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Vimaranense que está a dar a volta à Europa a pé já chegou a França

Sem qualquer apoio, tem sido um embaixador de Guimarães nas terras por onde passa. Já caminhou mais de dois mil quilómetros e espera chegar a Roma durante o mês de maio.

© RiickyOdissey

Henrique Pereira, de 31 anos, saiu de Guimarães no dia 5 de outubro do ano passado e, depois de ter percorrido mais de dois mil quilómetros, chegou a território francês, na manhã de quinta-feira, dia 14 de fevereiro.

O Vimaranense quer ser a primeira pessoa a dar a volta à Europa a caminhar. O desafio implica percorrer 40 países sem usar nenhum outro meio que não as suas pernas e está previsto para durar quatro anos.

O principal problema de RiickyOdissey, como é conhecido nas redes sociais, é a falta de financiamento. O dinheiro que tinha posto de lado já está quase a acabar e o projeto precisa desesperadamente de patrocinadores.

© RiickyOdissey

Farto da rotina do trabalho numa empresa têxtil e convencido de que “com os salários que se ganha em Portugal” nunca poderia viajar, Henrique decidiu partir a pé. Despediu-se, juntou as economias que tinha – cerca de dois mil euros -, juntou-lhes os 250 euros que a Junta de Freguesia de Silvares lhe deu e fez-se à estrada.

Na freguesia havia quem dissesse que “não vai passar de Vizela”. Quando chegou à fronteira com Espanha, no último dia de outubro, com 413 quilómetros nas pernas, os céticos começaram a calar-se. Agora que atravessou toda a Península Ibérica e já está em França, “o presidente da Junta já me disse que dizem que se eu voltasse para casa agora já tinha feito muito, mas não é esse o plano”, garante.

© RiickyOdissey

Henrique não conseguiu atrair apoios para o seu projeto antes de partir. “Talvez as pessoas não acreditassem”, pondera. Todavia, pensou que quando os quilómetros se começassem a acumular seria mais fácil encontrar patrocinadores.

“Antes de sair contactei a Câmara de Guimarães e nem uma resposta consegui obter”, queixa-se. “Sou um embaixador, por onde passo, as pessoas que vou conhecendo perguntam-me de onde venho. Digo-lhes que parti de Guimarães, em Portugal e acabo a explicar onde é fica a cidade e a contar a história da fundação da nacionalidade”, refere.

Logo que saiu do país, a sorte mudou. Por um lado, deixou de ter o acolhimento nos quartéis de bombeiros que conseguiu em quase todas as cidades portuguesas, por outro, em Badajoz, foi vítima de uma tentativa de assalto. “Um romeno, fazendo-se passar por polícia queria que eu lhe desse a minha identificação. O objetivo era roubar-me os documentos”, conta.

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O perigo de acampar

As noites são passadas, quase sempre, na tenda e já teve companhia indesejada por mais de uma vez. “A certa altura, foi uma matilha de cães, mas também já acordei com barulho a meio da noite e, quando saí com a lanterna para ver o que era, dei com um javali. Estava acampado debaixo de umas oliveiras e ele estava a comer azeitonas”, explica com toda a naturalidade. Na noite de Natal, teve um presente inesperado do pai. “Marcou-me uma noite num quarto de hotel, em Múrcia”, conta.

26 mil quilómetros de caminho

O primeiro “troley”, estilo mala de viagem, ainda subiu a serra da Estrela e foi arrastado até Sevilha, mas teve de ser trocado por um carrinho de bebé, com rodas tipo bicicleta, “porque aquilo não está feito para aguentar tantos quilómetros”.

Henrique está consciente que vai encontrar muito mais problemas ao longo dos 26 mil quilómetros do caminho que ainda tem pela frente, mas está preparado para viver com os mínimos. O “couchsurfing” é uma solução a que só recorre quando está muito cansado ou nos lugares onde montar tenda pode ser problemático.

© RiickyOdissey

Em Espanha, os polícias foram compreensivos e, nalguns casos, até lhe indicaram os melhores locais para acampar. “Um destes dias, vieram ter comigo quando estava a preparar-me para arrancar. Viram a minha identificação, conversaram um pouco comigo, ficaram admirados com o projeto e desejaram-me boa viagem.

Deve ter sido uma denuncia de um morador que pensou que eu era algum tipo de bandido”, relata. “Perguntaram-me se tinha alguma coisa para me defender. Disse-lhes que tinha a minha faca e que durmo sempre com ela”, comenta a rir.

O sul de França, onde está agora, reserva-lhe algumas etapas perigosas, nomeadamente na região de Marselha, onde os níveis de criminalidade são muito altos. Mesmo assim, continua a dizer que os sítios mais perigosos que pensa atravessar ficam na Roménia, onde terá que acampar em territórios onde existem ursos. De acordo com o plano, estará em Itália no início de abril e deve chegar a Roma durante o mês de junho.

Homem de fé, leva consigo um terço e uma imagem da Virgem que lhe deu o arcipreste de Guimarães Vizela, padre Samuel Vilas Boas, no momento em que lhe deu a benção, antes da partida. “Gostava muito de ser recebido pelo papa, porque esta minha caminhada é também uma jornada de fé”, confessa. Quando se completar um ano desde que saiu de Guimarães, o caminheiro espera estar algures entre a Áustria e a Eslovénia.

© RiickyOdissey

Ajuda é bem vinda

Henrique acha que pode dar visibilidade a empresas de Guimarães, e não só, que se queiram associar a ele neste projeto. As pequenas ajudas de particulares também são bem vindas: GoFundMe https://gofund.me/9cf3a8ae; MBWAY 919583768; Henrique Pereira PT50.0036.0117.99100023136.64. Dia a dia, no Facebook, Instagram, Tik Tok e Youtube, o aventureiro vai colocando vídeos em que conta as peripécias das etapas que vai percorrendo. É nestes momentos que o caminheiro se propõe a dar visibilidade às empresas que estiverem dispostas a apostar nele.

(Por Rui Dias)

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