TUDO COMO DANTES

Ana Amélia Guimarães,

Professora

A Bloom Consulting é uma consultora especializada no desenvolvimento de estratégias de marca para Países, Regiões e Cidades. Em Guimarães é, tão só, a empresa responsável pelo desenvolvimento da marca do concelho para a promoção do Turismo.

Um recente relatório desenvolvido pela consultora Bloom Consulting revela o “Ranking de Talento (Viver)” medindo este o impacto da marca de cada um dos 308 municípios portugueses, face ao seu público alvo, nomeadamente, estudantes, trabalhadores e população em geral, que trabalha, estuda ou vive nestes territórios.

As cidades de Lisboa e Porto estão no primeiro e segundo lugar, respetivamente. A cidade de Braga surge, no entanto, este ano na terceira posição, tendo subido uma posição relativamente ao ano anterior e tomado o lugar anteriormente ocupado por Cascais.

Braga e Coimbra sobem ao top 5 das cidades com melhores condições para viver, tendo em conta a opinião da população que vive e trabalha em cada um dos territórios.
Guimarães queda-se pela 17.ª posição e mantém-se na 17.ª posição do ranking nacional da dimensão Viver relativamente à marca conseguida no índice do ano anterior.
Como vimaranenses podemos olhar para este estudo e dizer: “vá lá que mantivemos” ou então “lá estamos nós a marcar passo”.

É certo que em Guimarães existe, ainda, um certo tipo de cultura cívica pautada pelo “é melhor que nada” e pelo “podia ser pior”, que vem dos tempos da “outra senhora” e que é comum às cidades mais conservadoras e menos urbanas. Parece-me, no entanto, que as gerações mais novas têm uma atitude mais “levantada do chão”, mais crítica e exigente. E Guimarães precisa dessa atitude ousada capaz de a fazer sair da mesmidade atrofiante em que se vê cair.

Não deixa de ser irónico que, num contexto autárquico de promoção de uma putativa cidade verde e respetiva candidatura a cidade verde europeia, em que se canalizam verbas consideráveis para estudos, comissões especializadas e ações de divulgação e propaganda, os vimaranenses sintam, no entanto, que a qualidade de vida que seria inerente ao objetivo autárquico não se verificou. E não se verifica.

A indústria têxtil e de vestuário continua a ser uma das mais importantes indústrias para a economia portuguesa.

Segundo informação prestada pela Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias Empresas, as dificuldades são, sobretudo, sentidas no sector do vestuário e em particular pelas “microempresas que trabalham em regime de subcontratação”. Regime esse em que, de acordo com o que foi transmitido recentemente à Comissão Parlamentar da Economia e Obras Públicas do PCP, as empresas laboram “sem qualquer regulamentação ou normas” que as “protejam das arbitrariedades” dos contratantes, isto é, “dos grupos multinacionais”.
Em dezembro de 2018, o Grupo Parlamentar do PCP questionou o Ministro-adjunto e da Economia sobre a situação do setor da confeção de vestuário alertando para a situação. Em resposta, o Ministro limitou-se a registar que o Governo está a acompanhar e continuará a fazê-lo com “toda a atenção”. Para bom entendedor…

Curioso notar que o “laissez faire, laissez passer” do ministro vai que nem uma luva para a paralisia verificada pela autarquia local em relação ao assunto, uma vez que estamos em pleno “olho do furacão”.

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