Um ano de pandemia

A 25 de fevereiro de 2020, a SIC noticiava que havia um novo caso suspeito de covid-19, em Portugal. O doente era de Guimarães, foi transportado para o Hospital de São João e acabou por se revelar negativo. As suspeitas de infeção surgiam na sequência de uma visita a Milão. Aquela região de Itália era ainda o epicentro de uma tragédia a que Portugal ainda pensava que podia escapar. No fim de março, menos de um mês após o primeiro caso, o número de infetados em Portugal já tinha ultrapassado os seis mil e havia 140 mortes por covid-19. Ainda assim, muito melhor que a maior parte dos países da Europa, na mesma altura.

Foto: João Bastos

A 5 de março, os infetados ainda se contavam pelos dedos de uma mão. O quinto infetado por covid-19, em Portugal, ficamos a saber que era um vimaranense que também tinha estado em Itália, na região de Bérgamo, um músico, professor de fagote. Poucos dias depois, a 7 de março, a Câmara Municipal define o seu plano de contingência.




Naquela altura estava tudo a acontecer muito depressa. A 8 de março, “perante os 21 casos de infetados com o novo coronavírus, a ministra da Saúde, Marta Temido, anunciou medidas para evitar a propagação e atrasar ao máximo ‘o pico da epidemia’, principalmente a Norte do país”, noticiava o Mais Guimarães. No mesmo dia, o Hospital Senhora da Oliveira suspendia as visitas “temporariamente”. Rui Vieira de Castro, reitor da Universidade do Minho, perante um caso na comunidade académica, tinha suspendido todas as atividades letivas no dia anterior.

O país antecipava-se ao Governo. A 16 de março é anunciada a primeira morte por covid-19 no país, os dois primeiros casos tinham sido detetados no dia 2.  A 18 de março, o Presidente da República decreta o primeiro estado de emergência por 15 dias, depois de ouvido o Conselho de Estado, de ter obtido o parecer positivo do Governo e da aprovação do decreto pela Assembleia da República. O estado de emergência contempla o confinamento obrigatório e restrições à circulação na via pública.

As reuniões da Câmara Municipal de Guimarães passam a realizar-se por videoconferência, primeiro restritas apenas ao executivo, depois, em face dos protestos, a comunicação social passa a ser também admitida. Apenas um de muitos equilíbrios que terão de ser feitos ao longo do ano, entre os direitos, as liberdades e as necessidades de segurança sanitária.

Foto: João Bastos

A 22 de março, o presidente da Câmara emite um despacho a determinar: o encerramento do atendimento presencial em todos os serviços municipais; a manutenção em funcionamento apenas dos serviços essenciais; todos os serviços municipais passam ao regime de teletrabalho; um limite máximo de dez pessoas na realização de funerais no Cemitério Municipal da Atouguia e no Cemitério Municipal de Monchique; a manutenção da atividade do mercado municipal, tal como já determinado, com o encerramento do estabelecimento de restauração e bebidas (bar) nele instalado e de outras atividades que não estejam previstas no Anexo II do referido decreto; a manutenção da realização da feira grossista de frutas e legumes.




A OMS declara a pandemia

A 30 de março, havia 94 casos confirmados de covid-19 em Guimarães. Os números da DGS indicam que, na mesma altura, o país registava 140 mortes e 6.408 infetados. Ainda antes do mês de março terminar, a Associação Vimaranense de Hotelaria veio a terreiro lembrar que era preciso tomar medidas para o setor conseguir enfrentar a pandemia (a OMS tinha declarado que o surto podia ser classificado assim, a 11 de março).

Abril começa com o prolongamento do estado de emergência, logo no dia 2. A Comunidade Intermunicipal do Ave (CIM do Ave) lamenta que, apesar de a zona Norte ser a mais afetada pelo novo coronavírus, esta não é prioridade para o Governo no plano preventivo de combate à covid-19, que prevê a realização de testes em lares de idosos, a população mais afetada à escala mundial pela pandemia.

Regressa a telescola

A pandemia não é para brincadeiras, a AAUM anuncia que não se realizará o Enterro da Gata. A velhinha telescola regressa com aulas para as crianças até ao nono ano. Ainda no início de abril, a Câmara de Guimarães toma as primeiras medidas de apoio às empresas e às famílias: diferimento de pagamentos devidos à Câmara, com pagamentos até 18 prestações; isenção de taxas relativas à ocupação do espaço público; suspensão da liquidação de algumas receitas, nomeadamente da taxa da Feira Retalhista ou da tarifa de gestão de resíduos urbanos e estabelecimentos que se encontravam encerrados por determinação legal ou municipal. 

A meio do mês de abril, ministro das Finanças, Mário Centeno, diz que as estimativas do Governo apontam para uma queda de 6,5% do PIB anual por cada 30 dias úteis em que a economia esteja paralisada devido à covid-19. O Governo admite pela primeira vez a nacionalização da TAP.

“É um disparate e ninguém entende”, era desta forma que Domingos Bragança via a orientação das autoridades de saúde, que impede os delegados de Saúde de disponibilizarem informação diária sobre a evolução da pandemia covid-19 aos autarcas. Estávamos a 14 de abril, havia, segundo a DGS, 219 casos em Guimarães, 17.448 no país. No registo de mortos contavam-se 567.

A 30 de abril, o boletim da DGS apontava para 583 casos, em Guimarães, já os dados fornecidos pelo ACES do Alto Ave iam nos 643. A discrepância entre os números locais e nacionais alimentaria uma discussão pública durante várias semanas.




O país sai do estado de emergência

No último dia de abril é aprovado em Conselho de Ministros um plano de transição do estado de emergência para uma situação de calamidade. Bibliotecas e arquivos vão abrir, seguindo-se museus, galerias e monumentos a 18 e maio. Continua o teletrabalho, os transportes públicos só circularão com dois terços da capacidade e com obrigatoriedade de máscaras, ajuntamentos de mais de dez pessoas são proibidos e abrem, com condições, serviços públicos, tudo a partir de dia 4 de maio.

Neste calendário de desconfinamento, fica para 18 de maio a abertura de restaurantes, cafés e o início das aulas presenciais no 11º e 12º ano. As creches podem começar a abrir nessa data. O Rali de Portugal é cancelado.

Maio começa sob o signo da polémica com as comemorações do Dia do Trabalhador, na Alameda, em Lisboa. A 2 de Maio, está a terminar o terceiro período de estado de emergência. Guimarães está já muito acima dos 600 infetados.

Depois de, inicialmente, a máscara ter sido desaconselhada, passou a ser tolerada e em maio já era obrigatória em alguns espaços. O Decreto-Lei 20/2020, que “altera as medidas excecionais e temporárias relativas à pandemia estipulava: “É obrigatório o uso de máscaras ou viseiras na utilização de transportes coletivos de passageiros”. O incumprimento “constitui contraordenação, punida com coima de valor mínimo” de 120 euros e máximo de 350 euros.

A caminho do verão com esperança renovada

A palavra de ordem era “desconfinamento”, a ideia é que as medidas tinham sido um sucesso. “Neste momento, tudo aponta para que só dependa de nós, do nosso comportamento. Sejamos capazes, e responsáveis”, escrevia Eliseu Sampaio, na sua crónica a 6 de maio. Guimarães fechou o mês de maio com um número crescente de casos (795), no último dia do mês houve um aumento de 24 casos em vigilância ativa (105).

“Então vocês não sabem que está a ficar tudo bem e que, com as devidas cautelas, já podem ir saindo de casa? Nós saber sabemos, temos receio é de que o vírus não saiba – responderão os cidadãos”, escrevia António Rocha e Costa, neste jornal, a 21 de maio, era premonitório. Contudo, Liga de Clubes anuncia que a I Liga de futebol começa a 3 de junho com um jogo entre o Portimonense e o Gil Vicente. Os jogos são à porta fechada e “vamos ficar todos bem”.

Junho arranca com boas notícias para os ginásios que podem voltar a abrir. O teletrabalho deixa de ser obrigatório. O Dia de Portugal é assinalado no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, com apenas dois oradores e seis convidados. A 18 de junho, o Governo aprova o prolongamento do layoff simplificado até final de julho e novos apoios às empresas até ao final do ano.

O país prepara-se para um verão mais distendido, Portugal passa a situação de alerta, mas na AML, permanecem 19 freguesias em estado de calamidade, devido ao elevado número de infeções. Em Guimarães, a 26 de junho, contavam-se 805 infeções e 26 casos em vigilância ativa.

A Câmara Municipal de Guimarães deliberou a isenção de pagamento das taxas da Feira Retalhista de Guimarães e do Mercado Municipal até ao final do ano. O Plano de Contingência prevê um número limite de pessoas nos dois espaços e a visão da polícia a controlar o número de entradas e saídas vulgariza-se.

A 30 de julho o Governo autoriza também a retoma das modalidades desportivas de pavilhão, mas sem público.

A 3 de agosto, Portugal regista o primeiro dia sem mortes desde o início da pandemia. A 12 de agosto, arranca a fase final da Liga dos Campeões em Lisboa. “Um prémio para os profissionais do SNS”, numa frase que custaria caro ao primeiro-ministro.

Guimarães terminou o mês de agosto com 825 registos de infeção, segundo o boletim da DGS, mas os números do ACES do Alto Ave, a dia 27, já apontavam para 874 e 98 em vigilância ativa.




Passado o verão a “luta continua”

A 4 de setembro, “a luta continua”, os comunistas fizeram a Festa do Avante debaixo de forte polémica. Portugal regista o maior número de contágios diários desde 20 de abril, com 646 novos casos. As autoridades de saúde justificam números com aumento da mobilidade.

A meio do mês, começa o ano letivo no ensino básico e secundário, com o regresso das aulas presenciais e obrigatoriedade de uso de máscara nas escolas e regras específicas de circulação e uso dos espaços. Portugal continental entra em situação de contingência até 30 de setembro.

A 24 de setembro, passados seis meses desde o início da pandemia, a DGS anuncia que passará a ser recomendado o uso de máscaras em espaços públicos movimentados.

Em Guimarães, os lares estão sob pressão, sucedem-se as notícias de infeções em várias instituições. A 28 de setembro, falece uma utente na sequência de um surto declarado no Lar de São Torcato.

Foto: Rui Dias

Guimarães, um pouco como o país, tinha passado com alguma leveza pela primeira vaga e começa agora a sentir a pressão. “Pedi ao governo para que aqui em Guimarães se possa constituir uma equipa multidisciplinar que possa reunir informação sobre quem está infetado e isolado… para que a Câmara possa fazer chegar apoio a essas famílias”, afirma Domingos Bragança, ainda inconformado com a informação de que que pode dispor para gerir a situação sanitária. As equipas acabariam por chegar ao terreno a 29 de outubro.

A 10 de outubro, atinge-se o número máximo de infeções diárias registado, 1.646 novos casos. Passado quatro dias, Portugal passa da situação de contingência para situação de calamidade, o Governo justifica com a gravidade da evolução da pandemia.

António Costa lança a ideia de tornar a aplicação Stayway Covid obrigatória, mas, perante a contestação, mete a proposta na gaveta.

A situação volta a agravar-se

Em Guimarães, o Município vê-se obrigado a reativar a instalação de retaguarda, no Seminário do Verbo Divino. A 13 de outubro, o concelho regista 2009 infeções e 1331 casos em vigilância ativa, “mais 116 casos que a 9 de outubro”. Começa a haver uma perceção que a situação se está a agravar.

As salas de espetáculos tinham voltado a receber público, com restrições de lotação e cuidados de higienização. Todavia, algumas fotografias nas redes sociais de um espetáculo de comédia no Multiusos de Guimarães que davam ideia de uma grande multidão na plateia, geram uma enorme polémica que leva o presidente da Câmara a suspender todos os espetáculos. Isto, apesar de a Tempo Livre assegurar que todas as normas foram seguidas. Por esta altura, Guimarães é o 13º concelho com mais casos confirmados no país. Numa reunião da Proteção Civil, é reconhecida a dificuldade de seguir as cadeias de contágio no concelho. “A situação é muito grave”, afirmava Novais de Carvalho.

Foto: DR

Dia 22 de outubro, na edição da noite da SIC Notícias, a bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, afirma que o Hospital de Guimarães “está praticamente no limite”. Hélder Trigo, diretor clínico do Hospital, dizia, naquela altura, que “se as coisas continuarem assim, desde que não haja uma explosão muito grande, penso que iremos conseguir controlar”. Neste dia, no país, bate-se novo máximo de casos, 3.270 e os internamentos hospitalares em 24 horas atingem os valores máximos registados desde março, num total de 1.365. Por esta altura, o Hospital de Guimarães chegou a ter mais de 200 doentes covid internados.




Guimarães entre os mais afetados

A 28 de outubro passa a ser obrigatório o uso de máscara em espaços públicos.  A 31 de outubro, o Governo anuncia o confinamento parcial em concelhos com mais de 240 casos por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias. São abrangidos 121 municípios, Guimarães estava entre estes. No dia em que António Costa anunciou estas medidas, o país registou 40 mortos, 4.656 infetados e 1.927 doentes internados.

A 9 de novembro, o país volta ao estado de emergência. Começa a vigorar o recolher obrigatório entre as 23h00 e as 5h00 nos 121 municípios mais afetados e no fim de semana o recolher obrigatório nesses concelhos começa às 13h00.

Guimarães aumenta a capacidade da estrutura de retaguarda de 42 para 60 camas. Por esta altura, há dias em que o concelho regista mais de 300 novos casos por dia.

O Governo cria quatro patamares de risco de infeção, em função do número de novos casos nos 14 dias anteriores. A 22 de novembro, Guimarães está no nível de risco extremamente elevado, com mais de 960 novas infeções, juntamente com outros 46 concelhos.

O Hospital Senhora da Oliveira vai-se adaptando ao aumento do número de doentes em enfermaria, mas principalmente em cuidados intensivos. Salas de operações e zonas de recobro são transformadas em serviço de cuidados intensivos covid. A 22 de novembro, havia 23 camas de cuidados intensivos, para 14 doentes internados.

Guimarães acaba o mês de novembro na terceira posição entre os concelhos com maior incidência da Covid-19, com 2.293 novos casos por 100 mil habitantes. Apesar disto, o Mais Guimarães registava, no dia 30 de novembro, “o facto da incidência de Covid-19 no concelho de Guimarães ter diminuído neste período, havendo agora menos 145 novos casos que no último relatório, de 23 de novembro”.

O mês do Natal traz boas-novas

Dezembro começa com o anúncio, pela ministra da Saúde, da compra de mais de 22 milhões de doses de vacinas contra a covid-19, que devem começar a chegar em janeiro, serão gratuitas e facultativas. É tempo de boas notícias, a DGS diz que a epidemia de covid-19 atingiu o pico da sua incidência em Portugal no dia 25 de novembro, verificando-se uma tendência de descida.

Foto: João Bastos

O Município de Guimarães anuncia a plataforma Proximcity, para apoio ao comércio. O lançamento da plataforma vem acompanhado com um envelope financeiro de 40 mil euros, a distribuir pelos aderentes, em vouchers para gastar no comércio tradicional.

A 17 de dezembro, os portugueses ficam a saber que vão passar o Natal e o Ano Novo em estado de emergência (até 7 de janeiro). O primeiro-ministro anuncia que as celebrações do Ano Novo são totalmente cortadas, mas abre alguma folga para o Natal.

Na última atualização, antes do Natal, registam-se 12.934 infetados por SARS-CoV-2 em Guimarães desde o início da pandemia. Na noite de consoada muitas famílias vimaranenses tinham poucas razões para festejar, até àquela data tinham morrido 152 pessoas, no concelho, com covid-19.

Apesar de tudo, o Mais Guimarães dava uma notícia positiva, uma diminuição do número de positivos ativos, de 1.330 a 16 de dezembro, para 1.146 no dia 21 e um aumento de 541 curados. No mesmo dia, verificava-se uma diminuição do número de pessoas em isolamento profilático, menos 117 que no último relatório, porém, ainda eram 324.

O ano de 2021 começa com nova renovação do estado de emergência, a 8 de janeiro. Nesse dia, Portugal atinge o número recorde de 118 mortos e 10.175 infeções num só dia. Ao contrário do que acontecia no Hospital de São João, no Porto, em Guimarães o efeito do alívio das medidas, determinado pelo Governo, durante a quadra natalícia, a 4 de janeiro ainda não tinha provocado um aumento da procura no Serviço de Urgência. Em Guimarães, no início de 2021, a incidência estava a baixar.

Apesar das declarações do Hospital, a 7 de janeiro, sabia-se que Guimarães estava a acompanhar a tendência de subida do número de infeções no país.




Depois das Festas os números recomeçaram a subir

Entre 5 e 7 de janeiro, o número de infeções aumentou 207. Registavam-se nessa data 1.366 casos positivos ativos, no concelho, havia 951 pessoas em isolamento e lamentavam-se 171 mortes.

Dia 11 de janeiro, o Mais Guimarães dá duas notícias, uma de esperança, outra de desengano: o início do processo de vacinação nas instituições de Guimarães está marcado para dia 12; por outro lado, os números da DGS não deixam dúvidas que o número de infeções, no concelho, está outra vez a subir.

Foto: Rui Dias

A 13 de janeiro, o estado de emergência foi decretado até ao final do primeiro mês do ano. António Costa insiste em manter as escolas abertas, mas coloca o país num confinamento semelhante ao do primeiro semestre de 2020. A crónica do diretor do Mais Guimarães, neste dia, intitula-se “Estava-se mesmo a ver que ia dar nisto”, uma referência às liberalidades do período natalício.

Por volta do dia 20 de janeiro, Portugal é o país do mundo com maior número de novos casos de infeção pelo novo coronavírus por milhão de habitantes. No mapa de risco, os concelhos a vermelho muito escuro (risco extremamente elevado) ocupam uma área três vezes maior do que em finais de dezembro. O Governo proíbe a venda ao postigo, mas insiste com a manutenção das escolas em funcionamento.

Entretanto, enquanto há vacinas o processo de vacinação avança. Fica-se a saber que, depois dos lares, serão vacinados bombeiros e forças de segurança. A 17 de janeiro, os primeiros profissionais de saúde, que foram vacinados ainda em dezembro, começam a receber a segunda dose. Hélder Trigo, o primeiro profissional de saúde a ser vacinado no Hospital Senhora da Oliveira, teria de esperar até ao dia 29 de janeiro para arregaçar a manga para levar a primeira dose da vacina. Depois do médico, avançou Palmira Marques, enfermeira de 63 anos com 40 de serviço.

A 21 de janeiro, o Governo faz “zig-zag” e anuncia o encerramento das escolas. Os tribunais, as lojas do cidadão, as creches e ATL´s também encerram. A Conferência Episcopal suspende missas e outras atividades pastorais.

Apesar de tudo, as eleições presidenciais, marcadas para 24 de janeiro, não são adiadas. No dia em que Marcelo Rebelo de Sousa é eleito para um segundo mandato de cinco anos, morrem 275 portugueses de covid-19.

O vírus a que nunca podemos chamar “da China”, já tinha uma variante “inglesa” e passa a ter também uma variante “brasileira”. Portugal suspende os voos para o Brasil devido a esta variante, no final de janeiro.

A Tempo Livre anuncia que teve uma quebra de receitas superior a um milhão de euros, no ano de 2020. As modalidades amadoras do Vitória SC têm cerca de 1.300 atletas parados, distribuídos por 15 modalidades. O vice-presidente para as modalidades, Pedro Guerreiro, fala de “um impacto brutal” e de um “dano irreparável”.

O primeiro mês não termina sem que Guimarães ultrapasse a barreira dos 200 mortos por covid-19.

A 3 de fevereiro, aterra em Portugal uma equipa de técnicos alemães, vêm ajudar a conter a pandemia. Demite-se o coordenador da “task force” para o plano de vacinação, Francisco Ramos e é substituído pelo vice-almirante Henrique Gouveia e Melo.

Nos dias que antecederam esta demissão, sucederam-se notícias de casos de vacinação indevida de pessoas que não faziam parte dos grupos abrangidos pelo plano. Apesar destes casos terem acontecido um pouco por todo o país, Guimarães passou, até agora, ao lado desta polémica. Não é conhecido nenhum “fura filas” no concelho.

Fevereiro começou com a incidência cumulativa de infeções em Guimarães a aumentar para 1.650 casos por 100 mil habitantes, referente aos 14 dias anteriores, mais 287 casos que na atualização anterior.

 Foi um período negro, em que os concelhos vizinhos apresentam uma situação semelhante à de Guimarães. Vizela, que estava com uma taxa de incidência cumulativa de 1.168 casos por 100 mil habitantes. Com maior incidência que Guimarães estavam os concelhos da Póvoa de Lanhoso, com 1.828, seguindo-se Vila Nova de Famalicão, com 1.658. Já com menor incidência que Guimarães, ainda assim com valores elevados, estavam os concelhos de Fafe, com 1.361, Braga, com 1.350, Santo Tirso, com 1.325, e Felgueiras, com 1.205 casos por 100 mil habitantes.

Durante este ano de pandemia, muita gente viu partir os seus entes queridos sem ter oportunidade de se despedir em vida e sem poder fazê-lo cumprindo os rituais depois da morte. A 6 de fevereiro, a DGS suaviza as regras para a realização de funerais de pessoas falecidas com covid-19. O caixão passa a poder ser aberto para um olhar rápido, mantendo a distância de um metro. Continuam a ser proibidos os velórios e as pessoas presentes nos funerais, incluindo padres e funcionários das funerárias têm de usar mascara.




A 15 de fevereiro, a primeira boa notícia sobre os números da pandemia em Guimarães, desde o princípio de janeiro: o concelho apresenta uma incidência cumulativa de 688 casos por 100 mil habitantes e deixa de estar no grupo de risco extremamente elevado, por apresentar menos de 960 casos por 100 mil habitantes.

A 22 de fevereiro, Portugal regista 61 mortes por covid-19 e 549 novos casos de infeção, é o número mais baixo desde 6 de outubro, segundo a DGS. Fala-se de uma “descida muito significativa e expressiva da incidência” de covid-19 e atribui-se este resultado ao confinamento.

Foto: João Bastos

No dia 23 de fevereiro, começa a funcionar o Centro de Vacinação no Pavilhão Multiusos de Guimarães, preparado para vacinar 500 pessoas por dia. Nesta semana serão vacinadas apenas 1.500, uma vez que não há mais vacinas disponíveis. Nesta fase, estão incluídos os cidadãos com mais de 80 anos e as que tendo mais de 50 anos tenham comorbilidades, de acordo com a norma: doença coronária, insuficiência cardíaca ou renal ou doença pulmonar obstrutiva crónica. Novais de Carvalho, o diretor clínico do ACES do Alto Ave estima que existam à volta de 11 mil pessoas, no concelho de Guimarães, nestas condições.

O país passa todo o mês de fevereiro em estado de emergência e entra em março com novo estado de emergência (o décimo primeiro), até dia 16. O primeiro-ministro anuncia que o Plano de Desconfinamento será apresentado no dia 11 de março.

Foto: Rui Dias

Segundo os dados de dia 1 de março, a incidência cumulativa de covid-19, em Guimarães, nos 14 dias anteriores, passou de 291 para 135 novos casos por 100 mil habitantes. Quer dizer que o concelho passou a estar no nível de risco moderado (entre as 120 e as 239 infeções por 100 mil habitantes).

No momento do fecho desta notícia, havia 885.109 pessoas vacinadas, em Portugal, 618.393 com a primeira dose e 266.716 com a segunda. Já sabemos que não vamos todos ficar bem e a maioria de nós ainda não sabe quando vai ser vacinado. Eis o que diz o Simulador da Fase de Vacinação da DGS ao jornalista que escreveu esta peça: “Face ao que nos indicou está previsto ser convocado na terceira fase da vacinação da covid -19. A terceira fase terá o seu início em data a anunciar”.

©2021 MAIS GUIMARÃES - Super8

Fazer login com suas credenciais

Esqueceu sua senha?