Veterinários oferecem-se para ajudar nos hospitais. “Não há como dizer que não”, diz veterinária vimaranense

A vimaranense Ana Vidal Pinheiro foi uma das veterinárias que se mostrou disponível para ajudar nos hospitais, caso o surto do novo coronavírus se continue a agravar.

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“Be the Person Your Dog Thinks You Are”. Esta frase, numa tradução livre, significa “Sê a pessoa que o teu cão acha que és”. É também o título de um livro de C.J. Frick e uma frase comummente utilizada. Pode dizer-se que esta foi uma frase que Ana Vidal Pinheiro levou à letra, tornando-se na pessoa que todos os animais que já tratou e salvou imaginaram que era. A veterinária vimaranense respondeu ao apelo da Ordem dos Médicos Veterinários e irá voluntariar-se para ajudar nos hospitais, caso o surto do novo coronavírus em Portugal se continuar a agravar.

Ao Mais Guimarães, a médica veterinária explica que “não há como não dizer que não” ao apelo, quando se tem “os meios para ajudar quem precisa”. A sua família, conta Ana Vidal Pinheiro, “não foi contra, mas também não foi favor”. “Não disseram para ir, questionaram se tinha a certeza e disseram que deveria cuidar de mim”, admite. “Mas o que é certo é que estando por casa, parada, sabendo que posso ajudar … já me conhecem. Muito dificilmente não irei ajudar, só se adoecer”, garante.

Ana Vidal Pinheiro foi uma das 95 médicas veterinárias da zona norte a responder ao apelo, num total de 339 a nível nacional. Os próximos passos serão da responsabilidade da Ordem dos Médicos Veterinários e do Ministério de Saúde. “Pediram-nos para disponibilizar tanto a carga horária como a zona. Caso seja necessário, sairá a listagem dos meios para onde vamos ser destacados. Deixaram em aberto [a zona], mas obviamente que, pela proximidade, Guimarães será o meu foco de atuação”, aponta.

Numa altura em que “os meios são escassos, tanto a nível de equipamento, como de mãos”, Ana Vida Pinheiro considera que a Ordem dos Médicos Veterinários “tem feito um trabalho extraordinário, no sentido em que acha que a classe é capaz de ser uma mais valia”. “Ao fim e ao cabo, a parte técnica é a mesma, o que muda aqui é o paciente”, explica. Na verdade, parte da formação dos veterinários é comum à dos médicos de humanos e ambas as profissões usam muitas vezes as mesmas técnicas e equipamentos.

Em paralelo, está ainda a ser feito um outro levantamento dos ventiladores que estão em clínicas veterinárias e que podem também ser usadas em humanos, num equipamento que se sabe que é muito usado nos casos críticos de Covid-19 e que tem feito falta nos países até agora mais afetados pela doença. Segundo Ana Vidal Pinheiro, foram “bastantes” os médicos veterinários que disponibilizaram material que poderá ser necessário. “A maioria dos materiais que temos é comprado a produtores de humana. São completamente adaptáveis”, assegura.

Como profissional de saúde, Ana Vidal Pinheiro considera que “está a haver um ambiente de muito medo, um medo irracional”. “Temos e devemos ter cuidados, mas também manter a racionalidade. Com os mínimos podemos proteger-nos e não levar nada ao extremo”, assegura.

A vimaranense acrescenta que será importante referir “a necessidade de uma maior consciência ambiental”. “Se não pararmos a bem, paramos a mal. Nesta situação em específico não há culpados, mas sim responsáveis, todos nós. Devemos olhar para todas estas catástrofes como avisos da natureza que chegou a hora de mudar comportamentos, atitudes, consciências. Sejamos responsáveis por um bem maior que nós: a vida”, finaliza.

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