TRABALHADORES DA WORTEN “NÃO ESTÃO DISPOSTOS A CONTINUAR A SER POSTOS DE LADO”

“Sonae, escuta, a Worten está em luta” são algumas das palavras de ordem que se ouvem, por estes dias, no GuimarãeShopping, à conta da paralisação dos trabalhadores da Worten.

À azáfama habitual de tardes chuvosas de fim-de-semana sentida no espaço comercial – acrescida pelo facto de estes serem dias dedicados à Black Friday – juntam-se as reivindicações dos funcionários da Worten. Entre os diferentes cartazes levantados por cerca de 10 funcionários podem ler-se frases como “20 anos a formar novos colegas”, “Worten, nós merecemos mais” ou “Sonae ganha milhões, nós tostões”.

A greve, que se iniciou à meia noite de quinta-feira, 28 de novembro, e termina à meia noite de domingo, 01 de dezembro, conta com a adesão de cerca de 15 trabalhadores, que, segundo o CESMINHO – Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços do Minho, representam aproximadamente 90% dos trabalhadores mais antigos da Worten do referido centro comercial vimaranense. “Esta greve tem tido a adesão de todos os trabalhadores sindicalizados e que decidiram fazer a greve. Os trabalhadores que aderiram a greve são os mais antigos da loja”, explicou Sónia Ribeiro, presidente do CESMINHO, ao Mais Guimarães.

Apesar disso, a loja está a funcionar normalmente, por, alegadamente, a Worten ter recentemente contratado cerca de 22 funcionários. “Curiosamente, os trabalhadores tinham vindo a pedir reforço de pessoal e sempre lhes foi negado. Mais recentemente, a empresa, alegadamente suspeitando que os trabalhadores iriam fazer alguma ação deste género, recrutaram 22 pessoas para tentar minimizar os efeitos de uma ação deste género”, apontou a dirigente sindical.

As reivindicações dos trabalhadores

Segundo Sónia Ribeiro, os trabalhadores decidiram realizar a paralisação “para mostrar à empresa que não estão dispostos a continuar a ser postos de lado”. A responsável recorda que, a 3 de outubro, teve lugar uma reunião entre representante dos trabalhadores, elementos do sindicato e representantes da empresa. “Colocámos algumas questões, nomeadamente relativamente a salários, a uma melhor organização dos tempos de trabalho e das horas extras, que, de uma forma arbitrária, a empresa decide colocar em regime de banco de horas, sem aviso prévio. Isso não pode ser, porque o banco de horas tem regulação própria”, explicou Sónia Ribeiro. Nesse sentido, “como a empresa não deu resposta aos trabalhadores, nem manifestou vontade de conversar com eles, os trabalhadores decidiram levar a cabo uma ação de luta”, acrescentou.

Uma das reivindicações dos trabalhadores está relacionada com a componente salarial. “A contratação coletiva não tem sabido responder às necessidades dos trabalhadores destes setores”, lamentou Sónia Ribeiro. Segundo a responsável, em 2016, houve um aumento de 10 euros no salário da categoria de operadores especializados, sendo que não havia aumentos de 2010. “As entidades empregadoras acham que 10 euros num hiato de 10 anos é o suficiente para atenuar todas as dificuldades económicas que o trabalhador tem para fazer face as suas despesas diárias e os trabalhadores não concordam, portanto decidiram avançar para esta forma de luta”, explicou.

Sendo a Worten uma empresa com presença nacional, Sónia Ribeiro admite que “esta é uma situação que acontece por todo o país”. Apesar disso, “a lei prevê que os trabalhadores possam, localmente, reivindicar e negociar situação diferente daquilo que está previsto na convenção coletiva, que prevê salários mínimos para determinadas categorias”. “Nada impede que haja negociação que possa levar a uma situação mais vantajosa para os trabalhadores”, frisou.

Greve a tempo da Black Friday

A data para a convocação da paralisação não foi escolhida ao acaso, sendo a Black Friday uma das alturas de maior afluência a lojas e a espaços comerciais. “Isto não quer dizer que se esgota aqui a luta que eles estão dispostos a fazer. É evidente que há alturas estratégias para se fazerem as coisas. Quando queremos marcar uma posição, temos que escolher uma altura em que isso se faça sentir mais”, explicou.

Sónia Ribeiro assegurou que nem o CESMINHO nem os trabalhadores querem o prejuízo da empresa, porém, “as pessoas têm que marcar uma posição, e as empresas têm que começar a olhar para os trabalhadores não apenas como meras formas de fazer a empresa lucrar. Os trabalhadores são muito mais do que isso”, finalizou.

O Mais Guimarães tentou obter esclarecimentos por parte da Worten, não tendo sido possível até ao momento.

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