Têxtil recupera devagar

A recuperação do setor têxtil está a ser lenta e com impactos diferentes em diversos subsetores. É o que se conclui da comparação entre os números das exportações em junho de 2020 e o mesmo mês de 2019.

Em junho, as exportações de têxteis e vestuário registaram uma quebra de 14% face a junho do ano anterior, com um valor exportado de 355 milhões de euros. Contudo, alguns subsetores tiveram um desempenho ainda pior: as exportações de vestuário caíram 25% (com o vestuário em tecido a registar uma quebra de 37%), as exportações de tecidos caíram 27% (com alguns tecidos a registar quebras superiores, como é o caso dos tecidos de lã (- 50%), dos tecidos de filamentos sintéticos (-32%) e dos tecidos de fibras sintéticas ou artificiais (-31%)) e as de têxteis-lar caíram 17% (embora as exportações de tapetes tivessem caído 23%, as de cobertores -56% e as de artigos de decoração -37%).

Se não fosse considerado os resultados das exportações de máscaras e vestuário de proteção, os resultados seriam ainda piores

Se não fossem considerados os resultados das exportações de máscaras e vestuário de proteção (acréscimo de 33 milhões de euros face a junho de 2019), as exportações deste mês tinham sofrido uma quebra de 22%.

No primeiro semestre de 2020, o valor acumulado das exportações de têxteis e vestuário foi de 2 208 milhões de euros, menos 17% quando comparado com o mesmo período do ano anterior.

As exportações de vestuário que, no primeiro semestre do ano passado, representavam 59% do total do setor, este ano caíram 23%.

As exportações de têxteis para o lar, que representam cerca de 11% das exportações do setor sofreram uma quebra de 22%. Dentro dos têxteis lar, as exportações de tapetes caíram 32%, as de cobertores caíram 33% e as de outros artefactos para guarnição de interiores (decoração) diminuíram 37%. Em termos absolutos, foram as exportações de roupas de cama, mesa, toucador e cozinha que registaram maior quebra: menos 45 milhões de euros, equivalente a uma quebra de 20%.

As exportações de tecidos, que representam 11% do total do setor, caíram 20%, tendo sido os tecidos especiais os que registaram pior desempenho absoluto: menos 18 milhões de euros, equivalente a -29%. Os tecidos em lã sofreram uma quebra de 32%.

Os têxteis técnicos, que representam igualmente 11% do total das exportações do setor, assinalaram uma quebra das exportações de 8%.

França foi o único mercado que cresceu

As exportações de máscaras, vestuário de proteção para uso médico, de feltro ou falsos tecidos, e outros artigos semelhantes de proteção na luta contra o COVID 19 tiveram um acréscimo de cerca de 103 milhões de euros, tendo permitido que as exportações do setor não tenham tido uma quebra, neste semestre, superior a 22%.

As exportações para os destinos comunitários caíram 25%, com Espanha a liderar os destinos com maiores quebras, registando menos 228 milhões de euros, ou seja -33%. O Reino Unido ocupa o lugar n.º 2 deste ranking, com menos 26 milhões de euros, equivalente a -15%, e a Itália o 3.º: menos 17 milhões de euros, ou seja, menos 12%.

Do lado oposto, a França destaca-se como o destino que verifica maior acréscimo absoluto (um aumento de quase 8 milhões de euros, ou seja, +2%) e Chipre, com um aumento de cerca de 5 milhões de euros (+452%).

O saldo da balança comercial deste setor foi, no 1.º semestre, de 399 milhões de euros, com uma taxa de cobertura de 122%.

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