VIA (FÉRREA) PARA O DESENVOLVIMENTO

por José da Rocha e Costa

Gestor de empresas

O Bloco de Esquerda apresentou na Assembleia da República um projecto de resolução com vista a reforçar o investimento na ferrovia existente no distrito de Braga, propondo a requalificação das linhas ferroviárias, entre as quais a ligação directa entre Braga e Guimarães.

Confesso que nunca percebi bem porque é que, distando apenas 25 km entre si, as cidades de Braga e Guimarães nunca possuíram uma ligação de comboio directa. Talvez tenha a ver com a conhecida rivalidade entre as cidades, que embora estando ligadas por vários organismos, seja a Universidade do Minho ou o Instituto Politécnico do Cávado e do Ave, preferem manter uma espécie de independência simbólica, que nos dias de hoje já não faz grande sentido.

Falando ainda em progresso e em vias de comunicação, vale a pena falar também do tão discutido “nó de Silvares”. Confesso que, ao contrário da maioria dos vimaranenses, não sou a favor da construção do viaduto que está projectado e que, se tudo correr como previsto, vai resolver uma boa parte dos problemas de acesso à cidade de Guimarães.

Pode parecer-vos estranho que em alguns casos eu seja a favor do progresso, como é o caso da linha ferroviária, e noutros casos seja a favor de deixar tudo como está. Mas se pensarem bem, no caso do nó de Silvares, deixar tudo como está pode ser visto como uma forma de engrandecimento da cidade. Senão vejamos, qual é a cidade desenvolvida que não tem engarrafamentos nas horas de ponta? Como é que Guimarães pode ser uma cidade verdadeiramente desenvolvida se um trabalhador que venha de fora da cidade, no fim de um dia de trabalho, conseguir percorrer toda a cidade em menos de 10 minutos? Não há nada que faça reconhecer o poderio de uma cidade como os engarrafamentos nos acessos à mesma no fim de um dia de trabalho.

Cidade grande é isto mesmo, é passar horas no trânsito, é ter uma rodovia toda entupida, só porque um exército de gordos se lembrou de ir ao McDonald’s, todos ao mesmo tempo. Lá está, quem defende a obra na rotunda de acesso à autoestrada, deve certamente achar que quem se lembrou de deixar construir o McDonald’s ao lado da rodovia não mediu bem a resiliência da população em fazer filas, só para poder comer uma boa fast-food.

Eu vejo as coisas de maneira diferente, a rodovia também deve estar entupida, é sinónimo de cidade grande. Aliás, sou a favor de levar ainda mais estabelecimentos para aquela zona. Já existe um drive-thru do McDonald’s, um drive-in da Farmácia, porque não levar também para lá um cinema ao ar livre para as pessoas se poderem distrair enquanto estão paradas no trânsito.

E para quem não quiser participar destes engarrafamentos colectivos? Apanha o comboio. Por isso é que é importante ter a ferrovia a funcionar “a todo o vapor”. E quando digo a todo o vapor não é só de uma forma figurativa, é que um comboio que demora 1 hora e 20 minutos a fazer o trajecto entre Guimarães e o Porto, só pode ser um comboio a vapor.

Pensando bem, se for para o comboio que vai ligar Braga a Guimarães andar à mesma velocidade que o que liga Guimarães ao Porto, se calhar mais vale continuar a utilizar o carro como meio de locomoção. Está visto, é construir outro McDonald’s no nó de Silvares para o caso de nos dar fome enquanto estamos parados no trânsito, e fica o problema resolvido.

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