Unidade de Cuidados na Comunidade de Guimarães

A missão da Unidade de Cuidados na Comunidade (UCC) é “obter ganhos de saúde na comunidade”, sendo que a atuação é principalmente direcionada a grupos que tenham alguma vulnerabilidade ou risco associado”, diz Elvira Miranda, enfermeira, com quem estivemos à conversa. 

Localizada no Centro de Saúde Professor Arnaldo Sampaio, polo de Urgezes, a Unidade de Cuidados na Comunidade de Guimarães serve um universo de aproximadamente 120 mil pessoas, é composta por onze enfermeiros especialistas e uma fisioterapeuta, que prestam cuidados de saúde e apoio psicológico e social, de âmbito domiciliário e comunitário, a pessoas, famílias e grupos mais vulneráveis em situação de maior risco ou dependência física e funcional.

A Unidade de Cuidados na Comunidade de Guimarães atua também na educação para a saúde, na integração em redes de apoio à família e na implementação de unidades móveis de intervenção.

Estas unidades, compostas exclusivamente por enfermeiros especialistas, têm autonomia organizacional e técnica, podendo os profissionais alterar qualquer plano de trabalho individual definido para o doente, de acordo com a avaliação. “Nós podemos também fazer referenciações para os médicos de família, porque os nos- sos doentes são doentes das Unidades de Saúde Familiar, e que podem ser de qualquer Unidade de Guimarães”, acrescenta Elvira Miranda.

São várias as áreas de atuação da UCC Guimarães, destacando-se a área da vigilância da saúde materna, com o curso de preparação para o parto e de recuperação pós-parto, a consulta de apoio à amamentação ou a visita domiciliária no puerpério. Há também projetos na área da reabilitação, da saúde comunitária e da saúde infantil e escolar.

Equipa de Cuidados Continuados Integrados

Estas unidades, integradas na UCC, prestam apoio aos doentes no domicílio, um serviço que é prestado “sete dias da semana, sendo que ao fim-de-semana apenas a doentes com necessidades de cuidados diários”, já que aos restantes é possível fazer-se a calendarização.

A unidade tem capacidade para tratar 20 utentes (20 camas). Para os enfermeiros “o internamento e tratamento em casa traz imensos ganhos.”

Há fila de espera pelos serviços da equipa, sendo que “os doentes que aguardam vaga, que estão referenciados, só saem do hospital quanto tivermos possibilidade de os acompanhar”, ou então são encaminhados para outras unidades de saúde, as chamadas “camas de retaguarda” e aguardam lá.




Há uma nova Unidade de Cuidados na Comunidade que está a ser criada e entrará em funcionamento em breve, dividindo os utentes com a UCC Guimarães, e que vai designar-se por UCC Novo Amanhecer.

Vitor Oliveira, um dos enfermeiros associado aos Cuidados Continuados Integrados fala-nos da regra dos três R’s, que define a atuação destas equipas: “A Reabilitação, que permite obter ganhos funcionais, motores; a Reinserção no contexto familiar e social, e a Readaptação, que é a adaptação a uma nova realidade”.

Não fazem só o apoio ao doente, fazemo apoio à família 

Aos 83 anos de idade, Maria, nome fictício, aguarda pela chegada dos enfermeiros. As duas visitas semanais dos profissionais da Unidade, que acontecem desde o natal, garantem a super- visão aos cuidados que a sua filha, professora, assegura há 12 anos.

Fez 83 anos em fevereiro, possui insuficiência cardíaca e respiratória, lúpus diagnosticado também há uma dúzia de anos e três episódios de internamento nos últimos meses. O mesmo número de vezes esteve em coma, contou à Mais Guimarães a filha.

Apesar de todas as condicionantes, de toda a preocupação que representa ter a sua mãe em casa, é isso que a mantém viva. “A minha mãe podia estar nos cuidados continuados, ou estar num lar, para nós era mais facilitador, mas ela já teria morrido”, diz-nos, enquanto tenta explicar-nos o quanto estar em casa é importante para a doente.

“Quando estão numa unidade estão longe da sua casa, da sua família. Aqui ela vai à cozinha todos os dias, e está envolvida na dinâmica familiar. Aqui a vigilância é também constante. Por muito profissionais que possam ser nas unidades de saúde ou de apoio, aquilo que faço há minha mãe mais ninguém faria”, diz-nos.

“Eu lembro-me dela estar em coma no hospital, e as senhoras são excecionais, e eu ia para la corrigir testes, falar com ela, e ela abria os olhos, e voltava ao coma. Houve sempre apelos à vida, e isso tem sido fundamental.”

Maria passou o aniversário, em fevereiro último, no hospital e quando regressou não reconhecia as pessoas mas já recuperou. A chegada dos enfermeiros é um momento de alegria e boa disposição naquela casa.

Para a cuidadora, o serviço prestado pelos enfermeiros tem sido uma “mais-valia, para nós fundamental”, diz. “É ótimo porque eles não fazem só o apoio ao doente, fazem o apoio à família. Qualquer duvida que tenhamos, no tratamento, ou a oxigenação, eu telefono e eles antecipam a vinda ou orientam.”

“É preciso rever o estatuto do cuidador”

Para professora, “não são subsídios que estão em causa” e que é preciso rever no estatuto do cuidador, recentemente aprovado. “Nós temos de ter horários mais flexíveis, para podermos dar o apoio, e tempo para o descanso. É preciso sabermos que vamos descansar um tempo e temos o serviço assegurado”.

No caso de Maria, com um grau de dependência acima de 60%, se a filha estivesse desempregada teria direito a um subsídio. Mas não é o caso. Para a cuidadora, é importante que perante a entidade patronal, “possa ter facilitação de horário para cuidar, que não está previsto. A minha mãe está há 12 anos comigo e nunca tive férias”, acrescenta a filha.

Isabel Fonseca não têm dúvidas, “o cuidador só pode cuidar se se cuidar também. Por vezes dizemos para irem fazer compras, para tirarem uma tarde para passear, para carregarem as pilhas, senão ficam completamente saturados e o cansaço vai-se acumulando. Só temos sucesso no nosso trabalho se o cuidador estiver bem”, acrescenta.

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