao sistema científico e tecnológico nacional.
Localizado em Azurém, em Guimarães, o Deucalion representa um dos principais investimentos em supercomputação, no âmbito da parceria europeia EuroHPC. A sua instalação na Universidade do Minho tem sido apontada como um fator-chave para aproximar ciência, tecnologia e tecido empresarial.
Num artigo de opinião publicado no Jornal de Notícias, o presidente da Câmara de Guimarães, Ricardo Araújo, destaca a importância desta infraestrutura no território: “Guimarães tem uma vantagem rara neste contexto, porque não precisa de inventar um ecossistema. A proximidade à Universidade do Minho e a cultura industrial do nosso território fazem do Deucalion uma ferramenta com um importante destinatário: as empresas.”
O autarca sublinha ainda que o investimento agora aprovado não se limita à tecnologia em si: “Este não é um cheque para uma máquina, mas antes uma relevante opção para não desligar o nosso futuro.”
“Fábrica de antecipação” ao serviço da economia
Já em pleno funcionamento, o supercomputador permite acelerar investigação científica, simulações complexas e desenvolvimento de soluções em áreas como clima, materiais ou saúde, além de apoiar o crescimento da inteligência artificial.
Ricardo Araújo descreve-o como uma infraestrutura essencial para decisões mais rápidas e eficazes: “A forma mais eficaz de explicar um supercomputador, sem jargão, é tratá-lo como uma fábrica de antecipação. Não fabrica peças, mas fabrica cenários confiáveis com rapidez suficiente para afetar decisões no mundo de amanhã de manhã.”
Segundo o responsável, esta capacidade traduz-se em ganhos concretos: “A diferença entre testar milhares de hipóteses de um material em horas ou gastar meses em protótipos é relevante. A diferença entre treinar modelos de inteligência artificial que aceleram diagnósticos e decisões ou ficar refém da lentidão é relevante.”
Aposta nacional na computação avançada
A resolução agora publicada insere-se na estratégia nacional para a computação avançada e complementa outros investimentos, incluindo o desenvolvimento de uma Fábrica de Inteligência Artificial em Portugal, entre 2026 e 2028, até ao montante global máximo de 15 milhões e 600 mil euros.
O objetivo do Governo liderado por Luís Montenegro passa por consolidar o país como um polo de inovação tecnológica, com impacto direto na competitividade, na criação de emprego qualificado e na soberania digital.
Com o Deucalion já operacional em Azurém, Portugal reforça a sua posição na rede europeia de supercomputação, colocando Guimarães no mapa das infraestruturas tecnológicas de ponta.





