Vaudeville Rendez-Vous 2026 expande-se a cinco cidades e reforça aposta no circo contemporâneo

O Festival Internacional Vaudeville Rendez-Vous regressa de 15 a 18 de julho para a sua 12.ª edição, trazendo uma programação alargada que passa, pela primeira vez, por cinco cidades do Minho. Às já habituais Barcelos, Braga, Guimarães e Vila Nova de Famalicão junta-se agora Viana do Castelo, consolidando o conceito de um verdadeiro “Pentágono Cultural”

© Eliseu Sampaio / Mais Guimarães

Promovido pelo Teatro da Didascália, o festival mantém a entrada gratuita e apresenta um total de 18 espetáculos distribuídos por cerca de 40 sessões, incluindo oito estreias nacionais. O tema desta edição, “Mudança e transformação”, inspira uma programação que reflete questões contemporâneas como as alterações climáticas, as crises sociais e humanitárias e os conflitos que marcam a atualidade.

Uma das principais novidades é a criação do “Circo Escondido”, uma linha de programação dedicada a artistas emergentes e recém-formados. Os espetáculos serão apresentados em locais surpresa, apenas revelados no próprio dia através de mensagens enviadas aos participantes previamente inscritos.

A abertura do festival acontece em Viana do Castelo, cidade que se estreia na rede do Vaudeville Rendez-Vous, com a apresentação de Tenet, da companhia catalã Eunoia Kolektiva. O espetáculo reúne oito acrobatas e um músico numa proposta que combina acrobacia e narrativa visual para desafiar a forma como o público observa o mundo.

Entre os destaques da programação estão várias estreias nacionais, como Thaumazein, da companhia francesa Cie H.M.G., que explora a cooperação e o apoio mútuo através de uma impressionante roda gigante; Ákri, de Manel Rosés Moretó, que combina humor e acrobacia para refletir sobre o conceito de limiar; e Anitya – L’impermanence, de Inbal Ben Haim, que convida o público a participar numa experiência centrada na impermanência e reconstrução.

O festival acolhe ainda propostas como Fragmentos, da companhia La Víspera, Hot Dog, do coletivo francês Le Galactik Ensemble, e O Início do Fim, uma coprodução do Vaudeville Rendez-Vous que aborda a censura através da desconstrução da figura do clown.

A programação inclui também espetáculos-percurso que convidam o público a acompanhar os artistas em movimento pela cidade. É o caso de How Much We Carry?, The Place e Qui Vive, propostas que transformam o espaço urbano em palco e proporcionam experiências imersivas.

O apoio à criação nacional continua a ser uma prioridade do festival. Projetos como Clamor, de Margarida Montenÿ, ConCorda e Turno da Noite, da companhia Uatumã Fattori, integram uma programação que valoriza o trabalho de artistas portugueses e promove novas parcerias no setor.

Além dos espetáculos, o Vaudeville Rendez-Vous promove workshops, masterclasses e sessões de pitching dirigidas a estudantes, profissionais e programadores, reforçando a dimensão formativa e de intercâmbio artístico do evento.

A acessibilidade volta igualmente a assumir um papel central. O festival garante condições para pessoas com mobilidade condicionada, disponibiliza interpretação em Língua Gestual Portuguesa em alguns espetáculos e oferece kits de acessibilidade sensorial e de comunicação para apoiar pessoas neurodivergentes e outros públicos com necessidades específicas.

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