VERDE INTERMITENTE

por ANA AMÉLIA GUIMARÃES
Professora

Professora

É comumente aceite, nos dias que correm, que um país, uma região ou um concelho devem ter e promover práticas e procedimentos onde a questão ambiental atravesse, de forma concertada, o conjunto de áreas de intervenção política, sobretudo ao nível da ocupação do território.

Esta prática, nas últimas décadas, esteve quase arredada dos programas eleitorais dos partidos do “arco do poder”, figurando, quando acontecia, como um adereço mais ou menos “fraturante” e politicamente correto. No entanto, no final dos mandatos, tirando um outro acontecimento de calendário e de resultados meramente circunstanciais, o que havia era “uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma”. Agora tal como o “objeto-marca” cultura, também a ecologia está na moda… e dá votos agora que as autárquicas se avizinham.

Em Guimarães, por via da candidatura a capital verde, o partido que gere os destinos da cidade acordou num tremor para o integralismo ambiental. Da boçal posição que durante décadas teve, por exemplo, em relação às ciclovias é agora o paladino da “bicla” mesmo que a ela apenas destine circuitos de manutenção,  pondo de lado o mais importante e substantivo: criar espaços de circulação, com segurança, que permitam usar esse meio de locomoção como transporte pessoal diário e alternativo ao carro. É delicada a concretização desta opção mas é aquela, parece-me, que vale a pena promover. O fácil aparece por geração quase espontânea, mas o arrojado e difícil, só remotamente estará ao alcance daqueles que, no passado, se limitaram a adiar o que nos poderia distinguir.

Esta já longa introdução vem a propósito de uma notícia que li, há dias, e que dava conta que o PS Taipas (era assim que vinha na notícia, como se houvesse – e parece que há, de facto – um PS de Gondomar, um PS de Gonça, um PS de Ponte… e outros locais de “práticas” ambientais interessantes…) “realizou uma acção para  discutir a requalificação das praias fluviais da Vila”. Um objectivo que passa pela “união da comunidade na despoluição do Rio Ave”.

Ora bem, isto é daquelas coisas que ficam sempre bem dizer e que são relativamente fáceis de realizar (a “acção para discutir” pela enésima vez a despoluição do Ave). A questão é saber o que de facto mudou e até que ponto o partido da “situação autárquica” está disposto a ir até ao horizonte dos objectivos ambientais propostos. É que, durante mais de uma década, em que acompanhei e participei na vida do município vimaranense, lembro-me do PS ter votado (isto ainda antes das autárquicas de 2013) contra uma proposta da CDU para a “criação das Cartas Concelhias de Praias Fluviais, de Parques de Lazer e Recreio e Ciclovias”. A elaboração destes documentos era, em nosso entender, e no que às praias fluviais diz respeito, uma forma de comprometer, positivamente, a autarquia e os vimaranenses num desígnio importantíssimo para a nossa qualidade de vida. A esse objetivo juntava-se, ainda, a possibilidade de elencar as dificuldades que de facto existem e as respetivas respostas a dar, recorrendo, para isso, a parcerias com instituições como, por exemplo, a Universidade do Minho. Era  (é) uma proposta difícil? Complexa? Sem dúvida, mas não é para responder a esses desafios que por cá andamos? Guimarães teria mais e melhor se não tivesse uma autarquia tão auto deslumbrada e surda à critica construtiva.

Termino com dois breves apontamentos. Uma saudação sincera e que penso ser comum a todos os que amam a cultura e a música. Refiro-me ao novo espaço e novas valências da Sociedade Musical de Pevidém, que tem desenvolvido, com admirável persistência, um trabalho notável e de crescente qualidade que só nos pode deixar felizes e agradecidos.

Termino com um convite para que não percam o “para-já-ainda-pequeno festival” Ecorâmicas, edição de 2016, que irá decorrer entre os dias 27 e 30 de outubro em Guimarães. O tema deste ano é o Eco-Ativismo. Não podia vir a mais a propósito. Estejam atentos, não percam.

 

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