TONY MIRANDA

Nome completo

António Miranda Alves

Nascimento

28 de janeiro de 1949

Felgueiras

Profissão

Costureiro

Tony Miranda, como é conhecido, de 68 anos, tem a sua loja e ateliê de costura bem no centro da cidade, na Alameda de S. Dâmaso, num pequeno pedaço do seu mundo. Por detrás das linhas de costura descobre-se uma história de um menino que batalhou pelos seus sonhos.

Filho de um sapateiro e de uma costureira, que partilhou os primeiros “trapos”, António Miranda acompanhou desde cedo a mãe no ofício, até aos tempos de escola, antes de partir para o primeiro contacto “oficial” com um mundo da costura. Um amigo da terra, Guilherme Pereira, alfaiate de profissão, acolheu Tony Miranda e ensinou-o alfaiataria.

Um sonho começava a nascer: aprender costura. No salão paroquial, em Torrados, Felgueiras, um desfile impressionou Tony Miranda que disse para si mesmo: “tenho de ir para Paris”. O criador português partiu numa aventura “clandestina”, paga com “14 contos” (aproximadamente 70 euros), durante um inverno, uma semana antes de completar 14 anos, que viria a celebrar a meio da viagem. Antes de partir, passou por Guimarães, uma cidade que o impressionou, para comprar ao “Teixeira da esquina”, era assim que se chamava a “boutique”, na esquina do Toural, um corte para fazer um sobretudo para a viagem, criando uma ligação com a cidade que o acolheu anos mais tarde.

Em França, “sem malas e solas de sapato”, depois de 52 horas a pé, antes de chegar ao mundo da moda, trabalhou nas obras e na recolha de lixo. Uma fábrica de produção de betão foi o seu primeiro emprego por terras napoleónicas, onde trabalhou quase dois anos e deparou-se com problemas com os documentos. “Pela minha idade não me deixavam trabalhar e precisava de autorização do pai, que não assinou os documentos”, explicou Tony Miranda que partiu para França sem o conhecimento do seu progenitor e sem o seu aval.

A próxima experiência passou por uma empresa camarária que se encarregava da limpeza do lixo, que lhe trouxe boas notícias. O patrão da empresa de recolha do lixo arranjou-lhe o primeiro trabalho na costura, depois de fazer um fato para ele e um vestido para a sua esposa.

Uma empresa que se dedicava à transformação de fatos de alta-costura para quem não queria abandonar a sua peça. “Era uma casa muito conhecida, com mais de 30 funcionários, onde abri muitos olhos para a criação. Foi a melhor escola que tive para a criação. Desenhar um fato desde do início é mais fácil do que ter um fato nas mãos”, sublinhou. Os próximos passos passaram pela Joseph Camps, onde aprendeu “a verdadeira profissão de alta-costura”, e pela Ted Lapidus, depois de encontrar um anúncio da empresa no jornal, a pedir alfaiates. Exibindo um fato que tinha produzido, Tony Miranda, após se ter apresentado como ex-colaborador da Joseph Camps, obteve logo a resposta do recrutador: “este fica”.

“Levei um bocadinho da cidade ao mundo inteiro.”

O sonho de conquistar um lugar nas melhores casas de alta-costura em Paris ganhava forma, com grandes marcas e personalidades como Jacquel Brel, príncipes das arábias e reis africanos deram-lhe a responsabilidade pelos guarda-roupas e renderam-se ao seu talento.

Mais tarde trocou uma loja exclusiva na rua Cambon, perto da Chanel, por Guimarães. Em causa estava uma paixão. Já na cidade que acolheu as suas criações, Tony Miranda recebeu no sábado, durante a sessão solene evocativa do 24 de Junho, a medalhas honoríficas do município, no Paço dos Duques de Bragança. “Fiquei muito contente. Sempre fiz o que pude por Guimarães e levei um bocadinho da cidade ao mundo inteiro”, disse. O próximo sonho passa por criar uma escola de alta-costura. Talvez um dia possamos colher da sabedoria do único criador de alta-costura português.

Por: Diogo Oliveira

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