Terminou a COP 26 e depois?

Por Mariana Silva, Deputada na Assembleia da República (Os Verdes)

A 26ª Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas, que se realizou em Glasgow, terminou no sábado, depois de mais uma negociação difícil para aprovar o texto final.

Na Conferência estiveram presentes centenas de Governantes e milhares de outros interessados, para decidirem e anunciarem medidas, e compromissos para salvar o clima e o ambiente.

Nas ruas de Glasgow, e um pouco por todo o mundo, estiveram dezenas ou centenas de milhar de pessoas que deram voz ao cansaço e à pouca produtividade destes eventos, bem concebidos, mas repletos de promessas lançadas ao vento.

E, infelizmente, o que o tempo nos tem mostrado é que a razão está do lado destes que gritam que são urgentes mudanças.

Desde o início, os Verdes olharam para este evento com desconfiança e juntamo-nos agora aos que ficaram desiludidos com a sua conclusão.

Os povos sentem de forma cada vez mais cruel os impactos e consequências das alterações climáticas, acumulando-se o medo, a inquietação, a dúvida e a desesperança.

Os Verdes recusam que tudo se resolva apenas pela alteração de comportamentos individuais, esquecendo as políticas públicas e o modo de produção actual, altamente agressivo para o ambiente.

Os caminhos de mitigação e adaptação às alterações climáticas passam por mudanças nas opções de política, desde logo nos transportes e na mobilidade.

Mas Governo tem marcado passo na valorização da ferrovia e no objetivo essencial de ligação de todas as capitais à rede ferroviária nacional, ou num caminho determinante, o da prioridade aos transportes públicos, recusando a gratuitidade, mesmo que numa primeira fase apenas até aos 18 anos.

O caminho não pode ser o de substituir transporte individual em viaturas movidas a combustíveis fósseis por viaturas a energias ditas “verdes”, ainda por cima não acessíveis aos mais pobres. A grande opção tem de ser a de trocar o transporte individual pelo transporte coletivo.

E sentimos este arrastar de pés quando não devolve o serviço do Alfa a Guimarães, depois das promessas eleitorais de Domingos Bragança, que dizia que o Governo tinha garantido que o Alfa voltava. Alguns serviços da CP foram repostos a 17 de outubro, sobretudo na ligação Lisboa/Porto e Lisboa/Braga, mas Guimarães ficou a vê-los passar.

Outro caminho e outra determinação são urgentes, definindo metas imediatas, no plano nacional, mas também a nível local. Aquilo a que temos assistido não nos deixa descansados.

A atuação dos poderes públicos é determinante, e nesse sentido deu-se um passo importante com a aprovação da Lei do Clima, para a qual Os Verdes se empenharam, e que dá um conjunto de orientações aos agentes económicos e aos cidadãos em geral.

No entanto, continua a faltar a aposta numa alimentação mais sustentável, para não ficarmos tão dependentes de pecuárias de produção intensiva, o incentivo à produção local para o consumo local e, para diminuir a pegada ecológica, um grande investimento na mobilidade.

Continua a faltar a aposta na preservação da floresta, na proteção e despoluição dos rios, com mais meios e mais recursos humanos.

Este fim-de-semana ficámos mais uma vez com a certeza que é de opções políticas que se trata quando falamos em contribuir para um País mais amigo do Ambiente.

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