Vitória domina, não marca e perde: “O resultado parece-me extremamente injusto”
Conquistadores dominaram grande parte do encontro, tiveram 24 remates e cerca de 60% de posse de bola, mas foram derrotados por 0-1. Treinador considera resultado “extremamente injusto” e admite que o clube procura mais soluções no mercado.

© VSC
O Vitória SC entrou com o pé esquerdo na Liga Portugal 2026/27. Na tarde deste sábado, no Estádio D. Afonso Henriques, a equipa vimaranense perdeu por 0-1 frente ao Arouca, num encontro em que assumiu o controlo durante largos períodos, criou oportunidades suficientes para marcar, mas acabou penalizada pela falta de eficácia.
Barbero marcou o único golo da partida, aos 53 minutos, aproveitando um erro da equipa vimaranense. O Vitória tentou reagir até ao final, mas não conseguiu transformar o domínio territorial e as oportunidades criadas no golo que lhe permitiria chegar ao empate.
No final da partida, Tiago Margarido considerou que o Vitória fez uma primeira parte de “quase sentido único”, destacando a capacidade da equipa para alternar entre o jogo interior e exterior e para criar situações junto da baliza adversária.
“Conseguimos empurrar o Arouca para trás”, explicou o treinador, que, contudo, reconheceu que a equipa falhou no momento decisivo. “No capítulo da finalização não estávamos a ser eficazes.”
A segunda parte começou com o Vitória novamente por cima, mas o Arouca chegou à vantagem praticamente na primeira situação de perigo. Para Margarido, o golo nasceu de “um erro nosso que permitiu a vantagem do adversário”.
A partir daí, o treinador procurou alterar a dinâmica ofensiva da equipa, apostando mais nos corredores laterais e procurando explorar o espaço através de Telmo Arcanjo, ao mesmo tempo que João Mendes passou a ter um posicionamento mais aberto.
A alteração não deixou, porém, de produzir novas oportunidades. O Vitória continuou a procurar o empate, mas voltou a esbarrar na falta de eficácia.
“Fizemos 24 remates à baliza, tivemos quase 60 por cento de posse de bola. Ao nível do que é o plano exibicional, penso que criámos o suficiente para sairmos daqui com outro resultado”, sublinhou Tiago Margarido, considerando que o desfecho foi “extremamente injusto mediante o que aconteceu no jogo”.
“Faltou marcar”
O treinador mostrou-se satisfeito com a capacidade da equipa para ligar a primeira à segunda fase de construção e chegar a zonas de finalização. “Conseguimos chegar muitas vezes a zonas da área adversária, zonas de finalização”, afirmou, destacando também a capacidade para procurar diferentes soluções perante uma equipa do Arouca que classificou como “supercompetente”.
A equipa técnica procurou criar dificuldades ao bloco arouquense através de diferentes posicionamentos dos laterais, ora mais projetados, ora mais baixos, procurando provocar indefinições na organização defensiva adversária. “A verdade é que no capítulo da finalização hoje não estivemos bem, não nos encontrámos”, reconheceu.
Tiago Margarido destacou ainda a capacidade do Vitória para encontrar espaços entre linhas. Na primeira parte, a equipa conseguiu várias vezes criar superioridade pelo corredor central, através de uma situação de quatro jogadores contra os dois médios-centro do Arouca. Na segunda metade, a estratégia passou por procurar mais os corredores exteriores. “Ambas as situações foram válidas porque conseguimos criar as oportunidades. Faltou marcar”, resumiu.
Oliwier Zych dá garantias na baliza
O treinador também foi questionado sobre a escolha de Oliwier Zych para a baliza e sobre a sua prestação na estreia oficial. Tiago Margarido deixou elogios ao guarda-redes polaco, embora tenha admitido que teve pouco trabalho durante a partida. “O guarda-redes praticamente não teve trabalho nenhum”, afirmou, destacando a capacidade de Zych para jogar de forma agressiva e controlar a profundidade fora da área.
“É um guarda-redes frio, um guarda-redes também forte entre os postes, portanto, é alguém que nos tem dado garantias para aquilo que são estes primeiros jogos.”
Margarido confessou, contudo, que não consegue fazer uma avaliação muito aprofundada da prestação do guardião: “Eu não consigo avaliar a prestação dele porque só me lembro de ele ter feito uma defesa”.
Vitória admite necessidade de reforços
A derrota na estreia não alterou a avaliação do treinador sobre o potencial do plantel, mas voltou a colocar em cima da mesa a necessidade de reforçar a equipa.
Tiago Margarido confirmou que o Vitória está a trabalhar no mercado em conjunto com a Administração e assumiu que são necessárias “outras soluções”. “Há trabalho a fazer porque temos muito potencial a desenvolver. A equipa é extremamente jovem, tem potencial, mas esse potencial demora a ser desenvolvido”, afirmou.
O técnico considera que o grupo está a evoluir, mas admite que ainda falta pelo menos mais uma peça para aumentar as opções disponíveis. “Temos a clara noção de que precisamos de mais uma outra peça. Estamos a trabalhar nisso, estamos a trabalhar em conjunto e eu acredito que em breve virão outras soluções”, revelou.
Mosquera e Ouotro ainda sem inscrição
A ausência de Yeimar Mosquera e Patrick Ouotro também mereceu esclarecimentos por parte do treinador. Segundo Tiago Margarido, os dois jogadores não puderam ser utilizados por falta de documentação necessária para a inscrição. “O clube está à espera de que sejam enviados esses documentos, penso que tem que ver com o registo criminal. Portanto, é algo que está fora do nosso controlo e os jogadores não conseguiram estar inscritos a tempo para o jogo”, explicou.
O treinador revelou ainda que, no caso de Mosquera, o documento necessário foi solicitado há mais de 20 dias e continua sem chegar. Em sentido contrário, Ahmed Sidibe, que chegou ao Vitória esta semana, já conseguiu ser inscrito e esteve disponível para a estreia.
Incógnita sobre Gustavo Silva
Tiago Margarido deixou também em aberto a situação de Gustavo Silva, que saiu do encontro depois de sofrer uma pancada. “Sei que foi uma pancada, mas não sei a extensão da pancada”, explicou o treinador, acrescentando não ter ainda informação suficiente para avaliar a gravidade da situação.
A derrota deixa o Vitória SC sem pontos após a primeira jornada do campeonato, numa estreia em que a equipa mostrou capacidade para dominar e criar oportunidades, mas ficou condicionada pela ineficácia ofensiva.
O desafio seguinte será de grau de dificuldade elevado. Os conquistadores deslocam-se ao terreno do Sporting na segunda jornada da Liga Portugal 2026/27, numa partida marcada para sexta-feira, 14 de agosto.





