Um horizonte de esperança

por Ana Amélia Guimarães Professora

Este texto que escrevo sairá na última semana deste ano, o ano da pandemia. Nestas alturas de fim de ciclo é costume fazer o balanço do ano. Em vez de balanço, sugiro alguns tópicos para 2021.

1. É inegável a evolução da situação nacional marcada pela perspetiva da deterioração da situação económica e social. Esta é uma realidade que temos de enfrentar. Uma situação que, em vez de limitações de direitos e liberdades, com sucessivas declarações do Estado de Emergência e o «recolher obrigatório», exige respostas e soluções centradas no plano do reforço do SNS, na defesa do emprego, dos direitos e salários, no reforço da proteção social e serviços públicos, no apoio às micro pequenas e médias empresas e à criação e fruição culturais.

E a resposta mais global aos problemas que o país enfrenta não está nem nas opções do Governo, nem nos projetos antidemocráticos da direita «tradicional» e dos seus sucedâneos mais reacionários, mas sim, como a vida comprova, numa política de esquerda.

2. A pouco mais de um mês das eleições para Presidente da República, impõe-se aos eleitores uma avaliação séria e sem preconceitos à candidatura de João Ferreira. Uma candidatura que, em contraste com outras, não se rende nem capitula perante os objetivos e a chantagem dos grandes interesses assentes na exploração de quem trabalha.

A candidatura de João Ferreira assume, claramente, o compromisso de cumprir e fazer cumprir a Constituição da República e que não hesita em defender a independência e a soberania nacionais contra todo o tipo de imposições. Que não haja dúvidas, pois.

3. O discurso racista, xenófobo, machista, retrógrado, obscurantista; o discurso do ódio, da exclusão, da violência, está aí, despudoradamente, a aliciar as vítimas do neoliberalismo, da globalização, das desigualdades do projeto europeu, servido por uma comunicação social que há muito, mesmo muito, deixou de ser o cão de guarda da democracia e se transformou – salvo as honrosas exceções – na voz do dono.

No passado os candidatos a ditadores usavam a força bruta. Hoje cuidam da imagem, andam pelas redes sociais, são sempre antissistema, e falam sem disfarces da lei e da ordem, da família e da justiça, de deus e da pátria, na certeza de que as suas palavras serão reproduzidas até à exaustão. E são. E pergunto: a quem interessa que cresça o eco dos novos candidatos a ditadores?

A «direita tradicional» perdeu a máscara (ou a vergonha) e legitima a criatura, disfarçam o monstro e fazem de conta que basta o batismo da ida às urnas para ocultar a besta fascista. Sim: besta fascista. Leram bem.

Por isso as próximas eleições são tão importantes e a candidatura de João Ferreira tão necessária. É sem dúvida um horizonte de esperança.

Um feliz natal. E venha lá esse 2021 que estamos cá, com coragem e confiança para o receber.

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